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Dom, Jun

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O presidente Jair Bolsonaro não se dignou a enviar condolências à família do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos, barbaramente assassinado por militares do Exército na tarde do último domingo, 7, no Rio de Janeiro. Mas ao se manifestar sobre a tragédia nesta sexta-feira, 12, depois de seis dias de eloquente silêncio, procurou livrar a cara do Exército que, em sua opinião, “não matou ninguém”.

O veículo que o músico dirigia foi fuzilado por dez militares, que dispararam pelo menos 80 tiros. Além de Evaldo, que foi atingido nas costas e morreu na hora, dois outros inocentes ficaram feridos, um deles tentava ajudar os familiares do músico, que estavam no carro e sobreviveram por um golpe da sorte.

Em entrevista durante inauguração do aeroporto de Macapá, o presidente da extrema direita classificou o assassinato de Rosa dos Santos como um “incidente”, repetindo a malfadada definição do seu funcionário Sergio Moro. “O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”, afirmou.

Jair Bolsonaro e outros governantes que rezam pela mesma cartilha neofascista têm responsabilidade no crescimento da violência e crimes cometidos por integrantes das forças repressivas do país. Eles estão incentivado a matança com gestos (como a simulação de arma de fogo com os braços, condecorações a policiais que matam) e palavras.

Sua declaração em relação à barbárie cometida pelos militares domingo no Rio é um escárnio com o sofrimento dos familiares e amigos do músico, um pacato cidadão carioca que se dirigia com a família para um chá de bebê e, provavelmente por ser negro, teria sido confundido com bandido e, como bandido bom é bandido morto segundo a bíblia bolsonarista, não teve perdão nem mesmo se dignaram a lhe dirigir uma pergunta: foi condenado e executado na abordagem com uma saraivada de tiros de fuzil.

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