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Dom, Maio

Brasil de Fato

  • Arte do grafiteiro paulistano Paulo Ito (Foto: André Penner/AP)

    "Vi ontem um bicho
    Na imundície do pátio
    Catando comida entre os detritos.

    Quando achava alguma coisa,
    Não examinava nem cheirava:
    Engolia com voracidade.

    O bicho não era um cão,
    Não era um gato,
    Não era um rato.

    O bicho, meu Deus, era um homem".

                (O Bicho, de Manuel Bandeira)

    O jornal britânico The Guardian (leia matéria original aqui) mostra, nesta quarta-feira (19), os efeitos perversos da política de contenção de gastos do governo Michel Temer. “O Brasil caiu em sua pior recessão em décadas, com 14 milhões de pessoas desempregadas”, reforça a reportagem.

    Aliado ao aumento do desemprego, Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que “o arrocho salarial e os cortes em investimentos de programas sociais alimentam a crise e o consequente aumento da pobreza, num país que avançava celeremente no combate à miséria”.

    O economista Francisco Menezes diz ao jornal britânico que "o Brasil voltará ao mapa de fome", se o governo insistir nesse rumo de congelamento de investimentos no setor público e em programas sociais.

    Em 2014, o Brasil saiu do mapa da fome. “Isso só aconteceu porque tivemos dois governos voltados para o crescimento da economia”, acentua Santana. “Agora acontece o inverso, o que só faz agravar a crise, o desemprego, a recessão".

    De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pobreza absoluta no Brasil caiu de 25% em 2004 para 8% em 2014, mas já no ano seguinte aumentou para 11% e se agrava ainda mais com as medidas tomadas pelo governo Temer.

    O relator especial sobre pobreza extrema e direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Philip Alston, criticou em matéria do The Guardian, a Proposta de Emenda à Constituição 55 (PEC 55), recentemente aprovada no Congresso Nacional. Santana critica também a reforma trabalhista, jpá sancionada por Temer, a reforma da previdência em tramitação no Congresso e a tercriização ilimitada, já aprovada.

    "A crise só pode se acentuar dessa maneira. O governo ilegítimo acaba com os direittos da classe trabalhadora, corta investimentos nos setores sociais e nos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família e ainda acabaou com a Política de Valorização do Salário Mínimo. Isso só faz piorar", afirma Santana.

    "É completamente inadequado congelar apenas despesas sociais e amarrar as mãos de todos os futuros governos por mais duas décadas”, argumenta Alston. O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo também critica o projeto do governo que assumiu em 2016 após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

    Ele diz ao Brasil de Fato que os projetos neoliberais só farão agravar a crise. "É como se o motor do carro começasse a pifar no meio da estrada, e o motorista quisesse consertar a lataria".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A concentração do Ato em solidariedade às refugiadas e refugiados venezuelanos, ocorre no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, em São Paulo, às 16h. A manifestação tem motivação nos acontecimentos de Pacaraima, em Roraima, onde brasileiros atacaram acampamentos de venezuelanos, armados de pedras, paus e bombas caseiras, no domingo (19).

    “Nós, imigrantes e refugiadas moradoras de São Paulo, convocamos a todas e todos os ativistas, coletivos e simpatizantes da causa migratória a se manifestarem contra os atos de xenofobia e violência ocorridos no município de Pacaraima, estado de Roraima”, diz o texto de apresentação na página do Facebook do evento.

    "Os Estados Unidos fazem uma pressão gigantesca contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, eleito constitucionalmente. A nossa solidariedade é ao povo venezuelano contra a intromissão imperialista e seus aliados", diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

    Conheça a página oficial do evento aqui.

    A psicanalista e socióloga, Ana Gebrim afirma ao Brasil de Fato que “a gente que trabalha em contato direto com o sofrimento das pessoas, com as narrativas dessas pessoas que sofrem perseguição ao redor do globo vê com muita preocupação esse episódio”.

