Sidebar

18
Ter, Jun

Ford

  • Montadora quer eliminar 10% de sua força de trabalho, até o final de agosto. É parte de seu plano de reestruturação, com o qual pretende economizar US$ 600 milhões. Os operários pagam o pato, e a conta.

    A direção da Ford informou nesta segunda-feira (20) que vai eliminar cerca de 10% de sua força de trabalho assalariada global, o que significa cortar cerca de 7 mil empregos até o final de agosto.

    A redução é parte de plano de reestruturação da segunda maior montadora de veículos dos Estados Unidos para economizar US$ 600 milhões por ano.

    O presidente-executivo da multinacional, Jim Hackett, disse em mensagem aos funcionários nesta segunda-feira que os cortes incluem saídas voluntárias e demissões, e um porta-voz disse à agência Reuters que a medida inclui congelamento de vagas abertas. Cerca de 2.300 das pessoas afetadas estão empregadas nos Estados Unidos, afirmou o porta-voz.

    Dentro dos cortes, Hackett disse que a companhia eliminará cerca de 20% dos gerentes de alto escalão em um movimento também para reduzir a burocracia e agilizar a tomada de decisões no grupo.

    O plano de reestruturação da Ford ocorre ao mesmo tempo em que a empresa avança em sua aliança com a Volkswagen. As montadoras vão compartilhar plataforma de picape, inclusive no Brasil, e de outros veículos no futuro.

    Fechamento de fábrica no Brasil

    Em fevereiro, a montadora anunciou o fim das operações de sua fábrica de caminhões de São Bernardo do Campo, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas. Além disso, na fábrica da Ford em Taubaté (SP), 120 trabalhadores assinaram um plano de demissão voluntária.

    'Chineses estão interessados em fabricar carro' na fábrica da Ford em SP, afirma a Caoa.

    No ABC Paulista, está aberta a possibilidade de a fábrica ser adquirida por outro grupo. A Caoa confirmou conversas com a Ford e com o governo de São Paulo para uma possível compra dos ativos.

    GM e Volkswagen

    Além da Ford, General Motors e Volkwagen também anunciaram grandes cortes de empregos em busca de melhores resultados financeiros.

    A General Motors (GM) anunciou no fim do ano passado um plano para fechar fábricas e demitir trabalhadores na América do Norte.

    O Grupo Volkswagen, por sua vez, afirmou que vai cortar empregos a fim de acelerar o lançamento de carros elétricos e reverter queda em margens de lucro.

    É a lógica do capitalismo, que usa a força de trabalho dos operários para extrair a famosa mais-valia descoberta por Karl Marx, que segreda os lucros. Quando não servem mais a este propósito são sumariamente chutados para o olho da rua. É uma expressão da alienação do trabalho a que se referia o filósofo alemão.

  • A Ford, multinacional estadunidense do automobilismo, acaba de anunciar a decisão de fechar ainda durante este ano a fábrica que instalou em São Bernardo do Campo, o que significa uma séria ameaça de desemprego para seus 2,8 mil trabalhadores e trabalhadoras.

    A CTB condena energicamente a intenção da multinacional, que pretende deixar de fabricar vários modelos de automóveis e caminhões na América Latina, e expresssa sua total solidariedade aos operários da empresa.

    O fechamento da planta tem um sentido particularmente perverso neste momento da nossa história, quando o mercado de trabalho brasileiro está combalido pelo desemprego em massa e uma crescente precarização dos contratos.

    O plano da Ford revela o caráter cruel das relações capitalistas de produção, todas elas estabelecidas para satisfazer os interesses dos proprietários. Os trabalhadores são usados para produzir lucro (mais-valia) e descartados como cascas de laranja no primeiro sinal de crise, sendo jogados no olho da rua e condenados ao desemprego.

    A CTB reitera seu apoio à luta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em defesa do emprego e da dignidade da classe trabalhadora. Esperamos que a multinacional reveja seus planos e leve em conta o sofrimento das famílias operárias.

    São Paulo, 19 de fevereiro de 2019

    Adilson Araújo, presidente da CTB

  • Por Altamiro Borges*

    A multinacional estadunidense Ford anunciou nesta terça-feira (19) que fechará a sua fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A abrupta decisão faz parte do projeto da empresa de encerrar a produção de caminhões nas unidades instaladas na América do Sul. A previsão é de que até o final do ano a "reestruturação" resultará na demissão de 2,7 mil metalúrgicos ─ além do corte nos empregos indiretos das firmas que fornecem peças e prestam serviços. Com certeza, a mídia burguesa ─ nutrida com milhões em publicidade ─ tentará abrandar o impacto do fechamento da fábrica. Até porque seus colunistas de aluguel vinham jurando que a economia, sob o comando do rentista Paulo Guedes com o seu plano ultraliberal e entreguista, já estava em plena retomada. Baita recuperação!

