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Qui, Jun

agricultura familiar

  • No último dia do Curso Estadual de Formação Política em Comunicação Popular, da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado da Bahia (Fetag-BA), Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB nacional e dirigente da Fetag-BA, reafirma a importância da comunicação.

    “Este curso tem se mostrado muito importante para mostrar que a comunicação popular é fundamental para unir a classe trabalhadora e vencer a crise pela qual o país passa com o projeto neoliberal do governo golpista aprofundando as desigualdades", ressalta Vânia.

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    Fetag-BA realiza curso inédito sobre comunicação popular, em Salvador

    De acordo com a sindicalista baiana, participaram do curso, que teve início na quarta-feira (8), cinqüenta pessoas, entre lideranças e dirigentes sindicais e educadoras e educadores populares.

    “Certamente saímos deste curso com uma visão ampliada da necessidade de se construir uma comunicação que se contraponha à mídia burguesa”, diz João da Cruz, presidente recém eleito da Fetag-BA.

    Vânia conta que o curso se tornou realidade graças ao empenho de educadoras e educadores da rede da Escola Nacional de Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Além do apoio e participação de Amarildo Carvalho, Rosely Arantes, Juliana Barreto, Alexandre Santana, Inalba Fontenele, Lucimara Cruz e Altamiro Borges.

    fetag ba curso comunicacao popular

    Para Borges, presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, “a nossa única chance de reverter o cenário adverso é o grupo progressista ganhar as eleições e sabiamente realizar um plebiscito revogatório dos projetos aprovados no período de golpe”. A começar pela reforma trabalhista, a Emenda Constitucional 95 e a reforma do ensino médio.

    Já Vânia reforça a necessidade de unidade das forças democráticas e populares para derrotar o golpe. “Precisamos caminhar de mãos dadas contra o inimigo comum que é o capital predador”, diz. “Eleger pessoas comprometidas com as nossas causas é primordial”, complementa.

    Ela explica que “esse curso assim como o de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, que foi realizado também nesta semana, demarca a força que o campo produz politicamente e a necessidade da ampliação de ações como essas para a valorização do nosso trabalho e a defesa da reforma agrária”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações da Fetag-BA. Fotos: Flora Brioschi

  • “É uma lei importante porque reconhece e dá tratamento diferenciado para os produtos artesanais, apesar de a redação não ter saído ideal. A aprovação dessa lei traz boas perspectivas para a aprovação de outras que tratam dos produtos artesanais de origem animal”, avalia o secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antoninho Rovaris.

    Segundo o dirigente, cada vez mais está se conseguindo avançar na aprovação de legislação para reconhecer e dar tratamento diferenciado para a identificação dos produtos da agroindústria artesanal, também conhecidas como caseira e colonial, tanto no aspecto do registro, regularização e fiscalização. “Com legislação própria, conseguimos simplificar e dar um tratamento diferenciado na questão da estrutura física e equipamentos exigidos, por exemplo, sem prejudicar a qualidade e sanidade dos produtos. Essas questões, normalmente, são as que mais inviabilizam a produção artesanal de uma grande parte da agricultura familiar”, explica Rovaris.

    Apesar de a aprovação da lei ser positiva, a Contag levanta alguns pontos negativos da redação. “Foram vetados alguns artigos e parágrafos e colocaram algumas exigências que nos preocupa. Agora passarão a exigir que o produto artesanal seja identificado pelo número da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Para nós, o ideal seria pelo CPF, pois a DAP precisa ser atualizada a cada dois anos e número sempre muda. Esperamos que, assim que o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) for regulamentado, esse problema seja resolvido. Pois, da forma atual, os agricultores e agricultoras familiares precisarão mudar o rótulo nesse período curto de tempo”, pontua o secretário.

    Outro ponto negativo é a exigência de o estabelecimento estar localizado em área rural, pois existem casos de agricultores(as) processarem seus produtos em área urbana, principalmente em pequenos municípios; bem como a exigência que a matéria-prima seja produzida exclusivamente de produção própria da unidade familiar.