    Porque “a forma como a população tem lidado com essa situação em Roraima é uma espécie de reflexo do que tem acontecido na Europa, no Oriente Médio, em alguns países da África, uma política de total rechaço e total restrição a possibilidade de que as populações mais pobres transitem pelo mundo em busca de melhores condições”.

    Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados há 68,5 milhões de seres humanos nessa situação no mundo. No Brasil, são cerca de 5.300 refugiados e 65 mil pedidos de refúgio, segundo Marcelo Haydu, diretor do Instituto de Reintegração do Refugiado.

    "O Brasil tem larga tradição em receber de braços abertos todos os povos que, por diferentes razões, optam por morar no país", diz Nivaldo Santana, secretário de Relações Internacionais da CTB.

    Por isso, "a nossa central repudia com veemência a violência com que foram tratados alguns imigrantes venezuelanos". Ele explica que CTB "cobra medidas do governo federal no sentido de assegurar os direitos da população do país vizinho que está em nosso território".

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Integrantes do Comitê Brasileiro Pela Paz entregaram ao cônsul adjunto do Consulado da Venezuela em São Paulo, Roberto Torresalba, um manifesto em apoio à Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e pela paz, na manhã desta sexta-feira (4).

    Composto por movimentos populares, partidos e meios de comunicação contra-hegemônicos, o Comitê foi criado na última segunda-feira (31) e defende a democracia e a não-violência. O manifesto foi entregue diretamente ao cônsul venezuelano, que, na ocasião, agradeceu o apoio brasileiro, reafirmando a importância da solidariedade internacional.

    “A solidariedade ao povo venezuelano neste momento de forte agressão do império norte-americano é fundamental para todos os povos da America Latina que sonham com nações autônomas e livres”, afirma Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "Nos últimos meses, semanas e dias, uma parcela da direita tem praticado ações de violência. Tem mais de 100 mortos, entre queimados vivos e ações de caráter fascista, realmente assustadores. Frente a isso a gente convocou muitas organizações brasileiras e pessoas que apoiam a luta antifascista e antiviolência, para defender a paz na Venezuela, para legitimar o processo da constituinte e legitimar o processo defendido pelo governo eleito democraticamente", explica Paola Estrada, da articulação dos movimentos sociais da Alba no Brasil.

    Nunes ressalta a vitória da democracia na eleição da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, no domingo (30). “A vitória das forças populares marcou uma grande derrota ao imperialismo e dá um alento aos movimentos sociais e partidos políticos progressistas”, diz.

    “A CTB defende a unidade latino-americana para derrotar a ingerência imperialista em nações soberanas. Os brasileiros estão sentindo na pele essa intromissão do capital financeiro internacional, as forças estão na resistência e quanto mais solidariedade e unidade tivermos, com mais força poderemos derrotar o grande capital e defender os direitos da classe trabalhadora latino-americana”, acentua Nunes.

    Acesse a integra do manifesto aqui.

    Portal CTB e Brasil de Fato. Foto: Norma Odara

  • Até o sol ameaçou abrir na nublada São Paulo na manhã desta terça-feira (24). A ex-ministra de Políticas para as Mulheres de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, teve seu recurso acatado contra condenação anterior em processo movido pelo ator pornô Alexandre Frota.

    Assista a manifestação em apoio à luta das mulheres contra a violência e a discriminação 

    O julgamento ocorreu no Fórum João Mendes, no centro da capital paulista e o resultado foi muito comemorado por dezenas de manifestantes solidárias à Menicucci. “Foi uma vitória do bom senso”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Entenda o caso

    Mulheres organizam manifesto em apoio à ex-ministra Eleonora Menicucci

    “Aqui vai o meu mais profundo agradecimento a todas as mulheres, de todas as raças, de todas as matrizes religiosas, de todas as idades. Essa vitória é das mulheres brasileiras porque foi com elas que eu aprendi a lutar”, afirmou Menicucci ao sair do tribunal.

    “A CTB apoia a ex-ministra e está na luta contra qualquer disseminação de atos violentos contra as mulheres, inclusive contra insinuações de sexo não consensual em um canal de televisão”, reforça Arêas. “Para nós, Frota é quem deveria estar sendo julgado por suas grosserias contra as mulheres e a população LGBT”.

