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Durante a madrugada desta terça-feira (25), parte dos 30 mil desempregados de Barcarena bloqueou todos os acessos às indústrias locais, em protesto contra a Hydro Alunorte, da Hydro Norsk (Noruega) e a terceirizada MKS Caldeiraria e Serviços, que trouxe todo seu quadro de funcionários de outro Estado e descartou a mão de obra local.

"Essa prática é mais frequente que se pensa e o que nos deixa irritados é a inércia da secretaria de emprego e renda do nosso município". Essas palavras são de Marcos Paulo (um jovem da Vila do Conde). Paulo concluiu dizendo que "a Hydro, como contratante, deve deixar claro pras suas terceirizadas que elas têm que dar vez pra nós. E a gente só vai sair daqui quando a Hydro nos der uma resposta".

Até o presente momento a Hydro (empresa que domina a produção de alumina e alumínio) não se posicionou sobre o tema e os trabalhadores prometem estender os protestos até que seja atendida a única reivindicação: emprego para o povo de Barcarena.

“O descaso da empresa Hydro e de sua terceirizada, com cobertura do poder municipal levou a que os manifestantes bloqueassem o acesso ao DRSI  , DRSII e Transalumina, em frente a portaria I da Albras, o portão de acesso à Vila de Itupanema, o portão do horto e a via alimentadora de acesso à CDP em Barcarena no Pará”, ressaltou o presidente da CTB Pará, José Marcos Araújo, o Marcão.

De acordo com o sindicalista, a população local, que sofre com um grande desemprego, que tem a esperança de que a extração do Aluminio local sirva para o desenvolvimento local e para melhora da qualidade de vida do povo tem demonstrado apoio ao movimento.

"Temos muitos trabalhadores do nosso município. Eles estão certos em protestar. Não tem motivo para trazer funcionário de outros estados enquanto os pais de família daqui estão desempregados", disse a moradora Dalvania Pacheco.

O economista André Farias afirma que "Os trabalhadores locais estão certos por lutar pela contratação de mão de obra local. Empresas e governos devem se responsabilizar pela formação técnica.  É inadmissível que Barcarena não tenha um IFPA. Contudo, sabemos que isso é a ponta do iceberg. Estão tirando não apenas nossos empregos, mas nossos recursos naturais, nossa dignidade. Enfim, nosso modo de vida."

"É uma grande luta de trabalhadores desempregados e indignados  pela falta de respeito da gestão pública deste município em defender os trabalhadores que aqui vivem", afirma Benedito Barbosa. 

"Temos que apoiar esta luta é nossa!", diz a moradora Beatriz Lima.

O professor Gwerson declara que "a luta não pode ser trabalhador contra trabalhador (local x regional) . A luta tem que ser pela responsabilização social das grandes empresas que passa pela contratação mão de obra local, mas vai muito além, pois passa pelo respeito a legislação trabalhista,  pelo respeito ao meio ambiente e o direito de povos tradicionais. Passa ainda pela luta em defesa por uma política de emprego que estimule outras frentes de trabalho no Turismo,  no comércio e no serviço. Vamos abrir esse debate."

Esta semana o movimento deve procurar o poder legislativo de Barcarena para tratar do assunto e exigir que os vereadores de Barcarena se posicionem em favor dos trabalhadores locais que não aceitam que todas as vagas de emprego abertas pelo projeto Hydro, através da terceirizada MKS sejam destinadas a trabalhadores do estado onde aquela empresa está sediada.

Práticas antissindicais, falta de segurança e condições de trabalho

De acordo com o presidente da CTB Pará, nos últimos dias a empresa Hydro Alunorte, tem figurado repetidamente em denúncias de práticas desprezíveis e de total irresponsabilidade social.

Ainda mantendo a condição de práticas antissindicais, com perseguições e demissão de dirigente sindical, é autuada pela fiscalização com a ausência de material de prevenção de segurança e cometendo riscos ambientais.

“Agora, completa o círculo com a contratação de cerca de 300 trabalhadores de outros estados, principalmente da Bahia, em detrimento dos cerca de 30 mil desempregados que vivem em Barcarena, com a cobertura da prefeitura da cidade”, afirma Marcão.

De acordo com a alegação dos representantes da empresa e da prefeitura a cidade não teria trabalhadores capacitados. “Um discurso que não passa de uma falácia para justificar o pouco caso com a cidade que abriga o projeto da empresa, que fornece matéria prima e fica com os rejeitos da produção. Dizer que não temos profissionais capacitados no município é uma afronta”, se indigna o cetebista ao completar: “Barcarena tem milhares de trabalhadores e trabalhadoras em condições de assumir qualquer função nas empresas do município”.

Com CTB Pará

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