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Dom, Jun

direito à autodeterminação dos povos

  • Cuba conclamou a comunidade internacional nesta quarta-feira (27) a contribuir na construção de uma nova ordem mundial baseado na solidariedade humana e na Justiça, em que o diálogo e a cooperação prevaleçam na solução dos conflitos.

    Ao intervir na Conferência de Desarmamento em Genebra, o vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Marcelino Medina, afirmou que é necessário salvaguardar as futuras gerações do flagelo da guerra e dos nefastos sofrimentos que provoca.

    Trabalhar pela paz

    “Trabalhar incansavelmente para preservar a paz e a segurança internacionais e fomentar entre as nações as relações de amizade baseadas no respeito aos princípios da igualdade, soberana e a livre determinação dos povos, deve continuar sendo um compromisso da ONU e de seus Estados membros”, destacou.

    O diplomata denunciou que em 2017 foram gastos em despesas militares 1,74 trilhão de dólares, a cifra mais alta desde o fim da Guerra Fria.

    Lamentou que a cada ano se invistam somas exorbitantes na indústria da guerra, se modernizem os arsenais nucleares existentes e se desenvolvam novos sistemas desse tipo de armamento, em lugar de destinar esses recursos a fomentar a paz, combater a fome e a pobreza e à implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

    Desarmamento nuclear

    “O desarmamento nuclear permanece congelado e a existência de enormes arsenais nucleares, sendo que apenas 100 dessas ogivas bastariam para provocar o inverno nuclear, constitui uma grave e iminente ameaça à sobrevivência da Humanidade”, avisou.

    O vice-chanceler destacou a grande importância que a ilha das Antilhas concede à promoção do multilateralismo como princípio básico das negociações em matéria de desarmamento e não proliferação.

    Nesse contexto, expressou a preocupação pela decisão dos Estados Unidos de retirar do Plano de Ação Integral Conjunto ou Acordo Nuclear com Irã e, mais recentemente, do Tratado sobre Mísseis de Alcance Curto e Intermediário assinado com Rússia em 1987.

    “A comunidade internacional não pode permanecer passiva, nem em silêncio, muito menos quando se constata o fortalecimento do papel das armas nucleares nas doutrinas de defesa e segurança de determinados Estados possuidores”, precisou.

    Alertou que essas nações estão cada vez mais prestes a considerar a utilização dessas armas, inclusive em resposta às chamadas “ameaças estratégicas não nucleares”.

    Medina condenou o papel dos apetrechos nucleares nas doutrinas, políticas e estratégias de segurança, bem como a ameaça de seu uso, ao mesmo tempo em que reiterou o direito inalienável ao uso pacífico da energia nuclear.

    Celac e Venezuela

    Aproveitou a tribuna deste foro multilateral para ratificar a vigência da proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, adotada em II Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, celebrada em Havana em 2014.

    O representante da ilha denunciou a escalada de pressões e ações do governo estadunidense para preparar o que taxou de aventura militar, disfarçada de “intervenção humanitária”, contra a República Bolivariana da Venezuela.

    “A história julgará severamente uma nova intervenção militar imperialista na região e a cumplicidade de quem irresponsavelmente acompanhá-la”, advertiu o vice-ministro.

    Considerou ainda que na Venezuela se decide hoje não só a soberania e a dignidade da América Latina, do Caribe e dos povos do Sul, mas também a sobrevivência das normas do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

    “Temos a responsabilidade de preservar as próximas gerações do flagelo da guerra, salvar o planeta e criar condições sob as quais possam ser mantidas a justiça e o respeito às obrigações emanadas dos tratados internacionais”, concluiu.

    Fonte: Prensa Latina

  • Lideranças dos movimentos sociais realizan nesta sexta-feira (8), às 14 horas, na capital paulista, uma manifestação de solidariedade à Venezuela e ao seu legítimo presidente, Nicolás Maduro, diante do Consulado da Venezuela, situado na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista. A direção da CTB, que estará presente na manifestação, divulgou nota contra a intervenção imperialista liderada pelos EUA no país. Leia abaixo:

    O povo venezuelano e a sua revolução bolivariana vivem uma de suas maiores ameaças. Um consórcio internacional golpista, liderado pelos Estados Unidos, fabricou um desconhecido fantoche (Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente) e, através dele, agride as normas das relações internacionais e tenta derrubar o presidente legitimamente eleito do país, Nicolás Maduro. 

    Neste momento, a luta anti-imperialista desloca-se para a América Latina e tem como centro a defesa da autodeterminação do povo venezuelano e o respeito da América Latina como uma Zona de Paz. Como aprovou a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2014, “baseada no respeito aos princípios e normas do Direito Internacional", os países se comprometem a solucionar pacificamente suas diferenças e conflitos, "expatriando para sempre" a ameaça da força como ferramenta política na região.

    O combate à ingerência externa contra a Venezuela tem a ver com o enfrentamento da onda direitista no mundo e em nossa região. Assim pensam e se orientam os classistas da CTB. 

    O povo venezuelano está fazendo a sua parte, resistindo nas ruas. Quanto a nós, devemos intensificar atos e agendas que denunciem mais uma manobra imperialista e prestar total solidariedade ao povo venezuelano e ao seu presidente Nicolás Maduro.

    Com base nessas opiniões, a reunião ocorrida ontem, 05/02, em São Paulo, a maior e mais representativa do Comitê pela Paz na Venezuela desde a sua constituição em 2017, definiu uma atividade que expressa nossa solidariedade e combate ao cerco midiático golpista contra a soberania da Venezuela (veja abaixo).

    Mãos à obra!

    Adilson Araújo - 

    Presidente nacional da CTB

    Nivaldo Santana - Secretário de Relações Internacionais da CTB

  • A Venezuela está sob forte pressão dos EUA, que pretendem consumar um golpe contra o presidente Nicolás Maduro, legitimamente eleito, e impor ao país um novo regime político liderado pelo deputado Juan Guaidó. Na próxima sexta-feira (8), às 14 horas, lideranças dos movimentos realizarão uma manifestação de solidariedade ao país e ao presidente Maduro diante do Consulado da Venezuela em São Paulo, na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista.

    “Vamos defender o sagrado direito do povo venezuelano à autodeterminação e denunciar a intervenção imperialista dos EUA”, comentou Divanilton Pereira, vice-presidente da CTB. Veja entrevista de Maduro no youtube sobre a conjuntura do país: https://www.youtube.com/watch?v=79yrsvJDVRA.

  • Obscurecida por uma cortina de fumaça midiática que nos quer convencer de que se trata de um dilema entre democracia (concebida como um valor universal) e ditadura, os conflitos políticos que sacodem a Venezuela e envolvem todo o seu entorno adquirem cada vez mais os contornos de um embate geopolítico que opõem notoriamente os Estados Unidos à China e à Rússia.

    O objetivo à margem da retórica é o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e preservação da hegemonia mundial. A Europa, embora aparentemente em cima do muro e desfiando contradições e remorsos, tende a respaldar as aventuras da Casa Branca.

    O governo de Nicolás Maduro conta com o apoio da China (que investiu cerca de US$ 70 bilhões na Venezuela) e da Rússia, que defendem o consagrado direito internacional das nações à autodeterminação, que por definição exclui e condena a possibilidade de intervenção estrangeira em pelejas domésticas, princípio também proclamado pela Celac e pelos governos progressistas da América Latina e Caribe.

    Onda conservadora

    Mas a onda conservadora que invadiu o continente ao longo dos últimos anos, distribuindo golpes de Estado e fortalecendo políticos conservadores, alterou as percepções e a correlação de forças políticas, revertendo o processo de integração regional que desaguou na Celac e desenhou um novo arranjo geopolítico hostil ao hegemonismo de Washington, que parece ter recuperado o comando da situação.

    Não se pode dizer por quanto tempo o quadro atual prevalecerá, mesmo porque ele não está em sintonia com as transformações econômicas, objetivas e silenciosas, ocorridas nas últimas décadas, traduzidas na ascensão da China, que se transformou na maior economia do planeta, e na progressiva decadência do poderio econômico relativo dos EUA.

    A sensação de declínio, ampliada com Donald Trump e sua guerra comercial, deixou os imperialistas americanos ainda mais arrogantes e belicosos. A forma com que se conduzem diante da crise na Venezuela, apoiando abertamente um golpe de Estado, é emblemática. Os EUA deflagraram o que alguns críticos do imperialismo caracterizaram como guerra híbrida, uma espécie de guerra por procuração, terceirizada, promovida por lacaios.

    Porém, frente à resistência do governo Maduro, que conta com o precioso apoio das Forças Armadas, da Corte Suprema e da população mais pobre, o impasse se agravou e crescem os indícios de que a guerra híbrida tende a evoluir para uma intervenção militar direta.    

    Intervenção militar

    Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, o governo dos Estados Unidos está "preparando o cenário" para uma intervenção militar no país e a narrativa de "intervenção humanitária" (para defesa da democracia) não passa de uma "operação de encobrimento". A decisão de intervir militarmente já foi tomada, de acordo com informações da porta-voz ao RT, canal estatal russo de televisão.

    “Continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”, disse a representante do governo da Rússia, aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

    A crise no país sul-americano se acentuou depois que o deputado oposicionista Juan Guaidó, com o apoio dos Estados Unidos, se autoproclamou presidente República. Ele foi reconhecido por uma série de países aliados aos EUA e pela União Europeia. Países como China, Turquia e Rússia, no entanto, seguem reconhecendo a legitimidade de Maduro.

    Para a porta-voz do governo da Rússia, a presença de militares norte-americanos na área de fronteira da Venezuela, que ocupam essas regiões sob a justificativa da “ajuda humanitária”, não passa de uma “operação de encobrimento” que tem, por objetivo, a intervenção militar direta.

    Operação de encobrimento

    “Nesta situação, você chega a uma conclusão óbvia: de que Washington já tomou a decisão de intervir militarmente na Venezuela. Todo o resto é operação de encobrimento”, disparou.

    As declarações de Zajárova vêm quatro dias após o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, admitir que tem a intervenção militar como uma “opção” para resolver a crise na Venezuela.

    “Gostaria de lembrar que tais declarações de autoridades norte-americanas são uma violação direta do artigo da Carta da ONU, que obriga todos os membros da organização a não ameaçarem ou fazerem o uso da força em suas relações internacionais”, disse a porta-voz.

    Cúmulo do cinismo

    Na mesma declaração desta quinta-feira (7), a porta-voz do governo russo chamou de “cúmulo do cinismo” a postura dos Estados Unidos ao criticar o governo de Nicolás Maduro ao mesmo tempo em que impõe sanções econômicas que agravam a crise no país.

    “Eles dizem que os venezuelanos vivem mal com este governo. Bem, não imponham sanções! Deixe o estado vivo para que se desenvolva e resolva seus próprios problemas, não os agrave”, pontuou. A hipocrisia já foi considerada por um atento observador como um patrimônio nacional dos EUA, embora seja um patrimônio exclusivo das suas classes dominantes. É, com efeito, uma arte na qual são inigualáveis.

    Umberto Martins, jornalista, editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho".