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Sáb, Jul

crise

  • O país padece na crise, a economia vai de mal a pior, o desemprego castiga mais de duas dezenas de milhões, a indústria está estagnada e a renda dos mais pobres continua crescendo que nem rabo de cavalo. Mas os banqueiros não só estão à margem da crise, como dela extraem inacreditáveis vantagens. O Itaú obteve no ano passado R$ 25 bilhões de lucro líquido, o maior da história dos bancos brasileiros, segundo a Economatica.

    O resultado de 2018 representou um crescimento de 4,2% na comparação com o lucro do ano anterior, enquanto a economia como um todo patinava com vários setores e segmentos mergulhados na crise. O lucro de R$ 6,206 bilhões no 4º trimestre também foi recorde para um último trimestre do ano.

    A marca recorde anterior havia sido registrada pelo próprio Itaú, em 2017, quando o banco teve um lucro líquido de R$ 23,965 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado chegou a 21,9% no ano passado, com avanço de 0,1 ponto porcentual ante 2017. No último trimestre, o retorno foi de 21,8%.

    O Itaú é atualmente a segunda maior empresa em valor de mercado da B3. No fechamento da véspera, a companhia estava avaliada em R$ 354,7 bilhões, atrás somente da Petrobras, com valor de mercado de R$ 371,7 bilhões. Nesta terça-feira, as ações do Itaú Unibanco eram negociadas em queda de mais de 2%, após o banco ter anunciado metas mais contidas que o esperado para 2019. A instituição financeira prevê que a carteira de crédito cresça entre 8 % e 11% em 2019, mais que a expansão de 6,1% observada em 2018, mas abaixo das projeções de concorrentes, segundo a agência Reuters.

    Agiotagem

    O desempenho dos outros bancos também não deixou a desejar, como se pode concluir pelos dois outros maiores bancos privados do país, Bradesco e Santander, que também já divulgaram seus resultados consolidados de 2018.

    O Bradesco registrou um lucro líquido contábil de R$ 19,085 bilhões no ano passado, o que representa um crescimento de 30,19% na comparação com 2017 (R$ 14,659 bilhões). Já o Santander reportou um lucro de R$ 12,16 bilhões no mesmo período, alta de 52% frente o ano anterior.

    São resultados que destoam do tom dominante da economia brasileira, onde um grande número de empresas enfrenta dificuldade e amarga prejuízos. A agiotagem faz a diferença. Os bancos brasileiros cobram de seus clientes as maiores taxas de juros do mundo, a título de spread (diferença entre o que pagam para captar o dinheiro e a taxa de juros que cobram pelo empréstimo). Os juros altos, que também auferem especulando com a dívida pública, constituem uma forma perversa de redistribuição das riquezas no Brasil, a favor dos credores (ou agiotas) e em detrimento do povo, de outros setores da sociedade e dos reais interesses nacionais.

    Umberto Martins, com informações das agências

  • O golpe que alçou Michel Temer à Presidência gerou resultados desanimadores e catastróficos ao país em diversas áreas. Os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral, do IBGE, demonstram mais um deles: cerca de 1,4 milhão de trabalhadores passaram a engrossar as estatísticas do que receberam menos de um Salário Mínimo (SM) por mês entre o segundo trimestre de 2016 e o terceiro de 2018.

    No estado de São Paulo residem quase metade destes novos sub-remunerados: são 647 mil. Minas Gerais com novos 257 mil trabalhadores neste perfil e Paraná com 103 mil também se destacaram negativamente neste aspecto. Já Maranhão e Alagoas são os destaques dos sete estados que apresentaram retração nestes números, com –156 mil e –69 mil trabalhadores neste perfil, respectivamente. Estes dois últimos, no entanto, também apresentaram grande redução no total de trabalhadores no período (-182 mil e -133 mil, respectivamente), o que mostra outra face negativa das estratégias testadas no mercado de trabalho no período do golpe.