    Inclusive foi criada a página Somos Todas Eleonorano Facebook em apoio à ex-ministra, de 73 anos. 

    A ex-ministra havia sido condenada no ano passado em primeira instância a indenizar Frota em R$ 10 mil por ter dito que o ator faz apologia ao estupro e criticou o ministro da Educação, Mendonça Filho, por tê-lo recebido em seu gabinete. “Frota não só assumiu ter estuprado uma mulher, mas também faz apologia ao estupro”, disse a ex-ministra à época.

    Frota chegou ao tribunal escoltado por policias militares, discutiu com as manifestantes e tentou agredi-las como mostra o vídeo do Brasil de Fato (veja abaixo). “A que ponto chegamos com esse golpe, uma mulher da envergadura de Menicucci ter que comparecer aos tribunais para responder às acusações de um ator como o Frota. Impensável”, diz Arêas.

    Veja como foi a entrevista que causou a acusação de Menicucci

    Após insinuar sexo não consensual em TV, Alexandre Frota processa ex-ministra de Dilma

    Para a cetebista, “é muito importante a união de todas as brasileiras e brasileiros que sonham com um país mais igual e humano”. Ela critica a decisão da juíza de primeira instância e reafirma a necessidade de o movimento feminista “tomar as ruas para denunciar as constantes violências as quais as mulheres são submetidas" e complementa: "queremos nossos direitos a uma vida digna respeitados”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • De acordo com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a fiscalização de estabelecimentos suspeitos de utilização de mão de obra análoga à escravidão caiu quase 7 vezes nos primeiros seis meses de 2017.

    A média da última década é de 300 inspeções anuais. Neste ano foram fiscalizados apenas 44 estabelecimentos. O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait) mostra que essa queda se deve ao brutal corte do orçamento.

    Segundo informações do Sinait, estavam previstos R$ 3,2 milhões, mas com os cortes foi destinado apenas R$ 1,4 milhão, menos da metade.

    “O corte no orçamento nos colocou num panorama em que, com todas as possibilidades de remanejamento que a secretaria de inspeção do trabalho tem, só se consegue trabalhar até o final do mês que vem", diz Carlos Silva, presidente do Sinait, ao G1.

    Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), responsabiliza o presidente ilegítimo Michel Temer pela degola na fiscalização ao trabalho escravo.

    “É um grave retrocesso nas políticas desenvolvidas nos últimos anos de combate ao trabalho escravo no país, além de ferir a Convenção 81 – sobre a inspeção do trabalho -, da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Precisamos refutar veementemente esse corte orçamentário a uma tarefa tão essencial”, diz. Além do que, o Brasil é signatário da Convenção 81.

    Conheça a Convenção 81, da OIT aqui.

    De acordo com a OIT existem mais de 21 milhões de seres humanos em trabalho análogo à escravidão no mundo, no Brasil mais de 150 mil.

    Frei Xavier Plassat, coordenador da Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo da CPT, afirma ao Brasil de Fato que “para conseguir fazer essas fiscalizações nos anos passados, o grupo móvel central de Brasília foi auxiliado pela contribuição e participação das superintendências regionais do trabalho, aquelas representações do Ministério do Trabalho dos vários estados, e realizava até 60% das fiscalizações, esse ano elas não realizaram nem 30% porque são ainda mais impactadas pelo corte orçamentário”.

    Nunes cita o caso de uma juíza de Santa Catarina que absolveu um fazendeiro que utilizava mão de obra escrava, afirmando que ele estava fazendo um “benefício à sociedade” (leia aqui). Para ele, os impactos desse corte na fiscalização, “possibilitará de uma forma ainda mais abrangente o desrespeito às leis e aos direitos humanos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Brasil 247

     

  • Ao 20º dia em Greve de Fome por Justiça no STF, os sete grevistas – Frei Sérgio Görgen e Rafaela Alves (do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA), Luiz Gonzaga, o Gegê (da Central dos Movimentos Populares – CMP), Jaime Amorim, Zonália Santos e Vilmar Pacífico (do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST), Leonardo Soares (do Levante Popular da Juventude) – se encontram com a saúde bastante fragilizada e passam a fazer uso de camas hospitalares para seu repouso e de cadeiras de rodas nos deslocamentos.

