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Mais de 1,5 mil trabalhadores e trabalhadoras sem-terrade todo o Brasil deram início, nesta quarta-feira (20), ao Festival Nacional de Artes e Cultura da Reforma Agrária, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

O ato político-cultural, que acontece na Praça da Estação e na Serraria Souza Pinto, no centro da cidade, vai até o próximo domingo (24), e contará com uma Feira de Produtos da Reforma Agrária, Feira Literária e gastronômica com iguarias de todas as regiões do Brasil, Mostra de Cinema da Terra, shows e seminários de formação sobre diversos temas.

De acordo com a paraense Maria Raimunda César, da Frente de Educação, Cultura e Formação do MST, a atividade traz o acúmulo histórico de luta e resistência que camponeses e camponesas de todo o país construíram ao longo desses 32 anos de fundação do Movimento, seja na organização da classe trabalhadora ou na disputa de um modelo de sociedade que priorize a valorização do ser humano.

“O festival representa o legado Sem Terra na construção da consciência humana e da libertação da classe trabalhadora, onde a produção de alimentos das áreas de assentamentos de todo o país se mistura com música, poesia, arte, pintura e artesanato. Ele também é um processo de luta e resistência que expressa nas palavras rebeldes de homens e mulheres as mazelas sociais, o atraso da política agrícola, a disputa do modelo de agricultura e o anseio por uma nova sociedade”, explica.

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Maria acredita ainda que a cultura no MST esteja representada na construção de uma existência humana que tenha relação com o trabalho, a vida e a terra. “É uma prática transformadora que se diferencia na construção de um projeto popular, onde todas as pessoas são protagonistas”, afirma.

Os organizadores esperam que ao menos 50 mil pessoas circulem pelo Festival durante estes cinco dias de atrações.

Além de mais de 160 toneladas de produtos das áreas de assentamentos e acampamentos do MST, uma das grandes atrações do festival é Mostra de Poesia “Versando Rebeldia” e o “Festival de Música Da Luta Brotam Vozes de Liberdade”.

Ao todo, 60 músicas e 40 poesias serão interpretadas em quatro dias de evento. Deste total, 20 canções serão escolhidas para fazer parte de um CD e um DVD, assim como 20 poemas serão registrados em um livro.
As inscrições, encerradas no dia 30 de junho, chegaram a somar 105 canções e 195 poemas de 18 estados do Brasil.

Para Ênio Bohnenberger, da direção nacional do MST, o Festival faz parte da cultura do povo Sem Terra. “Desde o início, a música e a poesia sempre tiveram presentes, assim como a produção de alimentos. A arte nos ajuda na resistência da Reforma Agrária”, acredita.

Para Ênio, a poesia e a música “são as artes que mais se expressam no nosso Movimento, e não podia faltar no nosso Festival. Ainda mais nesse momento que a cultura brasileira de massa está em crise. Você faz algo ruim e explode na mídia”, exemplifica.

Portal CTB com MST

 

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