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Impossível conceber que o governo golpista contemple um Ministério dos Direitos Humanos, em meio a tantos desrespeitos à pessoa humana que vêm ocorrendo no país desde que se instalaram no poder sem um voto sequer.

Pior ainda, a ministra escolhida, Luislinda Valois, na sua cerimônia de posse, afirmar que o presidente sem votos, Michel Temer, é o “padrinho das mulheres negras”, sem pesar a sua fala, repercutida aos borbotões pelo governo golpista.

Certamente, Valois, que é filiada ao PSDB, desconhece a realidade da mulher negra brasileira. Ignora também o caráter misógino, racista e homofóbico desse governo composto por uma imensa maioria carcomida de rancor e desprovida de amor ao próximo.

A ministra que ocupava a secretaria de Promoção da Igualdade Racial não sabe também que o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54% nos últimos anos, conforme mostra o Mapa da Violência 2015.

Além disso, ela parece esquecer a dupla discriminação sofrida pelas negras em todos os setores da sociedade, inclusive no mercado de trabalho, onde são as primeiras a serem demitidas e as últimas a se realocarem em empregos.

E ainda vão enfrentar as consequências do desmonte na previdência, nas relações e condições de trabalho, e nas reformas do ensino, que privilegiam os mais ricos em detrimento da classe trabalhadora. Além de promover o desmonte do Estado e entregar nossas riquezas ao sistema financeiro internacional.

As mulheres negras são as maiores vítimas de violência, de assédio moral e sexual, de estupros. São as que ganham menos e exercem as funções que ninguém quer. Moram longe, trabalham duro e mesmo com todo esforço continuam ganhando menos.

E o governo golpista só fez piorar essa situação. Além de serem vítimas de toda espécie de ofensas, as mulheres negras veem seus filhos serem assassinados todos os dias, pelo simples “crime” de serem jovens e negros.

Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB. Foto: Vinícius Carvalho/Jornalistas Livres