    Entre os grevistas há os que já perderam 10 kg nestes dezenove dias sem se alimentar. A glicemia, que é o açúcar no sangue, tem tido alterações constantes, assim como tem sido frequente quedas da pressão arterial e da temperatura corporal, fatores que tem deixado a Equipe de Saúde da Greve de Fome em alerta permanente.

    "Os sete grevistas estão cada vez mais debilitados, vulneráveis a qualquer tipo de infecção viral ou bacteriana, pois a imunidade em todos eles, está bastante baixa", explica a Médica de Família e Comunidade, Maria da Paz Feitosa Sousa, que integra a equipe de saúde da Greve de Fome. "Devido a estas fragilidades é que os manifestantes passam a fazer uso das cadeiras de rodas e das camas hospitalares", completa a médica.

    Conforme relata o Ronald Wolff, também da equipe que acompanha os grevistas, "a fadiga, cansaço, cefaleia (dores de cabeça) e a perda de peso continuam aumentando. Todos já apresentam quadros de hipotensão que é a diminuição da pressão arterial, e alguns, começam a apresentar sintomas de hipotermia, ou seja, começamos a senti-los mais frios, isso é um forte sinal dos 19 dias sem se alimentar", alerta o médico que está acompanhando a quarta greve de fome em sua carreira profissional.

    A equipe saúde da Greve de Fome por Justiça no STF é composta por profissionais, todos de forma voluntária, da Rede de Médicos e Médicas Populares, fitoterapeutas, psicólogos, massagistas, massoterapeutas, acupunturistas, fisioterapeutas e reikianos.

    Mendes

    Os sete militantes, em greve de fome desde o dia 31 de julho, foram recebidos, na noite da sexta-feira (17), por representantes do gabinete do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Segundo o grevista Jaime Amorim, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o grupo pediu que o ministro mantivesse o posicionamento contrário à prisão após condenação em segunda instância.

    Eles também solicitaram que Mendes ajude a pressionar a presidente do STF, Cármen Lúcia, para colocar em pauta a votação das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs), que questionam a prisão após condenação em segunda instância.

    As ADCs repercutem diretamente no caso do ex-presidente e de outras cerca de 150 mil pessoas que estão presas e aguardam julgamento na terceira instância da Justiça.

    Nos bastidores, há expectativa de que a votação das ações resulte na liberdade de Lula. Jaime Amorim explica que os grevistas se baseiam no Artigo 5º da Constituição Federal, que garante a presunção de inocência do réu até que o processo tenha trânsito em julgado.

    Os sete militantes de movimentos populares que estão em greve de fome desde o dia 31 de julho, em Brasília (DF), foram recebidos, na noite desta sexta-feira (17), por representantes do gabinete do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Segundo o grevista Jaime Amorim, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na ocasião, o grupo pediu que o ministro mantivesse o posicionamento contrário à prisão após condenação em segunda instância.

    Eles também solicitaram que Mendes ajude a pressionar a presidente do STF, Cármen Lúcia, para colocar em pauta a votação das ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs), que questionam a prisão após condenação em segunda instância.

    As ADCs repercutem diretamente no caso do ex-presidente e de outras cerca de 150 mil pessoas que estão presas e aguardam julgamento na terceira instância da Justiça.

    Nos bastidores, há expectativa de que a votação das ações resulte na liberdade de Lula. Jaime Amorim explica que os grevistas se baseiam no Artigo 5º da Constituição Federal, que garante a presunção de inocência do réu até que o processo tenha trânsito em julgado.

    “Não temos pedido nada ilegal, muito pelo contrário. O que estamos pedindo é que se cumpra a Constituição”, afirma.

    O grupo relata ainda ter dito aos representantes de Mendes que o protesto segue por tempo indeterminado. O grevista Vilmar Pacífico, do MST, considera que a audiência no gabinete do ministro representa um avanço nas conquistas do grupo.