    No entanto, para o dirigente, a aprovação desta lei traz boas perspectivas. “Agora vamos intensificar a luta para aprovar o PLC 16/2018, que está tramitando no Senado e que dispõe sobre a produção artesanal de origem animal de uma forma geral. Deverão ser apresentadas propostas de emenda para melhorar o projeto de lei em tramitação. Também estamos travando uma batalha para regulamentar alguns produtos específicos, como a produção de queijos artesanais, pois vários estados já estão reconhecendo este tipo de produção”, ressalta Rovaris.

    Fonte: Contag, por Verônica Tozzi. Foto: Luciana Machado

  • Em reunião nesta quarta (23), na sede da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da Bahia (Fetag-BA), os presidentes da CTB Nacional, Fetag/BA e Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura (Contag), Adilson Araújo, João da Cruz e Aristides Santos, respectivamente, debateram a conjuntura política, os primeiros 23 de dias do novo governo e reafirmaram a agenda de mobilização total contra a ameaça de Reforma da Previdência. 

    Ainda foi tema da reunião, os desafios do sindicalismo rural, a luta pelo fortalecimento da agricultura familiar, a luta pela reforma agrária e valorização dos assalariados rurais.

    Também estavam presentes na reunião, o presidente da CTB Bahia, Pascoal Carneiro; o vice-presidente da Fetag Bahia, David Wilkerson Rodrigues de Souza; e o Secretário dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares da Terceira Idade, José Antônio da Silva, o Zé de Doutor.

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    Os dirigentes indicaram a organização da luta em defesa dos direitos e a resistencia contra o desmonte da Previdência Pública, contra os ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurai.

    Portal CTB

  • A capital brasileira, Brasília, entre os dias 12 a 15 de junho, comemora a realização do Encontro Nacional pelos 20 anos da Educação do Campo e do Pronera. O evento acontece na Universidade de Brasília (UnB) e é coordenado pelo Fórum Nacional de Educação do Campo (Fonec), e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), conta ainda com a participação de universidades e movimentos relacionados ao campo de todo o país. Os jovens trabalhadores(as) rurais da Fetaemg, por meio dos coordenadores regionais, Josicleia Vieira (Cleinha) e Maicon Vicente, representam a Agricultura Familiar mineira.

    É importante salientar que juntamente com a criação do PRONERA, em 1998, é criada também a Rede Mineira de Educação do Campo, cuja coordenação atualmente é feita pela FETAEMG. E, sob o tema “Educação é Direito, e não mercadoria”, os participantes reafirmam que a política pública de Educação do Campo é direito adquirida, essa posição é em resposta ao corte orçamentário de R$1.800.000,00 que impacta o PRONERA e a Bolsa Permanência para indígenas e quilombolas.

    O encontro nos possibilita avaliar aquilo que erramos na nossa trajetória até aqui, nas nossas regiões de origem, e como podemos melhorar para que tenhamos um futuro melhor, com base nas experiências vividas e compartilhadas”, pontuou Josicléia.

    A Federação é consciente quanto a importância desse encontro e das repercussões a partir deste, sobretudo, nos municípios. Os cursos implementados pelo PRONERA, em parceria com a Fetaemg e STTR’s, retiraram da invisibilidade muitos trabalhadores e trabalhadoras rurais, jovens, adultos e idosos, pois, com o direito à educação vieram outros direitos. Por isso, não lutamos de forma isolada, sabemos que a educação perpassa todos os demais direitos.

    E assim, temos feito. Este ano, por exemplo, a Fetaemg já realizou encontros por todo estado de Minas Gerais, com o objetivo de fortalecer a estrutura sindical e toda a categoria. Isso só se tornou possível, pelo fato dessas ações serem realizadas de forma conjunta: lideranças e dirigentes, homens e mulheres que fazem a diferença junto a sua base de atuação.  

    Este encontro marca um novo tempo para a Educação do Campo, para o país e para a democracia.  Não podemos esquecer o acúmulo e as conquistas advindas com esses 20 anos de história, contudo, é necessário considerar e refletir quais rumos terá a política de Educação do Campo a partir do cenário político de 2019.

    Programação 

    O conteúdo do Encontro está direcionado para avaliação crítica sobre as duas décadas de execução das políticas públicas existentes. Mesas de debate, grupos de trabalho, plenária de estudantes e um ato político na audiência pública no Congresso Nacional estão previstos para acontecer. 