    Recentemente, outra multinacional ianque, a GM, também ameaçou abandonar a produção no Brasil. Há vários fatores que explicam essa possível fuga, como a prolongada crise da economia capitalista no mundo, o aparente esgotamento do modelo de negócios das montadoras de veículos e ─ na hipótese mais sacana ─ a tentativa de chantagear o frágil governo de Jair Bolsonaro, obtendo vantagens como o corte de direitos dos trabalhadores e outros subsídios. No comunicado lacônico e cínico divulgado à imprensa, a empresa apenas disse que o fechamento da unidade visa recompor a lucratividade, "com um modelo de negócios ágil, compacto e eficiente, fortalecendo a sua oferta de produtos e parcerias globais. A Ford prevê o impacto de aproximadamente US$ 460 milhões em despesas não recorrentes como consequência dessa ação".

    Para se contrapor à sacanagem da multinacional, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista está em plena mobilização. Conforme relata o jornalista Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, "com a notícia do fechamento, os trabalhadores na Ford decidiram não voltar à fábrica amanhã (20), nem na quinta-feira... O presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, conta que a reunião com a direção da empresa não foi propriamente uma negociação, mas um comunicado. 'Não houve nem um processo de conversa. Foi lacônico', descreveu. Segundo ele, a direção da Ford informou que dali a 40 minutos comunicaria a imprensa sobre sua decisão, surpreendendo os representantes dos trabalhadores".

    Ainda segundo a reportagem, os trabalhadores também avaliam que "a montadora pode estar tentando 'chantagear' os metalúrgicos, anunciando o fechamento para conseguir uma maior flexibilização de direitos. Vários lembraram do ocorrido recentemente na General Motors em São José dos Campos, interior paulista, onde um acordo foi aprovado em troca de garantia de investimentos naquela fábrica. 'Se for chantagem, não vai funcionar', diz Wagnão. 'Também há limites para as condições às quais temos de nos submeter no trabalho. Estamos abertos à negociação. Vamos insistir na reversão dessa decisão', afirma o dirigente. Ele também pretende conversar com representantes dos governos. 'Vamos buscar todas as instâncias. Não temos preconceito. Para nós, os trabalhadores estão acima dos interesses políticos'".

    Citando cálculos da Anfavea, a associação nacional dos fabricantes de veículos, Wagnão lembra que a decisão do fechamento da fábrica pode atingir até 27 mil pessoas, considerando, além da Ford, toda a cadeia produtiva. "O anúncio acontece exatamente 100 anos depois que a diretoria da Ford Motor Company, nos EUA, aprovou a criação de uma filial brasileira. Foi a primeira fabricante de automóveis instalada no país. Em 1967, a montadora produziu seu primeiro veículo brasileiro, o Galaxie. Naquele mesmo ano, a Ford assumiu o controle da Willys-Overland e passou a operar na unidade do bairro do Taboão, em São Bernardo, que produz o modelo Fiesta, além de caminhões. A empresa também tem unidades em Camaçari (BA), onde é fabricado o Ka, e em Taubaté (SP), que produz motores".

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • No ABC paulista, na portaria da Ford em São Bernardo do Campo-SP, a luta começou cedo com paralisação dos transportes que atrasaram as saídas dos ônibus. Aqui na Ford a CTB representada pelo presidente nacional Adilson Araújo e dirigentes das demais centrais sindicais manifestam solidariedade aos trabalhadores pela manutenção da empresa e dos empregos. A luta segue por todo o país. Vamos à luta!

     

     

     

     

  • O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari (Bahia), filiado à CTB, está realizando, desde o começo da manhã desta quinta-feira (28), uma assembleia na porta do Complexo Ford. Os trabalhadores de todos os turnos estão reunidos para tratar do pacote de propostas apresentado pela fábrica, em mesa de negociação que ocorreu ontem (27). Referindo-se às propostas como um “pacote de maldades”, os operários deverão decretar, ao final do ato, o Estado de Greve.

    Veja só o que a Ford Camaçari quer, conforme informações divulgadas pela própria empresa, através de um talk paper, na quarta-feira (27/02):

    ▪ Tirar o lanche das máquinas e o desjejum no refeitório;

    ▪ Reduzir a PLR para R$ 11.100,00 (antes era R$ 18.500,00);

    ▪ Pagar primeira parcela do 13º em out/19;

    ▪ Plano médico ter valor fixo por cabeça (cada dependente um valor fixo);

    ▪ Aumentar a taxa de coparticipação do plano médico para 10% mensal;

    ▪ Aumentar de 1% para 6% a taxa de cobrança tanto do transporte quanto da alimentação no refeitório e mudar o cardápio do refeitório;

    ▪ Tirar PLR dos jovens aprendizes;

    ▪ ADM não receberá mais farda;

    ▪ Congelar salários por 12 meses (sem database e sem step a cada 6 meses);

    ▪ Tirar o ticket alimentação;

    ▪ PLR de parceiras seguir o valor das auto-peças e não o valor praticado pela Ford;

    ▪ Pagamento do adicional noturno baseado na legislação vigente;

    ▪ Prática de banco de horas;

    ▪ Desvincular a PLR do financeiro com o do ADM;

    ▪ Demissão de 700 funcionários, sendo percentual Ford outro percentual parceiros;

    ▪ Demissão sem pagamento de PDV.