    Na tabela a seguir também pode-se observar o crescimento proporcional do número destes trabalhadores por estado. Desta forma, percebe-se que o estado de São Paulo também apresenta o pior resultado, 32,9% neste curto período, resultado quatro vezes superior à média nacional, de 8,1%.

    Estes resultados expõem a situação de calamidade a qual cada vez mais pessoas estão tendo que se sujeitar no país. Segundo o Dieese, o Salário Mínimo necessário para as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 3.959,98. Mas o governo atual aparenta ter outras prioridades, uma vez que mesmo o aumento do SM estimado por Temer, que iria a R$ 1.006,00 em 2019, foi reduzido para R$ 998,00 pelo novo governo Bolsonaro.

    Fonte: Fundação Perseu Abramo
  • Que falta emprego para o brasileiro todo mundo sabe. Mesmo assim, o governo nada faz para gerar novos postos e reaquecer a economia. Sem ocupação, o cidadão aceita qualquer tipo de trabalho, mesmo em condições degradantes. 


    Com o intuito de alertar a sociedade sobre a situação, o Ministério Público do Trabalho vai lançar uma lista com nomes de empresas e pessoas físicas já condenadas na Justiça por trabalho análogo à escravidão nos 24 Tribunais Regionais do Trabalho do país.


    A lista suja da SIT (Secretaria de Inspeção do Trabalho), do Ministério da Economia, divulga somente as empresas que foram condenadas administrativamente. Diante do desespero para ganhar qualquer dinheiro para sustentar a família, muita gente acaba não denunciando as práticas exploradoras e gravíssimas.


    Segundo o MPT, entre 2003 e 2018, foram resgatados 45.028 trabalhadores em situação análoga à escravidão no Brasil. Muitas vezes, sem carteira assinada, refeição, água potável, roupa de cama nem abrigo. 


    Crianças e adolescentes também são vítimas. Entre 2014 e 2018, o MPT recebeu 21.551 denúncias. Foram ajuizadas 968 ações e firmados 5.990 termos de ajustamento de conduta.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • A fórmula Alberto Fernández-Cristina Kirchner garante o voto kirchnerista e amplia o espectro de apoiadores

    *Por Mariano Vázquez

    **Tradução de Vinicius Sartorato

    Novamente, a ex-presidenta colocou toda sociedade argentina a falar dela. A natural apatia dos sábados se transformou em um dia de debate político, após o anúncio, por meio de suas redes sociais, de que ela apoiaria Alberto Fernández, seu ex-chefe de gabinete, em uma chapa presidencial que pode por de joelhos Mauricio Macri.

    O eleitorado argentino estava dividido em terços. A saber, o mais fiel, o que segue Cristina Fernández de Kirchner; o que responde a Mauricio Macri; e um terceiro que agrupa a peronistas ortodoxos, a esquerda tradicional, independentes e setores instáveis. Com essa decisão, Cristina rompe essa tripolaridade, assume que sua figura divide o voto opositor e dá um aceno aos eleitores que não compactuam com ela nem com o atual presidente.

    Com essa decisão acabam as especulações se Cristina seria candidata. A resposta é sim, porém em um lugar impensado. E contra o anúncio clássico da história, a líder decide ocupar o lugar de copiloto e oferece a outro que comande o avião.

    A fórmula Alberto Fernández-Cristina Kirchner garante o voto kirchnerista e, por vez, amplia o espectro de apoiadores. A presença de Alberto Fernández golpeia as candidaturas do independente Roberto Lavagna e de Sergio Massa, peronista e ex-funcionário de Cristina, que seguramente terminará somando-se a esse campo político. Além disso, desafia a Alternativa Federal, o peronismo não-Kirchnerista, e obriga Cambiemos de Mauricio Macri a buscar uma nova estratégia eleitoral.

