Sidebar

22
Seg, Abr

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

As câmaras de vídeo do Metrô da Estação Dom Pedro II, em São Paulo, mostram mais um brutal assassinato contra um trabalhador. O vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas foi espancado até a morte por dois neonazistas pelo simples fato de defender um travesti que estava sendo agredido por eles, em pleno Natal (domingo, 25).

Um protesto foi realizado nesta terça-feira (27) no local do crime. Reportagem da Folha de S.Paulo informa que a segurança do Metrô só apareceu no local após os agressores terem fugido.

“O Sindicato dos Metroviários, que também participou do ato, alertou que não há agentes suficientes para cobrir às 20h diárias de funcionamento do Metrô, devido aos inúmeros cortes que têm sido feitos. serviço de transporte público.

“Ruas apenas trabalhava. Era um dos milhões de negros e índios que ainda hoje não descansam nem durante a ceia de Natal. Em um metrô, onde o Estado inexiste, em que tudo foi privatizado, inclusive, pelo visto, até a alma das pessoas, apenas pediu calma, apenas defendeu o direito do ser humano ser quem é”, diz Daniel Araújo Valença, professor de Direito e doutorando em direitos humanos.

ato contra morte de luiz carlos ruas lgbtfobia foto jorge ferreira midia ninja

Padre Júlio Lancelotti participa do ato com o Sindicato dos  Metroviários

(Foto: Jorge Ferreira/Mídia Ninja)

“Os noticiários têm se limitado a mencioná-lo como 'o ambulante assassinado na estação do metrô', como se o seu trabalho não o dignasse a ter o nome pronunciado em escala nacional. Essa é uma das várias maneiras encontradas pelos grandes veículos de comunicação, deseducadores do povo que são, de atrelar implicitamente o valor de cada um de nós à nossa posição social, de negar nossa humanidade com base no nosso poder aquisitivo. Luiz era humano”, afirma texto da revista digital Pazes.

“A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se solidariza com a família de Luiz Carlos Ruas, esse novo herói, que perdeu a vida para defender a vida e a liberdade. Não podemos mais nos calar diante de tamanha brutalidade. Que os responsáveis sejam presos, julgados e punidos”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da CTB.

O trabalhador Luiz Carlos Ruas tinha 54 anos e vendia salgados e refrigerantes nesse local há mais de 20 anos informam parentes da vítima. Assassinado a socos e pontapés, após tentar defender uma travesti de dois homens que tentavam agredi-la e a plena luz do dia, sem ninguém socorrer o agredido.

A esposa de Índio - apelido de Ruas - “essa não foi a primeira vez que ele agiu em favor dos moradores de rua da região. Ela contou que ele acordava cedo todos os dias e dava café da manhã para eles. Quando tinha dinheiro, ainda comprava marmitex e as distribuía”, disse ao Mídia Ninja. O velório do vendedor ambulante será realizado hoje na cidade de Diadema, região do ABC Paulista.

alipio dos santos e ricardo do nascimento suspeitos de espancar o ambulante luiz carlos ruas ate a morte reproducao uol

Os primos suspeitos identificados por familiares através de vídeo do Metrô (Reprodução)

Através do vídeo das câmaras do Metrô, a polícia identificou dois suspeitos. Os primos Alípio Rogério Belo dos Santos, de 26 anos e Ricardo do Nascimento Martins, de 21 anos. Os próprios familiares dos acusados fizeram a identificação. Eles já têm a prisão temporária decretada.

Portal CTB com Jornalistas Livres, Mídia Ninja, Revista Pazes e Folha de S.Paulo

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.