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Devido ao atual cenário político que estamos vivendo, eu convido todas as lideranças do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais para uma reflexão e para um debate junto às suas bases. Nós, enquanto lideranças, temos que expor nosso ponto de vista. E eu venho expor minha opinião na condição de presidente de uma Federação com mais de 500 Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais filiados, representando em Minas Gerais mais de um milhão de trabalhadores e trabalhadoras rurais.

Lamento muito por esse momento conturbado que estamos assistindo no meio político. E vejo com preocupação o modelo de política que os deputados apresentaram na sessão do plenário da Câmara que votou a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Roussef. Os parlamentares dedicaram os votos às suas famílias, a Deus, aos evangélicos, aos cristãos, aos prefeitos de suas cidades e correligionários. É preciso entender que não é uma votação pessoal, mas sim pelo Brasil, representando o povo brasileiro do campo e da cidade. O pior é a sessão ser presidida por Eduardo Cunha que é réu no Supremo Tribunal Federal por vários crimes, que vão desde a corrupção pura e simples a manter contas ocultas na Suíça. Mas sei que no Congresso Nacional existem parlamentares sérios, que realmente trabalham pelo povo brasileiro.

Sem provocar nenhum terrorismo, e levando à seriedade esse momento histórico que enfrentamos, não podemos aceitar um retrocesso na democracia. Não acredito que, por meio do impeachment, vamos resolver os problemas do Brasil. O impeachment seria algo que poderia gerar uma instabilidade democrática do país. Se houve perda de legitimidade de Dilma, Temer nunca teve essa legitimidade. Vejo riscos para democracia brasileira e infelizmente, o cenário que se projeta é de retrocesso e perdas de direitos sociais.

Precisamos ir à luta, de forma pacífica e com um posicionamento crítico para defendermos a democracia e a garantia de direitos conquistados ao longo de décadas, como por exemplo na Previdência Social, dentre outros. Não podemos ver alteradas as regras de aposentadoria que poderão prejudicar ainda mais os trabalhadores do campo e da cidade.

É fundamental reforçar os debates para entendermos o que verdadeiramente está acontecendo no Brasil. Assim, estaremos melhor preparados para defender os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras rurais do nosso país.

Vilson Luiz da Silva é secretário nacional de Finanças da CTB e presidente da Federação dos Trabalhadores em Agricultura de Minas Gerais (Fetaemg)


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