    Fetaemg

  • A direção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) realizou nesta quarta-feira (13) o tradicional balanço de final de ano com a imprensa em sua sede, em Porto Alegre. O presidente da federação, Carlos Joel da Silva, disse que 2017 foi um ano de dificuldades para a agricultura familiar gaúcha, pois os custos de produção subiram, enquanto os preços despencaram e a rentabilidade reduziu cerca de 27%. Somam-se a isso, as políticas públicas do governo federal que foram reduzidas. Esse paralelo deixa claro que a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) ocasionou a perda de força do setor. "Um balanço negativo para a agricultura familiar", justificou.

    Entre as bandeiras para 2018, Joel destacou a necessidade de melhorar a renda do produtor; retomar as políticas públicas que foram reduzidas; e, acima de tudo, que o governo dê uma atenção melhor ao agricultor familiar. "O setor público está devendo aos agricultores e pecuaristas familiares. Estamos cobrando dos governos que façam sua parte, que é controlar custos e estoques reguladores para equilibrar oferta e produção. Que o agricultor seja remunerado adequadamente e que o consumidor não pague em demasia pelo produto final. Esse é um desafio para nós enquanto Fetag-RS, bem como dos governos", observou.

    A Previdência Social representa para o trabalhador rural o futuro, definiu Joel neste momento de grandes incertezas diante de uma reforma previdenciária que poderá prejudicar os rurais. Diante deste contexto, o dirigente disse que a Fetag-RS espera um olhar específico para a categoria, que já trabalha mais de 40 anos para obter a aposentadoria de apenas um salário mínimo. "Esperamos que o governo corte privilégios de quem têm, mas parece que não é isso o que vai ocorrer. A reforma é necessária, mas que não seja feita em cima do trabalhador, seja ele rural ou urbano. E eu não acredito que os deputados ficarão indiferentes aos trabalhadores brasileiros e que eles tenham bom senso e não aprovem a reforma da forma como está posta", defendeu.

    Em relação a perspectivas para 2018, Joel acredita que elas poderão ser boas. "Chegamos ao fundo do poço e agora é a hora da virada. Para tanto, temos que lutar pela manutenção da Previdência Social, otimizar o custo de produção com seu preço final, com a participação do governo nesta questão e uma forte discussão com a sociedade sobre o que ela espera dos agricultores e vice-versa. Um não vive sem o outro. O cidadão urbano precisa conhecer qual o trabalho do agricultor, o qual necessita de remuneração. O consumidor reclama quando o leite sobe, mas não se importa quando o refrigerante ou a cerveja têm seus preços majorados. Então, a perspectiva é fazer esse debate no ano que vem, quando a Fetag-RS comemorará os seus 55 anos de fundação", concluiu.

    Fonte: Fetag-RS

  • Teve início nesta quinta (13) o Seminário de Pecuária Familiar, em Arroio Grande, Rio Grande do Sul. O evento é promovido pela  Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) em parcerias com a Seapi, Senar e Emater-Ascar.

    O evento está direcionado a pecuaristas familiares e lideranças dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, além de convidados.

    Para o vice-presidente e diretor de Política Agrícola e Meio Ambiente da FETAG, Nestor Bonfanti, o seminário tem por finalidade incentivar e trazer conhecimento a pecuaristas familiares, sendo que a programação contempla mais de 12 palestrantes. “Ao final, daremos os devidos encaminhamentos para dar o próximo passo, trazendo qualidade e fomento para as propriedades”, justifica.

    Fonte: Fetag-RS

  • O Cadastro de Atividade Econômica de Pessoa Física (CAEPF) têm gerado inúmeras dúvidas por parte dos agricultores familiares, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS), filiada à CTB, preocupada com a aplicabilidade e consequências deste novo cadastro está dialogando diretamente com a Receita Federal para tirar as dúvidas e buscar esclarecimentos. 

    Nestor Bonfanti, vice-presidente da FETAG-RS, diz que a federação está em constante contato com a Receita Federal para nivelar informações. Reitera que a federação em hipótese alguma permitirá que os agricultores sejam prejudicados neste processo. “Precisamos parar de inventar cadastros para os agricultores familiares. Nossos agricultores estão cansados de tanta burocracia. Só queremos produzir alimentos para a sociedade” afirma Nestor. 

