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O dia 15 de fevereiro entrou para história de Michele Maria Batista Alves e de todos os bolsistas no país. O discurso dela, representando os bolsistas, na colação de grau do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) viralizou na internet por contar a sua trajetória num curso altamente elitista.

A baiana de 23 anos, filha de trabalhadora doméstica, calou fundo na alma de milhões de brasileiros ao falar da “resistência da periferia, dos pretos, dos estudantes de escola pública”.

A oradora dos prounistas chamou tanto a atenção que a revista Nova Escola, da Fundação Victor Civita, resolveu entrevistá-la (leia a reportagem na íntegra aqui). Ela resumiu a sua história de estudante de escola pública, do enfrentamento aos preconceitos e da conscientização de se identificar como pobre. Falou de resistência, de um povo acostumado a resistir.

“Além de mostrar com clareza as dificuldades dos mais pobres nas universidades e de denunciar o preconceito, o discurso dela se destaca porque deixa claro a importância dos programas dos governos Lula e Dilma para criar possibilidades iguais no futuro “, afirma Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

A vida como ela é

“Filha de mãe solteira, criada com a ajuda do avô, Michele veio para São Paulo aos 12 anos, para tratar de uma depressão. Sua família se estabeleceu numa casa alugada em Itapevi, cidade da Grande São Paulo onde mora até hoje, e de onde leva duas horas para ir e voltar ao centro da capital. A intenção inicial era regressar à Bahia, mas dois anos depois a descoberta de um tumor no pescoço adiou indefinidamente os planos”, escreve o repórter Rodrigo Ratier.

Assista o discurso emocionante de Michele Alves 

Ela só conseguiu entrar para o curso de Direito da PUC-SP que custa mais de R$ 3.000 mensais através do Programa Universidade Para Todos (ProUni) criado em 2004, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Programa que corre risco de extinção com Michel Temer.

“O discurso da estudante denuncia uma conjuntura onde solidariedade, generosidade e respeito soam como palavaras obsoletas, uma realidade onde predomina o ódio, a indiferença e a vontade de se dar bem a qualquer custo", reforça Vânia. “Exatamente o que vemos nas ruas e nas redes, o ódio de classe, o racismo, o machismo e o egoísmo".

Por isso, diz a sindicalista baiana, "esses jovens não veem a história e aformaçaõ do país, desconhecem o que a migração, principalmente de nordestinos, fez por São Paulo, ajudando a transformá-lo no estado mais rico da nação".

Fora Temer sempre

Michele fala de resistência. “Resistimos às piadas sobre pobres, às críticas sobre as esmolas que o governo nos dá. À falta de inglês fluente, de roupa social e linguajar rebuscado. Resistimos aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram, na verdade, nossos pais”.

Ao terminar foi aplaudida de pé. Soltou um básico “Fora Temer” e foi sentar-se. “O discurso dela fez pelos estudantes bolsistas o que o desfile da Paraíso do Tuiuti fez no resgate da dignidade de um povo acostumado à resistência há séculos”, ressalta Vânia.

Já Michele afirma à Nova Escola que “é uma vitória saber que minha reflexão está chegando a lugares que antes não debatiam esse assunto. Quem sabe cause algum impacto na vida dos bolsistas que virão depois de mim”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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