    “Eu acho que foi um bom encontro. Valeu a pena todo o nosso esforço de estar aqui até agora”, disse.

    Ministros

    A ida do grupo ao Tribunal faz parte de uma rodada de audiências que vêm sendo solicitadas pelas organizações engajadas no jejum junto a todos os membros da Corte. O objetivo é tratar principalmente da votação das ADCs.

    Os ofícios a cada um dos 11 ministros foram enviados no último dia 7. Até o momento, os militantes obtiveram audiência com o ministro Ricardo Lewandowski e com Cármen Lúcia.

    A colocação dos processos na pauta do plenário da Casa depende da presidente, que recebeu, na última terça-feira (14), o grevista frei Sérgio Gorgën e o ativista argentino Adolfo Esquivel, ganhador do Nobel da Paz em 1980.

    De acordo com Alexandre Conceição, da direção nacional do MST, as organizações seguem articulando o agendamento de audiência com os demais ministros.

    “Há muita expectativa, até porque, diante do processo de 18 dias já de greve de fome, o Supremo começa a enxergar que a coisa é preocupante, inclusive do ponto de vista da saúde dos grevistas”, afirmou o dirigente.

    Fonte: Rede Brasil Atual com reportagens do Sul21 e Brasil de Fato. Foto: Adilvane Spezia

  • Em vídeo gravado pelo Brasil de Fato e pelos Jornalistas Livres, a atriz Letícia Sabatella contou o que aconteceu no caso da agressão da qual foi vítima, na tarde deste domingo (31). Ela disse que mora ali perto e estava indo almoçar para depois ir ao ato “Fora Temer”.

    Sem se abater, Sabatella diz que sentiu “uma falta de argumento, que acabava chegando a um xingamento”, mas, que ela parou ali apenas para conversar com uma senhora que a abordou. “Isso é uma coisa que está fazendo parte do nosso país”, afirma.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que isso aconteceu "em decorrência das posições políticas assumidas por ela". Portanto, "os ataques à atriz acontecem porque essas pessoas acreditam que a mulher não pode opinar sobre política, economia, cultura, enfim, sobre nada que seja relacionado aos interesses da nação".

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    "Infelizmente uma agressão cometida não há como voltar atrás", lamenta Pereira, mas "a CTB repudia toda agressão misógina sofrida por uma mulher". Ela diz que "para essas pessoas, a mulher só presta se for de direita e submissa. Mas isso acontece graças ao golpe desse governo machista, misógino, homofóbico e racista". 

    Já Sabatella afirma que “é uma pena que não dá para conversar com as pessoas”. A atriz conta ainda que a “manifestação deles deve ter sido muito ruim” e, por isso, provavelmente agridem. E a “do ‘Fora Temer' foi muito mais amorosa”.

    A sempre inteligente e politizada Sabatella garante também que “isso está acontecendo com muitas pessoas, com pessoas maravilhosas, que eu estou vendo sofrer este tipo de coisa, ou coisas piores, injustiças mesmo. Como as prisões e mortes de índios Guarani e Kaiowá (leia mais aqui), com os sem-terra”.

    Assista o vídeo com o depoimento de Letícia Sabatella 

    Veja o vídeo da agressão feito pela própria atriz 

    Acompanhe vídeo com Alexandre Frota na manifestação fracassada em defesa golpe na avenida Paulista, em São Paulo, e entenda o clima de ódio, alimentado por quem não tem o que dizer 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Ana Paula Oliveira (centro) e Débora Maria Silva (à direita) na inauguração do Memorial dos Crimes de Maio e do Genocídio Democrático em SP

    Desde 2014, o segundo domingo do mês de maio, data em que se comemora o Dia das Mães, ganhou significado de luta para a carioca Ana Paula Oliveira. Na próxima segunda-feira (14), o assassinato de seu filho, Jonathan de Oliveira Lima, completa quatro anos.