    Alberto Fernández possui todas as qualidades para afrontar esse caótico momento político: capacidade, pragmatismo, diálogo, relações. Foi chefe de gabinete de ministros (Casa Civil) nos governos de Néstor e Cristina Kirchner. Se distanciou, renunciou a seus cargos, voltou à planície, não deixou de construir e retornou como conselheiro principal de Cristina faz pouco mais de um ano.

    “Não tenho dúvidas, a situação do povo e do país é dramática. Trata-se de governar uma Argentina outra vez em ruínas. Mais que ganhar uma eleição, necessitamos de homens e mulheres que possam governar uma Argentina que se encontra em uma situação pior que em 2001”, disse a ex-presidenta em seu anúncio nas redes sociais.

    Sem dúvidas, Cristina também considerou a raiva por trás do ataque judicial-midiático que Lula e o PT sofreram no Brasil.

    Por último, Cristina Kirchner segue sendo a jogadora principal e dominante da política argentina. Ninguém pode deixar de falar de suas decisões, seja para elogiar ou contestar. Ninguém fica indiferente. É um terremoto.

    *Mariano Vásquez (@marianovazkez) é um jornalista argentino residente em Buenos Aires. Documentarista, possui experiência em temas políticos internacionais e laborais, tendo trabalhado por muitos anos na TV boliviana e em vários meios argentinos.

    **Vinicius Sartorato (@vinisartorato) é jornalista e sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização pela Universidade de Kassel (Alemanha).

    Fonte: Forum

  • O clima de crise e desesperança avança no Brasil junto como desemprego e a precarização dos poucos postos de trabalho abertos pós-reforma trabalhista.

    Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, entre 2016 e 2017, foram encerrados no país mais de 2 milhões de postos de trabalho. O resultado é o maior desde o início da pesquisa em 1976, afirma o Insitituto.

    E fica pior. Ao avaliar o avanço do desemprego e o rebaixamento das vagas criadas, Nota Técnica do Dieese destaca que volume de empregos perdidos não será recuperado tão cedo, com o agravamento da política neoliberal. 

    O Dieese lembra que, sem trabalho formal, o que cresce é a informalidade.

    Dados do IBGE indicam que, hoje, mais de 37 milhões de brasileiros vivam do trabalho informal, com jornadas que muitas vezes ultrapassam 12 horas, para manter o mesmo padrão de vida de quem tem a carteira assinada. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Notícia importante chega da Espanha: foi celebrado um acordo inédito que recoloca o trabalho e a perspectiva social como eixos estruturantes e estratégicos para o desenvolvimento. Comecemos pelo contexto anterior ao acordo (parte 1).

    A Espanha enfrenta, há décadas, graves problemas econômicos que resultaram em recessões e desemprego estrutural. Inúmeras iniciativas flexibilizaram as relações laborais, os direitos sociais e fragilizaram os sindicatos.

    A reforma trabalhista espanhola, que tem sido promovida nas duas últimas décadas, foi revisada e ampliada em 2012, quando a economia do país encarava a segunda recessão em 10 anos. Seguindo o mesmo receituário aplicado desde 2008 para flexibilizar o mercado de trabalho em muitos países, a reforma laboral espanhola tratou de tirar incentivos à criação de postos de trabalho temporários (elevou o custo de indenização de 10 para 12 dias por ano trabalhado); facilitou os procedimentos para demissões, por exemplo, ao diminuir o custo das dispensas (indenização por ano trabalhado caiu de 45 dias para 33); abriu a possibilidade para encurtar a jornada e o salário; alterou o sistema de relações de trabalho, limitando o poder das negociações gerais ou setoriais e favoreceu os acordos por empresa. Em uma economia de câmbio fixo (euro), a reestruturação buscou criar mecanismos para diminuir o custo do trabalho para recuperar a competitividade da economia.

    Os resultados logo apareceram. O desemprego passou de 21% para 27%, motivado pela redução do custo de demissão dos trabalhadores com contratos de prazo indeterminado, com incentivo à rotatividade para diminuir custos trabalhistas. O desemprego foi reduzido e atualmente está em 16%. A flexibilidade criada pela nova legislação acelerou a criação de postos de trabalho, no momento da retomada econômica, predominantemente precários, com contratos de trabalho intermitentes e de jornada parcial, com menores salários e direitos laborais, ocupações temporárias, com prazo determinado ou reduzido.

    A reforma alcançou o objetivou de ampliar o protagonismo do empregador para regular para baixo os custos laborais e os salários. Houve queda dos rendimentos por causa da aplicação dos novos mecanismos e da rotatividade.

    A economia espanhola enfrenta hoje o desafio decorrente dessa política: arrocho salarial e precarização dos empregos reduzem a massa salarial, geram insegurança e enfraquecem a demanda de consumo do mercado interno, geram pobreza e contribuem para o aumento da desigualdade. A economia anda de lado!

    A Espanha, que “inspirou” o projeto de reforma trabalhista brasileira, fez, desde os anos 1980, mais de 50 mudanças nas instituições e na legislação laboral, sempre buscando saídas para a competitividade e o emprego. A experiência mostra que o problema continua, agora com o desemprego crônico e um grande número de trabalhadores temporários ou com jornada parcial, insegurança laboral e fragilidade da demanda internam, por causa dos baixos rendimentos do trabalho.

    Em outubro passado, houve uma guinada política importante na Espanha com o acordo assinado entre o governo e o grupo confederado Unidos/Podemos/En Marea/En Común Podem sobre o orçamento geral do Estado para 2019, que inclui novos compromissos para o desenvolvimento de “um Estado Social”. O conteúdo desse acordo é muito interessante, porque indica uma reversão de parte das reformas acima indicadas. Talvez aponte possibilidades para o futuro brasileiro, que, tomara, seja menos distante. Mostra, com certeza, a importância da engenharia política na construção dos caminhos a percorrer, a relevância do diálogo entre as forças sociais e políticas democráticas e progressistas orientadas para o entendimento em torno de uma estratégia nacional de desenvolvimento.

    *Clemente Ganz Lúcio é Diretor técnico do DIEESE.


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • A Secretaria nacional de Formação e Cultura da CTB realiza no dia 31 de janeiro, das 10h às 17h, no Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, localizado na Rua André Cavalcante, 33 - Lapa,  o curso presencial "Pleno emprego como fundamento da Democracia".

    O curso será ministrado pelo economista e professor José Carlos de Assis e é inteiramente gratuito, tendo como público-alvo os militantes de sindicatos filiados e núcleos da CTB. 

    Inscreva-se aqui!

    "Em tempos bicudos de aumento do desemprego, a compreensão de que ¨sem pleno emprego não há plena democracia¨é fundamental para compreender a centralidade do emprego no processo de desenvolvimetno. No curso, o professor José Carlos de Assis faz uma retrospectiva das principais teorias econômicas sobre a questão do emprego, abordando ainda a dinâmica do desemprego no capitalismo", ressaltou o secretário de Formação da CTB, Ronaldo Leite.

    Acompanhe temas que serão abordados no curso:

    1. A dinâmica do desemprego no capitalismo: descompasso entre produção de bens e produção de máquinas;
    2. Ciclos econômicos (Marx);
    3. Crise Financeira (Minsk);
    4. O exército industrial de reserva (Marx);
    5. Crise social provocada pelo desemprego e crise política: os anos 30;
    6. Política econômica para reverter o desemprego: Keynes;
    7. Financiamento do consumo através do déficit público; essencialidade do déficit em situação de recessão prolongada ou grande depressão;
    8. Interesse financeiro dos banqueiros e financistas em impedir o déficit público ou o aumento da dívida pública: inflação e credibilidade da dívida;
    9. O mantra universal dos neoliberais segundo o qual o Estado não pode, em nenhuma circunstância, inclusive em situação de alto desemprego, gastar mais do que arrecada;
    10. Análise dos argumentos: inflação e credibilidade da dívida.

