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O jornalista Ricardo de Carvalho leva para a telona a vida de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal símbolo da resistência à ditadura fascista (1964-1985). Sua importância no combate à tortura e na disseminação de ideias democráticas é reconhecida por quem sofreu a repressão.

Com estreia prevista para novembro, o documentário “Coragem – As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns”, dirigido por Carvalho, com base em suas duas biografias sobre dom Arns. São eles: “O Cardeal e o Repórter” e “O Cardeal da Resistência”.

Muito importante. Dom Paulo completou na quarta-feira (14), 95 anos e neste ano fez 50 anos de sua ordenação como bispo. Foi voz firme contra os desmandos dos ditadores e em defesa dos humildes e dos perseguidos.

Carvalho conta que o cardeal “foi, sem dúvida, a mais importante fonte de informações contra o regime militar. Como jornalista que é, dom Paulo não errava uma e tudo que dizia ou denunciava, vinha com provas, relatos... Foi assim quando o pastor Jaime Wright, ligadíssimo a dom Paulo, me passou, em 1978, a conta-gotas, a primeira lista de desaparecidos políticos checadas em diferentes fontes”.

Formado em Sorbonne, Paris, França. Em 1972, criou Comissão Justiça e Paz de São Paulo. Também foi o principal organizador da famosa publicação “Brasil Nunca Mais”, em 1985, com relatos das prisões e torturas nos porões da ditadura.

brasil nunca mais

Como conta a ativista comunista Ana Martins, “ele fomentou a criação das comunidades de base, além de discutirem os princípios religiosos, o evangelho, discutia também as condições de vida o que possibilitou um engajamento”.

Já o militante comunista  e ex-preso político Aldo Arantes, destaca que a “sua coragem pessoal e a sua atitude eram uma afronta ao regime militar. Isso ficou claro quando, depois da Chacina da Lapa, em 1976, fui preso. Na tortura os carrascos xingavam o cardeal de todos os nomes imagináveis. Manifestavam um ódio imenso ao se referir à figura dele”.

A sua coragem em desafiar os militares pode ser notada em seu sermão no culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências da polícia política do regime, em São Paulo", em 31 de outubro de 1975.

Num período de muita violência e perseguição política, Dom Paulo disse na catedral da Sé, na capital paulista: "Não matarás. Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do Senhor da História e não será apenas maldito na memória dos homens, mas também no julgamento de Deus!".

O jornalista José Carlos Ruy conta no Portal Vermelho que, em uma entrevista juntamente com Roldão Arruda, para o jornal Movimento (importante órgão de resistência à ditadura), “com cuidado, perguntei a ele sobre a existência de Deus. Recebi a resposta de um homem sábio: sei do que você está falando! Você não acredita, mas para Deus isso não tem importância; o que conta é a ação e vocês estão na luta ao lado do povo. Para Deus, é o que vale”.

Em outra celebração, Dom Paulo fez sermão ainda mais contundente contra a prática da tortura: "Ninguém toca impunemente no homem, que nasceu do coração de Deus, para ser fonte de amor em favor dos demais homens. Desde primeiras páginas da Bíblia Sagrada até a última, Deus faz questão de comunicar constantemente aos homens que é maldito quem mancha suas mãos com o sangue de seu irmão. Nem as feras do Apocalipse hão de cantar vitórias diante de um Deus que confiou aos homens sua própria obra de amor. A liberdade - repito - a liberdade humana nos foi confiada como tarefa fundamental, para preservarmos, todos juntos, a vida do nosso irmão, pela qual somos responsáveis, tanto individual quanto coletivamente".

Grande incentivador das Comunidades Eclesiais de Base, que visavam aproximar a igreja dos mais pobres, Dom Paulo criou em 1985 a Pastoral da Infância, juntamente com sua irmã Zilda Arns, morta em 2010, em acidente no Haiti.

Dom Paulo é daquelas figuras raras. Dedicação total à causa da liberdade e do respeito pela vida e pela dignidade humana. Jamais seguiu o caminho fácil de ceder aos poderosos e se manteve firme ao lado dos oprimidos, mesmo com riscos.

Por isso, o ativista comunista Haroldo Lima junta a sua voz aos que devem “solidariedade militante na luta pela liberdade nas horas decisivas e desejo: longa, longa vida a Dom Paulo Evaristo Arns”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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