    “É uma data que, infelizmente, o comércio manipula, mas é importante ter um dia especial para celebrar; quando a gente perde um filho, principalmente no mês de maio, fica bastante pesado, difícil de se encarar”, relatou.

    Jonathan foi morto aos 19 anos por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, no Rio de Janeiro (RJ), com um tiro nas costas. A versão oficial é que o rapaz teria trocado tiros com os PMs.

    “Senti como se eles estivessem matando meu filho de novo. Não basta só matar: tem que criminalizar, trocar as versões do que realmente aconteceu. E a gente vê isso, infelizmente, não só no Rio de Janeiro, mas em vários lugares do Brasil”, disse Ana Paula.

    A partir do ocorrido, ela começou uma busca por Justiça pelo assassinato, que ainda não foi julgado. “Quando a gente tem um filho arrastado do nosso convívio, a gente vai sendo levada por busca por justiça; por perpetuar a memória deles. É muito importante que mais pessoas conheçam e tenham entendimento que todos os dias são jovens mortos pelo simples motivo de serem pobres, negros e da periferia”, afirmou.

    Assim como ela, outras mães transformaram em militância a dor da perda prematura e injusta de seus filhos e encontram refúgio na empatia de uma rede de mulheres por todo o país.

    Se antes não compreendiam o funcionamento do Poder Judiciário, elas passaram a frequentar audiências no Ministério Público; se achavam que não compreendiam nada sobre política, hoje encabeçam manifestações e discursam em microfones nas ruas. É o que conta Rute Fiúza.

    Rute é mãe do adolescente Davi Fiúza, que sumiu após uma ação da Polícia Militar da Bahia no bairro de São Cristóvão, em Salvador, em outubro de 2014. Ele tinha 16 anos.

    “Eu estava muito na minha zona de conforto. Eu trabalhava no varejo, do trabalho para a casa. Mas eu via o que acontecia, eu me sensibilizava. Mas aí é diferente quando ocorre com a gente”, disse em entrevista ao Brasil de Fato.

    “Até então, eu não entendia nada, não sabia como funcionava nada. Inclusive, eu achava que eu era uma pessoa muito frágil. Eu não sabia que eu era tão forte. O desaparecimento dele me despertou.”

    Era das chacinas

    Uma das articulações mais conhecidas no Brasil é o Movimento Mães de Maio, de familiares das vítimas de ataques, envolvendo forças do Estado. A série de assassinatos vitimou mais de 500 pessoas em menos de dez dias em 2006. Eles ocorreram em uma suposta represália à ofensiva do Primeiro Comando da Capital (PCC) após a transferência de seus líderes

    Hoje, mais do que a busca por justiça aos próprios filhos, o movimento ampliou para a denúncia e o combate aos crimes do Estado ocorridos durante o período democrático, a “Era das Chacinas”.

    Débora Maria da Silva é uma das fundadoras do movimento. Ela chegou a ser hospitalizada após a morte de Edson Rogério da Silva. O rapaz, que trabalhava como gari, foi assassinado aos 29 anos no dia 15 de maio de 2006, depois de uma abordagem policial.

    “Quando meu menino morreu, a gente viu uma conexão, pela mídia, dos crimes. Uma semelhança muito contundente: encapuzados, que vinham de moto com garupa. Todos os crimes foram quase na mesma pegada”, lembrou.

    Na baixada santista, litoral de São Paulo, Débora foi atrás de familiares de outras vítimas e se articularam para denunciar os abusos da Polícia Militar. Passaram a ir aos órgãos públicos, como a Ouvidoria da Polícia MIlitar de São Paulo e o Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe), na capital paulista.

    “Eu nunca tinha subido para São Paulo. Eu era uma dona de casa que tinha aprendido só a cuidar dos meus filhos. Mas eu aceitei o desafio e vim”, disse.

    Foi em uma reunião no Condepe que Débora conheceu a jornalista Rose Nogueira, autora do livro Crimes de Maio. Rose apresentou à ela a obra e também a luta das Madres de Plaza de Mayo, que denunciam os desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina.