     

    Biografia

    José Carlos de Assis é jornalista, economista político, professor, autor de mais de 25 livros sobre Economia Política e Filosofia Política.

    Inscreva-se aqui!

    Portal CTB

  • “A melhor forma de resolver o problema da Previdência é gerar empregos. Quanto mais emprego, mais salários, mais contribuições e menos déficit. Na minha época havia superávit”. Este foi o recado sábio, simples e direto do ex-presidente Lula sobre a proposta de reforma da Previdência, enviado via tweet nesta terça-feira (26).

    Lula tem razão. Quanto maior a oferta de emprego formal maior será a contribuição previdenciária dos trabalhadores e trabalhadoras. A crise econômica e o desemprego em massa, decorrentes em larga medida da política neoliberal do governo Temer, que Bolsonaro quer não apenas manter mas aprofundar, reduz sensivelmente a arrecadação do INSS.

    Além da retomada da produção e do emprego, que pressupõem mudanças de vulto na política econômica, é imperioso combater a sonegação sobretudo das grandes empresas, que devem centenas de bilhões à Previdência, não pagam e fica tudo por isto mesmo.

  • Salvo melhor juízo ou novidade que surja ao longo do debate político pós sucessão, 3 elementos ou fenômenos eleitorais contribuíram sobremodo para a vitória do ex-deputado federal Jair Bolsonaro: o “bolsonarismo”, o antipetismo e o desalento político.

    Dragada por profunda crise, que começou com as jornadas de junho/julho de 2013, a sociedade brasileira chegou nas eleições de 2018 moralmente, eticamente, socialmente, politicamente e, sobretudo, economicamente exaurida. O processo eleitoral não produziu nada de novo ou palpável que pudesse apontar caminhos para a solução ou pelo menos, a redução dos graves problemas econômicos e sociais que acometem o País.

    Diante desse quadro, os eleitores foram levados à optar pela volta do PT ou algo, em tese novo, que foi se consolidando como o candidato antipetista ou antilulista visceral — o eleito Jair Bolsonaro (PSL).

    Mas, objetivamente, quem ou o que elegeu aquele que no início do processo eleitoral era o menos provável que chegasse na reta final e vencesse o pleito mais anormal desde a redemocratização, em 1985/1986?

    Talvez 3 elementos centrais tenham sido os responsáveis ou expliquem, em certa medida, a vitória do ex-deputado federal Jair Bolsonaro:

    1) o fenômeno eleitoral apelidado de “bolsonarismo”,

    2) o antipetismo visceral, e

    3) o desalento político.

    Mas antes de entrar neste contencioso, sugiro a leitura atenta no artigo da jornalista Eliane Brum: O homem mediano assume o poder. Neste, o melhor que li até agora sobre o assunto, a repórter, entre outros aspectos enumera o perfil do eleitor que apoiou e votou em Bolsonaro e também destrincha sua psique.

    “Durante as várias fases republicanas do Brasil, a candidatura e os candidatos foram acertos das elites que disputavam o poder — ou resultado de uma disputa entre elas. O mais popular presidente do Brasil do século 20, Getúlio Vargas (1882-1954), que em parte de sua trajetória política foi também um ditador, era um estancieiro, filho da elite gaúcha. Ainda que tenha havido alguns presidentes apenas medianos durante a República, eram por regra homens oriundos de algum tipo de elite e alicerçados por ela.”

    “Lula foi exceção. E Bolsonaro é exceção. Mas representam opostos. Não apenas por um ser de centro esquerda e outro de extrema direita. Mas porque Bolsonaro rompe com a ideia da excepcionalidade. Em vez de votar naquele que reconhecem como detentor de qualidades superiores, que o tornariam apto a governar, quase 58 milhões de brasileiros escolheram um homem parecido com seu tio ou primo. Ou consigo mesmos.”

    “Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família”, destaca a repórter.

    Bolsonarismo

    Este fenômeno eleitoral foi um dos elementos que levou à vitória do ex-deputado. Mas não foi o elemento central. O “bolsonarismo”, tudo indica, foi crescendo à medida que se insistiu na candidatura de Lula, mesmo o petista estando preso em Curitiba, nas dependências da Polícia Federal. A insistência na candidatura de Lula retroalimentou e fortaleceu a candidatura de Bolsonaro ao longo do curto processo eleitoral.

    Essa parcela de eleitores via como absurdo, o PT insistir na candidatura de condenado em 2ª instância, e preso por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a 12 anos e 1 mês de reclusão. O “bolsonarista” é o eleitor acometido pelo antipetismo visceral e é também marcado pelo desalento político, o que o transforma num elemento “ideológico” do chamado “bolsonarismo”.

    Antipetismo

    Este fenômeno político não é novo. O antipetismo tem como matriz ideológica o anticomunismo. O problema é que o condutores da campanha do PT não conseguiram detectar nem o 1º fenômeno, o “bolsonarismo”, nem tampouco este 2º.

    O antipetismo foi muito bem alimentado pela mídia desde que o PT surgiu como força eleitoral crescente na sociedade brasileira. E não arrefeceu em nenhum momento. Aqui e acolá houve certa trégua da mídia, mas sempre que os meios de comunicação podiam apontar algum malfeito do PT, dentro ou fora do governo, isto era e é feito com grande exposição e estardalhaço midiáticos.

    O antipetismo talvez tenha sido a grande mola propulsora que elevou o então candidato Jair Bolsonaro da obscuridade político-eleitoral para o protagonismo que o guindou à expressiva vitória, no 2º turno, em relação ao adversário do PT, Fernando Haddad. Bolsonaro quase venceu o pleito no 1º turno, o que tornou o 2º tempo da corrida eleitoral mais emocionante.

    Desalento

    Este 3º elemento do fenômeno eleitoral que permitiu a vitória de Bolsonaro, ex-deputado federal, que pouco ou nada produziu de relevante durante seus 28 anos de mandato na Câmara dos Deputados, junto com o antipetismo, “lacrou” o resultado do pleito vencido no 2º turno.

    O desalento político da sociedade brasileira foi e é alimentado continuamente pela grande mídia, que estimula e acende, sem massa crítica, o problema da corrupção entre os chamados políticos, seja no Executivo ou no Legislativo. Diante disso, está convencionado entre o povo, que quem se envolve com política ou faz parte de partido político, o faz apenas para “se dar bem”, isto é, tirar proveito próprio, em detrimento dos interesses e demandas dos eleitores, em particular, e do povo, em geral.

    Assim, diante desse desalento, e em rejeição ao que a mídia cunhou como o “partido mais corrupto” dentre todos em funcionamento no País, a maioria dos eleitores resolveu eleger, dentre os candidatos que se apresentaram para o pleito de 2018, o candidato, cuja única expressão política era o de não ser corrupto.

    O resto da história todos já conhecem!

    *Marcos Verlaine é jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Indicadores antecedentes revelados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE mostram crescimento tímido no 1.º trimestre. Estagnação é o produto final da restauração neoliberal imposta pelo golpe de 2016, que agora está sendo aprofundada pelo governo da extrema direita.

    Depois de um ano fraco – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2018, a mesma expansão do ano anterior – os primeiros indicadores de 2019 já mostram que a economia brasileira segue com um ritmo ainda lento neste primeiro trimestre.

    A fraqueza atual da economia fica evidente pelos indicadores antecedentes já disponíveis da indústria e do comércio – aqueles que são utilizados para medir a "temperatura" da atividade. Por ora, esses números mostram apenas uma recuperação das perdas observadas no fim do ano passado ou um crescimento modesto; o que, na avaliação dos analistas, não indica uma atividade econômica em forte aceleração. Não se alcançou sequer as modestas taxas de crescimento do período anterior à recessão de 2015/2016, que subtraiu 7,4% do PIB e foi a maior da história.

