Sidebar

20
Qui, Jun

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Terminou neste sábado (27), o 13° Congresso da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-In). A CTB participou da atividade, por meio de seu presidente, Adilson Araújo e da dirigente do sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Ana Paula Costa.

Leia também: Encontro em Portugal reúne sindicalismo mundial; Adilson Araújo discursa na abertura do evento

Foram dois dias de intensos debates em defesa da classe trabalhadora mundial. Em seu discurso, Araújo denuncia os prejuízos das políticas neoliberais para os trabalhadores."As receitas neoliberais impostas pelas instituições reunidas na Troika (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu) aprofundaram em vez de suavizar a crise econômica, perenizando a estagnação, o flagelo do desemprego e o sofrimento da sociedade”, alerta.

image

Leia abaixo a integra do discurso do presidente da CTB no encerramento do evento:


Companheiras e companheiros,

Em nome da CTB e também da Federação Sindical Mundial quero saudar a realização deste vosso XIII Congresso e manifestar nossa solidariedade classista com as lutas que a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses lidera em defesa dos direitos sociais, da valorização do trabalho, da democracia e do desenvolvimento soberano de Portugal.

Creio que o lema desta reunião - “Emprego com direitos, soberania e progresso social” - sintetiza com sabedoria os objetivos fundamentais da classe trabalhadora e da nação portuguesa neste momento histórico. Podemos afirmar que corresponde também aos anseios, aos interesses e à luta da sociedade brasileira, bem como de outros povos.

Vivemos uma época crítica, marcada pela destruição dos empregos com direitos, crescente precarização das relações sociais de produção, restrição quando não supressão das soberanias nacionais e carência de progresso econômico e social. Um tempo de crises, de radicalização da luta de classes e acirramento dos conflitos internacionais.

Na Europa, governos a serviço da aristocracia financeira procuram impor a qualquer custo o desmantelamento daquilo que outrora foi considerado um Estado de Bem Estar Social. A saída que imaginam para a crise, e a perda de competitividade e mercados frente à concorrência asiática, consiste em depreciar a força de trabalho e revogar direitos sociais.

O resultado é um estado generalizado de mal estar social, descontentamento popular e agravamento dos conflitos. As receitas neoliberais impostas pelas instituições reunidas na troika (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu) aprofundaram em vez de suavizar a crise econômica, perenizando a estagnação, o flagelo do desemprego e o sofrimento da sociedade.

A classe trabalhadora é a principal vítima desta conjuntura, sendo duplamente sacrificada, pela estagnação econômica e pela política neoliberal. O desemprego atinge mais de 50% dos jovens na Grécia e na Espanha e pelo menos 32% em Portugal. É uma prova, entre tantas outras, do fracasso das políticas que vêm sendo impostas desde o início da crise em 2008, políticas extraídas do manual da economia política burguesa contemporânea (o neoliberalismo), perversas para as forças produtivas e a classe trabalhadora.

A criação e administração da moeda comum (euro), sob a liderança da Alemanha, implicaram na perda da soberania de muitas nações na determinação das políticas monetária, cambial e fiscal, bem como na subordinação às regras da troika nos momentos críticos. A defesa da soberania entrou na ordem do dia.

Temos muito em comum com a luta da classe trabalhadora portuguesa e da CGTP. Também para nós a defesa da soberania integra a agenda cotidiana de lutas. Enfrentamos uma forte onda conservadora no Brasil, bem como em toda América Latina e Caribe, cujo principal surfista, são os Estados Unidos, em aliança com as direitas locais.

É uma onda que traz o retrocesso neoliberal, ameaça conquistas históricas dos nossos povos e pode reverter a orientação das nações, sob a condução de governos progressistas, no sentido da integração soberana e democrática dos países que hoje compõem a Comunidade de Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que inclui todos os países não imperialistas do continente americano, inclusive Cuba, excluindo Estados Unidos e Canadá.

Lembremos que a Celac anseia ser uma zona de paz, sem ingerências externas nas políticas e eventuais conflitos internos das nações. Proclama em primeiro plano o direito à soberania e autodeterminação dos povos, bem como a convivência pacífica entre seus integrantes. Evidentemente este objetivo humano, civilizado, justo e prosaico, contraria os desígnios das potências imperialistas e, em particular, os propósitos e a estratégia dos EUA, que acumulam um sangrento histórico de golpismo, intervenção e opressão no continente americano e em quase todo o mundo.

Reiteramos nossa saudação à realização deste congresso que compreendemos como mais um ato de luta, uma manifestação de protesto contra a exploração capitalista e os rumos reacionários do imperialismo e de defesa intransigente do emprego com direitos, da soberania e do progresso social.

Vida longa à CGTP.

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.