    Cadastro Específico Indivudual

    O CAEPF substituirá a atual matrícula do Cadastro Especifico Individual – CEI, equiparado ao CNPJ, que atualmente é necessário fazer quando o agricultor comercializa sua produção a diversos consumidores ou de produtor para produtor e a partir daí fazer o recolhimento da Guia da Previdência Social – GPS.

    A IN 1828/2018 da Receita Federal do Brasil declara que a partir de 15 de janeiro de 2019 agricultores necessitarão realizar o CAEPF. Este cadastro poderá ser feito no portal e-CAC da Receita Federal ou pelo E-social.

    Contudo, a FETAG-RS acredita que ainda não é possível a obrigatoriedade desta IN, pois nem mesmo a Recita Federal tem clareza para o preenchimento dos dados. Ainda, a Federação reitera que como o sistema é interligado aos outros cadastros do governo, a exposição de dados é iminente e da forma que o sistema está disposto poderá gerar prejuízos previdenciários aos agricultores em relação a situação de segurado especial.

    A empresa JBS está informando seus produtores que a partir de 15 de Janeiro cobrará de seus integrados a regularização do CAEPF. Desta forma, a FETAG-RS orienta que os Sindicatos façam o cadastro apenas para os agricultores integrados à empresa JBS, pois é a única que está exigindo a regularização. Para os demais produtores, a Federação orienta que aguardem para que sejam esclarecidos alguns pontos.



  • O Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, é uma data que nos leva a refletir sobre o uso, consumo e preservação deste bem tão precioso para a sobrevivência dos povos e de toda a biodiversidade no planeta Terra. A Organização das Nações Unidas (ONU) escolhe um tema a cada ano para fomentar o debate nessa data e, em 2018, é “A natureza pela água”, referindo-se ao uso de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas de gestão dos recursos hídricos.

    Segundo a ONU, o objetivo é pensar em estratégias que foquem na gestão de vegetações, solos, mangues, pântanos, rios e lagos, que podem ser utilizados por suas capacidades naturais para o armazenamento e limpeza da água.

    Atualmente, 1,8 bilhão de pessoas consomem água de fontes que não são protegidas contra a contaminação por fezes humanas. Mais de 80% das águas residuais geradas por atividades do homem — incluindo o esgoto caseiro — são despejadas no meio ambiente sem ser tratadas ou reutilizadas. Até 2050, a população global terá aumentado em 2 bilhões de indivíduos, e a demanda por água poderá crescer até 30%.

    A agricultura patronal, ou seja, o agronegócio é responsável por 70% do consumo de recursos hídricos — a maior parte vai para a irrigação das plantações; e é seguido pela indústria, que responde por 20% da água utilizada em atividades humanas. O uso doméstico representa apenas 10% do consumo total, e a proporção de água potável que é bebida pela população equivale a menos de 1%.

    Com as transformações do clima e a manutenção de padrões insustentáveis de produção de commodities por parte do Agronegócio para a exportação, a poluição e a desigualdade na distribuição e acesso vão se agravar, bem como os desastres associados à gestão da água.

    É nesse sentido que a agricultura familiar vem aprofundando o debate e a proposição de políticas públicas que visem o uso racional da água na produção de alimentos, com a inserção de novas tecnologias e práticas sustentáveis, como é o exemplo do gotejamento, do aproveitamento das águas das chuvas, a diversificação de culturas como forma de evitar a erosão do solo, entre outras medidas incentivadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), federações e sindicatos e já trabalhadas por milhares de agricultores e agricultoras familiares brasileiros.

    Muitas dessas experiências estão sendo apresentadas no Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama), realizado de 17 a 22 de março, em Brasília, bem como está sendo aprofundado o debate sobre os impactos com uma possível privatização da água. A Contag está com uma grande delegação participando do evento, aproximadamente 300 pessoas de todo as regiões brasileiras.