    Indicadores

    O que revelam alguns indicadores antecedentes dessazonalizados, ou seja, sem os efeitos típicos de cada mês:

    A confiança do consumidor medida pela FGV subiu 3,9% em janeiro, mas caiu 0,5% em fevereiro;

    O fluxo de veículos leves e pesados nas estradas teve um desempenho tímido em janeiro e cresceu 1,2% e 1,8%, respectivamente, após ficar praticamente estável em dezembro;

    A produção de papel ondulado (usado pela indústria em embalagens, e por isso um indicador relevante da atividade econômica) avançou 1,1% em janeiro e não compensou a queda de 1,8% em dezembro;

    A venda de veículos teve alta de 2,9% em janeiro, recuperando pouco a queda de 2,7% de dezembro;

    A produção de veículos cresceu 2,7% em janeiro, depois de recuar 5% em dezembro.

    Os últimos números de 2018 já mostraram uma atividade lenta, sobretudo com a piora do setor industrial. Com essa herança lastimável, a maioria dos analistas passou a estimar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais próximo de 2% neste ano, abaixo da estimativa inicial de alta de 3%. Como em 2017 e 2018 a tendência é de seguidas revisões para baixo das estimativas de expansão as atividades feitas no mercado.

    "Houve uma frustração da atividade econômica no fim do ano passado. A indústria de transformação, que já vinha perdendo gás, sofreu com a crise da Argentina", afirma Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

    A Argentina - um dos principais parceiros comerciais do Brasil - enfrenta uma severa crise econômica, o que tem prejudicado a venda de produtos manufaturados brasileiros. No ano passado, o Brasil exportou US$ 14,951 bilhões para o país vizinho, abaixo dos US$ 17,618 bilhões apurados em 2017.

    A atividade econômica do primeiro trimestre também deve ser prejudicada por uma menor contribuição do agronegócio. Com um clima ruim, a safra atual deve ser menor do que a de anos anteriores. No último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a safra 2018/19 de soja vai chegar a 115,34 milhões de toneladas, 3,3% inferior ao produzido no ciclo de 2017/18.

    "Neste ano, dada essa redução, não vai haver o forte impulso do agronegócio no PIB do primeiro trimestre", afirma Artur Passos, economista do banco Itaú.

    Base Fraca

    Numa análise fria, as previsões para o PIB do primeiro trimestre até podem sugerir uma melhora da atividade na comparação com o quarto trimestre, quando o Brasil cresceu 0,1%. Para os três primeiros meses de 2019, bancos e consultorias estimam um avanço de até 0,8%, mas esse desempenho pode ser explicado mais pela fraca base de comparação do que por uma aceleração da economia.

    "Estamos com uma previsão de 0,8% (de crescimento no primeiro trimestre). Dá impressão de que está tudo bem, mas é que o quarto trimestre foi bem ruim, por isso esse número mais forte", afirma o economista-chefe da consultorias MB Associados, Sergio Vale.

    Neoliberalismo

    Os ideólogos neoliberais prometiam que as reformas promovidas pelos golpistas lideradas por Michel Temer iam despertar a confiança dos investidores e promover a retomada do crescimento e sobretudo do emprego. Mas não foi isto que ocorreu. A mudança da legislação trabalhista piorou o quadro do mercado de trabalho, ampliando a precarização, e não trouxe novos empregos.

    Já o novo regime fiscal, com congelamento dos gastos públicos primários por 20 anos, colocou lenha na fogueira da estagnação, deprimindo os investimentos públicos e inviabilizando uma retomada sustentável da produção. Mas o pensamento dominante, bombardeado diuturnamente pela mídia burguesa, sustenta que é preciso preservar neste caminho aberto pelos golpistas, de restauração neoliberal, alegando no momento que é indispensável realizar a reforma da Previdência, proposta sob medida para atender os interesses dos banqueiros e grandes capitalistas.

    Com informações do G1