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Estivesse vivo o autor de “Brasil", onde diz: "Brasil mostra a sua cara”, Cazuza, certamente estaria feliz com as manifestações desta sexta-feira (18) em todo o país. Nas ruas e nas praças, as forças democráticas juntas mostraram que o Brasil não é mais uma republiqueta de bananas.

Nas ruas, o Brasil de todas as cores. Mar de gente de vermelho, preto (a cor adotada pela Globo para o seu próprio funeral), amarelo, azul, verde, rosa, lilás, enfim trabalhadores e trabalhadoras entoando a alegria, a diversidade, com respeito aos semelhantes.

Com forte mobilização dos movimentos sociais, as forças democráticas e populares juntas disseram em alto e bom som: Não Vai Ter golpe. Como disse Fernando Morais em manifestação no teatro Tuca, em São Paulo, dias antes, “nós sabemos quem são vocês”.

Nesta sexta-feira, as babás estavam nas ruas cuidando de seus próprios filhos e sem ganhar hora-extra. O povo brasileiro se ergue e mais uma vez se vale da arte e da vivacidade, mas com muita energia para mostrar a sua vontade em defender a democracia e a Nação brasileira.

Toda a armação golpista esqueceu que 2016 não é 1964. Passados 52 anos aprendemos muitas lições e uma delas é límpida: a história não se repete nunca, a não ser como tragédia.

A irresponsabilidade de juízes que não merecem sua toga pode deflagrar conflitos impensáveis. Há uma direita raivosa, sectária e burra nas ruas e isso é um perigo constante à vida, à liberdade e ao bom senso.

A tática da direita é antiga e muito conhecida, destilar ódio a algo para no fim acabar com tudo o que está próximo desse algo. Os nazistas atacaram os judeus para prender e arrebentar negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais, comunistas e todos os que não eram arianos e pensavam com eles.

Agora o povo brasileiro toma as ruas para mostra à casa grande que o país não comporta mais senzalas. A escravidão acabou em 1888 e jamais retornará. A classe trabalhadora quer avanços, jamais retrocessos.

A vigília continua e será permanente até a trama golpista ser aniquilada. Há juízes de primeira instância, metidos a super-homens, grampeando conversas telefônicas até da presidenta da República e outros no Supremo Tribunal Federal agindo politicamente, ao arrepio da Constituição Fedral e de todas as leis.

Querem prender o Lula, mas prender o Lula a esta altura seria o maior tiro no pé dos golpistas. Trabalham para impedir a posse dele como ministro, porque temem a sua força, a sua popularidade, mas o povo já deu posse a Lula.

Faço das palavras de Chico Buarque e Pablo Milanés como um último recado:

“A história é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue”.

A classe trabalhadora é protagonista da história, não mais coadjuvante. Por isso, Não Vai Ter golpe.

Marcos Aurélio Ruy é jornalista do Portal CTB, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

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