    Infelizmente, não é somente o risco à privatização da água que preocupa os agricultores e agricultoras familiares. Segundo o secretário de Meio Ambiente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Estado do Maranhão (Fetaema), Antonio Sorriso, o avanço do agronegócio e de outros projetos em diversas regiões no Maranhão ameaça a sobrevivência da agricultura familiar com a restrição do acesso à água. “No Maranhão, um dos problemas que enfrentamos é o avanço do Matopiba. Quanto mais avança o projeto do agronegócio, mais dificulta o acesso à água pelos agricultores e agricultoras familiares. Na região de Alto Turi, o problema é gerado pela mineração, pois os garimpos ficam próximos às áreas de assentamento; já na região do Baixo Parnaíba temos o avanço do eucalipto; e na Baixada Maranhense, por motivo de criação de búfalos na região, os lagos e rios estão desaparecendo, sem contar no desmatamento na margem dos rios. Todos esses fatos vem causando transtornos no Maranhão e o Fama vem como uma esperança sim, pois nos traz grandes diálogos e conhecimento para levarmos para a base para que todos os problemas sejam resolvidos”, relata o dirigente do Maranhão.

    Vários municípios do Espírito Santo também sofrem com a falta de água em períodos de seca que se repetem ao longo dos anos. O agricultor familiar de Cachoeiro do Itapemirim (ES), Gilmar Araújo, disse o mau uso do solo na sua região acarretou em uma seca severa e em mudanças climáticas que estão impactando cada vez mais. “Em Cachoeiro do Itapemirim tivemos o apoio da prefeitura para o transporte da água até as propriedades e até as casas nas comunidades rurais. O gado ficou praticamente sem água. Estamos pensando em algo mais forte, um projeto maior de recuperação das nascentes. O Fama é tudo o que a gente esperava. Nós temos que multiplicar esses momentos e dar uma resposta de toda a agricultura familiar do País. Somos formadores de opinião, somos produtores de alimentos saudáveis, com produção limpa. Então, merecemos por parte do governo toda a atenção possível”, destaca o agricultor familiar capixaba.

    No entanto, muitos problemas com acesso à água também são causados por crimes ambientais, como é o que vem ocorrendo no Pará com a poluição das suas águas. O caso mais recente aconteceu em Barcarena (PA), em meados de fevereiro desse ano, quando a refinaria da Hydro Alunorte despejou material tóxico em uma região de floresta, contaminando as águas e o solo. A agricultora familiar Fátima Dias vive na região e sente na pele os efeitos desse e de outros crimes ambientais. “O vazamento de rejeitos no rio em Barcarena foi mais um crime ambiental. É porque esse ganhou grande repercussão na mídia. Mas já tivemos 15 vazamentos anteriores também com materiais tóxicos. Então, estamos naquele polo industrial sofrendo. A nossa agricultura familiar da região está praticamente acabando, porque não tem como trabalhar uma terra se o solo está todo contaminado. Nós dependemos da água para tudo. Hoje não vemos solução, pois as indústrias chegaram e se instalaram na região e nós somos tratados como intrusos, mas na verdade somos naturais dessa terra. Além disso, estamos sofrendo com ameaças por parte do grande capital que se instalou na nossa terra e com o grande número de pessoas com câncer, com problemas de pele e outras doenças”, denuncia a agricultora familiar paraense.

    Segundo a secretária de Meio Ambiente, o Fama tornou-se uma junção e a unidade de todos os povos. “Estamos na luta pela água para que ela seja livre, para que seja dos povos, para que seja de todos e de todas, para que a gente possa produzir e continuar alimentando o nosso País de forma sustentável e igualitária para todos. Estamos unindo nesse momento o campo e a cidade para que a gente discuta com responsabilidade a questão da água. A água representa tudo, e a vida principalmente, porque sem água não podemos produzir”, destaca Rose, que completa: “A agricultura familiar não é só protetora do meio ambiente, como é a guardiã das águas também. Se não tivermos água para produzir, não conseguiremos alimentar o nosso País. Não aceitamos a privatização da água. Água é um direito, não mercadoria!”, defende a dirigente da Contag.

    Verônica Tozzi - Contag

  • É consenso entre as centrais sindicais de que o projeto de reforma da Previdência do governo federal retira direitos da classe trabalhadora. Agora, em relação às mulheres a situação fica ainda pior, de acordo com as sindicalistas da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “Começa com a irresponsabilidade de se igualar a idade mínima para a aposentadoria aos 65 anos. Ignoram que as mulheres, além de estar no mercado de trabalho, têm que cuidar da casa e dos filhos”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Pela lei atual, as mulheres se aposentam com 55 anos de idade e 30 anos de contribuição, ou seja, terão que trabalhar ao menos 10 anos mais. “É terrível porque começamos a trabalhar mais cedo, já que a nossa educação machista exige tarefas domésticas das meninas muito cedo”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ.

    Existe inclusive uma regra de transição para as mulheres acima de 45 anos, pela qual ela é obrigada a trabalhar a metade a mais do tempo que lhe falta para aposentar. Assim: se faltar 2 anos, terá que trabalhar 3 anos. No caso dos homens a idade é acima dos 50 anos, com a mesma regra.

    Branco explica também que as mulheres são as mais prejudicadas na mudança sobre a pensão por morte. Porque a reforma pretende reduzir pela metade as pensões pagas às viúvas, acrescendo 10% por dependente com menos de 18 anos, que perde o benefício ao completar a maioridade.

    Reforma da previdencia e mais um capitulo da triste saga da trabalhadora brasileira 2

    Já Sandreia Barroso de Carvalho Lima, secretária da CTB-PI, lembra que a mulher sofre discriminação no mercado de trabalho, sendo “as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem contratadas” e por isso, “ficam mais tempo sem contribuir, atrasando a aposentadoria”.

    Pereira acrescenta ainda que às mulheres são destinadas as “atribuições mais pesadas e que exigem atenção redobrada”. Ela cita o trabalho doméstico, da saúde e da educação. “As professoras, por exemplo, são as maiores prejudicadas”, diz. “Perdem a aposentadoria especial de 25 anos, acrescendo ainda mais anos de labuta nessa profissão extremamente desgastante”.

    Lenir Piloneto Fanton, secretária da Mulher da CTB-RS, conta que na década de 1980, “juntamente com os homens, exigimos a homologação da Constituição Federal a idade de 55 anos como mínima para as mulheres, então aumentar 10 anos é um verdadeiro desrespeito”.

    De acordo com Fanton, para as trabalhadoras rurais a reforma é ainda mais prejudicial. Isso porque “no campo, começamos a trabalhar muito cedo. Temos uma tarefa extenuante, além dos afazeres domésticos e trabalhamos na roça de sol a sol”.

    Portanto, diz ela, “ter o direito à aposentadoria somente aos 65 anos nos torna praticamente escravas em pleno século 21. Esse governo não conhece a realidade da agricultura familiar que é responsável por 70% da produção de alimentos no país”.

    Além de todas essas questões, Pereira afirma que são as mulheres mais pobres as que mais sofrem, porque “trabalham em situações extremamente precárias, moram longe e ganham os menores salários”.

    “Igualar a idade mínima entre homens e mulheres para a aposentadoria é uma crueldade e aumenta a desigualdade entre os gêneros no país”, conclui Branco.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Fotos: Justificando

  • A Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar (FETAGRI-RJ) ocupou, no dia 30 de dezembro, desde às 21 horas, a Fazenda Santa Maria, localizada no Município de Silva Jardim, mais especificamente no bairro Bananeiras. A ocupação visa assentar famílias de agricultores e ocorre em virtude de se tratar de uma área improdutiva e sem documentação. O Presidente da FETAGRI-RJ, Oto dos Santos, defende a ocupação:

    “A ocupação da Fazenda Santa Maria é um movimento legítimo pois se trata de uma propriedade que, além de estar improdutiva e sem toda sua documentação, tem como proprietário um grileiro que expulsou daqui diversas famílias, algumas destas, inclusive, participantes dessa ocupação conosco.”

    A ocupação já dura uma semana e a CTB-RJ manifestou seu apoio ao movimento através do Presidente Ronaldo Leite, que afirmou:

    “Essa ocupação é mais uma luta dos trabalhadores rurais na qual a CTB se faz presente. Estamos apoiando o movimento dos agricultores e incentivamos toda nossa base social a ajudar a manutenção dessa importante ocupação com as doações que forem possíveis de serem feitas.”

    A Ocupação da Fazenda Santa Maria se mantém firme contra os interesses dos grandes proprietários e grileiros, mas precisa da solidariedade militante de todos, estando aberta para receber doações de alimentos e materiais de higiene. Atualmente, mais de 80 famílias se encontram presentes na ocupação e a tendência é que o movimento só cresça. A luta dos agricultores familiares do Rio de Janeiro está só começando e a CTB-RJ está ao lado deles!

    Da CTB-RJ