    “Eu não conseguia ler o livro. Eu não queria encontrar o nome do meu filho ali, eu não aceitava. Mas eu olhava assim no vagão e fechava. Eu passei quase três meses para abrir o livro e achar o nome do meu filho. Ali eu vi o tamanho dessa luta. E depois eu fui pesquisar as Madres [da Plaza de Mayo] a fundo.”

    Outro exemplo de luta para elas foram as Mães de Acari, que se organizaram nos anos 1990 após a chacina em Magé, estado do Rio de Janeiro, que matou 11 jovens.

    Hoje, Débora viaja o Brasil e o mundo para trocar experiências com mulheres que passaram pela mesma perda. Ela também é integrante de um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que investiga os crimes de maio de 2006 no estado. Para Débora, a denúncia da truculência policial e do genocídio da população negra é uma missão deixada por seu filho.

    Encontro nacional

    Para trocar experiências e propor ações em âmbito nacional, as mães realizam em Salvador (BA), na próxima quarta-feira (16), III Encontro da Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado.

    Ouça a composição "Chapa" (Emicida e Xuxa Levy) 

    A novidade deste ano é o caráter internacional: integrantes de coletivos dos EUA, da Colômbia e da Palestina terão representantes no evento.

    As primeiras edições do encontro ocorreram em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. Para Rute Fiúza, que vive na capital baiana, levar o evento ao Nordeste amplia o debate para outras regiões do país.

    “Esse encontro, na verdade, é para que se dê visibilidade ao que acontece também fora do eixo Rio-São Paulo. Aqui também tem chacinas e mortos pelo Estado todos os dias”, disse.

    Em Fortaleza (CE), por exemplo, um toque de recolher imposto pela PM no bairro do Curió, em 2015, mudou a vida da cuidadora de idosos Edna Carla. Seu filho, o estudante Álef Cavalcante, de 17 anos, estava na rua com amigos e foi executado no que se tornou conhecido como a Chacina do Curió.

    “Eu não fui para luta logo. Passei três meses sem fazer nada. Eu só chorava e lamentava”, relatou.

    Álef sonhava em entrar no Exército e ser militar, como o avô. “Em nosso estado, em nosso país, temos várias mães órfãs. Você sabe que naquele dia das mães seu filho não vai chegar para dizer 'Mãe, eu te amo'. Essa mãe vai fechar a porta e ele não vai entrar. É uma luta muita grande.”

    Nóis por nóis

    Para Ana Paula Oliveira, o apoio das mães é o fortalecimento que elas encontram em si mesmas. “Estampar a foto dos nossos filhos no nosso peito e busca justiça pela memória deles e pela verdade dos fatos é uma forma da gente continuar exercendo nossa maternidade. Quando tenho a oportunidade de estar com outras mães, dizer que nossa luta vem dando resultado”, declarou.

    No caso de seu filho, depois de um ano, um dos policiais envolvidos no caso foi afastado de Manguinhos, local onde ela ainda vive.

    As mulheres relatam que a rede também é importante psicologicamente, já que a luta para comprovar a inocência de seus filhos pode ser árdua e extenuante, como afirma Rute Fiúza.

    “Eu tive síndrome do pânico. Antes eu achava que essas coisas eram pura frescura, na minha ignorância. Hoje eu sou prova viva e eu luto constantemente contra a depressão”, relatou.

    No dia 3 de maio, Vera Lúcia Gonzaga, outra fundadora do Movimento Mães de Maio, faleceu. Ela foi encontrada morta em sua casa, na periferia de Santos, litoral paulista. Vera perdeu seu genro, Eddie Joey Oliveira, e sua filha, Ana Paula Gongaza dos Santos, que estava grávida de nove meses, durante os crimes de maio de 2006.

    Sua morte é vista no movimento como mais uma consequência dos crimes de maio de 2006, afirma Débora Silva. “A morte da Vera abre um leque para mostrar que não são só nossos filhos que estão morrendo. As doenças oportunistas, o câncer estão acabando com essas mulheres; com seus órgãos reprodutores. Ela foi vítima de um sistema perverso”.

    Fonte: Brasil de Fato