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Dom, Fev

Dom Paulo Evaristo Arns

  • Debates encerram a exposição “Dom Paulo Evaristo Arns, 95 anos”, nesta semana; não perca!

    Dom Paulo visita uma favela em São Paulo, em 1972 (Foto: O São Paulo)

    Termina nesta semana, a exposição Dom Paulo Evaristo Arns, 95 anos, que leva grande público ao Centro Cultural dos Correios, no centro da capital paulista. A programação envolve rodas de conversa e atividades culturais dentro da exposição fotográfica sobre esse ícone da democracia brasileira.

    A mostra organizada em seis eixos temáticos: Sociedade, Democracia, Produção Intelectual, Igreja, Comunicação e Política, debate temas do mundo contemporâneo, bem ao estilo das preocupações e da pregação de Dom Paulo.

    Confira a programação completa abaixo

    evaristo arns exposicao

    Tem debate sobre a situação dos refugiados, educação popular, os efeitos da democracia corintiana e na quinta-feira (20), às 11h30, dirigentes de cinco centrais sindicais debatem os impactos das reformas trabalhista e da previdência na vida de quem vive da força de trabalho.

    Adilson Araújo, presidente da CTB, representa a central no evento. Através da política é “que vamos esclarecer a sociedade o quanto estão sendo danosos os acontecimentos posteriores ao impeachment da presidenta Dilma. Em dois anos muita coisa aconteceu e a vida piorou”, diz.

    Para ele, o principal objetivo do golpe de 2016 é desmantelar o Estado e acabar com os direitos da classe trabalhadora. E as reformas trabalhista e da previdência mostram isso. Mas, garante, “o Brasil pode resgatar o desenvolvimento soberano com justiça social, distribuição de renda e valorização do trabalho. As eleições deste ano sçao fundamentais para isso”.  

    Tem também apresentação da peça Lembrar é resistir, todos os dias da exposição, das 14h30 às 15h30. A programação termina com apresentação do Coro Luther King, no domingo (23), às 16h.

    Dom Paulo

    O arcebispo emérito do Brasil, Dom Paulo Evaristo Arns faleceu no dia 14 de dezembro de 2016, aos 95 anos, quase todos dedicados ao bem-estar das pessoas menos favorecidas. Foi considerado o inimigo público número 1 da ditadura (1964-1985). Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 1998.

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    Democracia brasileira perde um de seus maiores defensores com morte de Dom Paulo Evaristo Arns

    Serviço:

    O que: Dom Paulo Evaristo Arns, 95 anos

    Onde: Centro Cultural dos Correios São Paulo, avenida São João, s/nº, Vale do Anhangabaú, centro (perto dos metrôs Anhangabaú e São Bento)

    Quando: Terça-feira (21) a domingo (23), das 11 às 17h

    Quanto: grátis

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Democracia brasileira perde um de seus maiores defensores com morte de Dom Paulo Evaristo Arns

    Um dos maiores símbolos da resistência democrática do Brasil, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns faleceu, aos 95 anos, nesta quarta-feira (14), às 11h45.

    Ele estava internado desde 28 de novembro por causa de uma broncopneumonia. O velório de Dom Paulo será na Catedral da Sé, no centro de São Paulo, e deve durar 48 horas. Ele deve ser sepultado na cripta da catedral.

    Este ano também marcou os 50 anos da ordenação de Dom Paulo como bispo e houve muita comemoração. Ao comunicar o falecimento o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer disse que o cardeal “entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”.

    Grande incentivador das comunidades eclesiais de base, criou a Pastoral da Infância e buscou aproximar a igreja católica dos mais pobres, defendendo a justiça social e o combate à miséria. Abnegado, enfrentou os militares e protegeu  os presos políticos, sendo considerado o “inimigo público número 1 da ditadura”.

    Odiado pelos opressores, foi muito amado por uma ampla gama de pessoas que lutava pela liberdade, num país tragado pelo autoritarismo. Admirado tanto por religiosos fervorosos quanto por extremistas de esquerda devido ao seu temperamento dócil e sua firme posição na defesa dos oprimidos.

    Dom Paulo Evaristo Arns representa uma das facetas mais importantes da história brasileira. Foi o principal incentivador do livro Brasil: Nunca Mais, em 1985, denunciando as atrocidades dos porões da ditadura. Também foi um dos principais artífices da luta pela restauração da democracia no país (leia mais aqui).

    Para saber um pouco mais dessa linda história assista o documentário “Coragem – As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns”, dirigido por Ricardo de Carvalho, com base em suas duas biografias sobre Dom Arns, pronto para estrear. São elesos livros: “O Cardeal e o Repórter” e “O Cardeal da Resistência”.

    Nestes tempos sombrios de golpe midiático-jurídico-parlamentar, nos quais o Estado Democrático de Direito e a Constituição são violados todos os dias, o exemplo do homem Evaristo Arns pode trazer luz para quem crê na Justiça e na liberdade.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

  • Vida de Dom Paulo, “inimigo número 1 da ditadura”, será contada em filme

    O jornalista Ricardo de Carvalho leva para a telona a vida de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal símbolo da resistência à ditadura fascista (1964-1985). Sua importância no combate à tortura e na disseminação de ideias democráticas é reconhecida por quem sofreu a repressão.

    Com estreia prevista para novembro, o documentário “Coragem – As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns”, dirigido por Carvalho, com base em suas duas biografias sobre dom Arns. São eles: “O Cardeal e o Repórter” e “O Cardeal da Resistência”.

    Muito importante. Dom Paulo completou na quarta-feira (14), 95 anos e neste ano fez 50 anos de sua ordenação como bispo. Foi voz firme contra os desmandos dos ditadores e em defesa dos humildes e dos perseguidos.

    Carvalho conta que o cardeal “foi, sem dúvida, a mais importante fonte de informações contra o regime militar. Como jornalista que é, dom Paulo não errava uma e tudo que dizia ou denunciava, vinha com provas, relatos... Foi assim quando o pastor Jaime Wright, ligadíssimo a dom Paulo, me passou, em 1978, a conta-gotas, a primeira lista de desaparecidos políticos checadas em diferentes fontes”.

    Formado em Sorbonne, Paris, França. Em 1972, criou Comissão Justiça e Paz de São Paulo. Também foi o principal organizador da famosa publicação “Brasil Nunca Mais”, em 1985, com relatos das prisões e torturas nos porões da ditadura.

    brasil nunca mais

    Como conta a ativista comunista Ana Martins, “ele fomentou a criação das comunidades de base, além de discutirem os princípios religiosos, o evangelho, discutia também as condições de vida o que possibilitou um engajamento”.

    Já o militante comunista  e ex-preso político Aldo Arantes, destaca que a “sua coragem pessoal e a sua atitude eram uma afronta ao regime militar. Isso ficou claro quando, depois da Chacina da Lapa, em 1976, fui preso. Na tortura os carrascos xingavam o cardeal de todos os nomes imagináveis. Manifestavam um ódio imenso ao se referir à figura dele”.

    A sua coragem em desafiar os militares pode ser notada em seu sermão no culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nas dependências da polícia política do regime, em São Paulo", em 31 de outubro de 1975.

    Num período de muita violência e perseguição política, Dom Paulo disse na catedral da Sé, na capital paulista: "Não matarás. Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do Senhor da História e não será apenas maldito na memória dos homens, mas também no julgamento de Deus!".

    O jornalista José Carlos Ruy conta no Portal Vermelho que, em uma entrevista juntamente com Roldão Arruda, para o jornal Movimento (importante órgão de resistência à ditadura), “com cuidado, perguntei a ele sobre a existência de Deus. Recebi a resposta de um homem sábio: sei do que você está falando! Você não acredita, mas para Deus isso não tem importância; o que conta é a ação e vocês estão na luta ao lado do povo. Para Deus, é o que vale”.

    Em outra celebração, Dom Paulo fez sermão ainda mais contundente contra a prática da tortura: "Ninguém toca impunemente no homem, que nasceu do coração de Deus, para ser fonte de amor em favor dos demais homens. Desde primeiras páginas da Bíblia Sagrada até a última, Deus faz questão de comunicar constantemente aos homens que é maldito quem mancha suas mãos com o sangue de seu irmão. Nem as feras do Apocalipse hão de cantar vitórias diante de um Deus que confiou aos homens sua própria obra de amor. A liberdade - repito - a liberdade humana nos foi confiada como tarefa fundamental, para preservarmos, todos juntos, a vida do nosso irmão, pela qual somos responsáveis, tanto individual quanto coletivamente".

    Grande incentivador das Comunidades Eclesiais de Base, que visavam aproximar a igreja dos mais pobres, Dom Paulo criou em 1985 a Pastoral da Infância, juntamente com sua irmã Zilda Arns, morta em 2010, em acidente no Haiti.

    Dom Paulo é daquelas figuras raras. Dedicação total à causa da liberdade e do respeito pela vida e pela dignidade humana. Jamais seguiu o caminho fácil de ceder aos poderosos e se manteve firme ao lado dos oprimidos, mesmo com riscos.

    Por isso, o ativista comunista Haroldo Lima junta a sua voz aos que devem “solidariedade militante na luta pela liberdade nas horas decisivas e desejo: longa, longa vida a Dom Paulo Evaristo Arns”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB