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Ter, Jul

Grupo Gay da Bahia

  • O mundo comemora em 28 de junho o Dia Internacional do Orgulho LGBT. A data foi escolhida porque em 1969, os frequentadores do bar gay Stonewall Inn., em Nova York, Estados Unidos, se rebelaram contra uma ação policial, transformando-se num marco da resistência LGBT.

    O episódio ganhou o mundo, “mas ainda em 2018, existem muitos países que criminalizam a homossexualidade”, afirma Silvana Conti, dirigente licenciada da CTB-RS. Ela argumenta que no Brasil “tivemos muitos avanços, mas “uma onda conservadora ganha força e fortalece o patriarcado, a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro e a violência contra as mulheres – negras, lésbicas, bissexuais, transexuais, prostitutas, ciganas, deficientes, enfim, todas as mulheres com suas diversidades e especificidades.

    Tanto que um estudo do Grupo Gay da Bahia mostra a dificuldade em ser LGBT num país onde avançam o ódio e a violência.  Somente em 2017 foram mortas 445 pessoas por motivação de orientação sexual no Brasil. Sendo 194 gays, 191 pessoas trans, 43 lésbicas e cinco bissexuais.

    “A violência só aumenta com o clima de ódio e desrespeito aos direitos humanos”, enfatiza Conti. “Justamente para se contrapor à violência e ao preconceito que foi criado do dia do orgulho LGBT”, acentua a sindicalista.

    “A palavra orgulho tem sido usada para fazer um contraponto, dizendo que mesmo nessa adversidade é importante ter orgulho de ser que é”, diz Luiz Mott, do GGB ao site Huffpost Brasil.

    Tanto que as marchas do orgulho LGBT vêm se espalhando pelo mundo desde 1970, quando ocorreu a primeira em Nova York. Na 22ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (foto), mais de 3 milhões de pessoas tomaram a avenida Paulista para defender a igualdade e eleições limpas em 2018.

    Inclusive, lembra Conti, o projeto ultraconservador denominado “cura gay” que desconhece que desde 1990 a Organização Mundial de Saúde reconhece a homossexualidade como uma variação da sexualidade humana.

    No Brasil, desde 1999, o Conselho Federal de Psicologia segue a mesma determinação e orienta os profissionais a não participar de qualquer tipo de terapia para mudar a orientação sexual das pessoas.

    “Muito importante atuarmos no Dia Internacional do Orgulho LGBT para elevar a consciência política da classe trabalhadora sobre a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, direitos sociais e enfretamento ao machismo, ao racismo e à LGBTfobia”, conclui Conti.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Nurphoto/Getty Images

  • Para comemorar a exclusão da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 17 de maio de 1990, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou a data como o Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia, dois anos depois. 

    Mas o Brasil - o país campeão em assassinatos de LGBTs - a situação se degrada para essa população desde 2016. O “golpe jurídico, midiático e parlamentar, que vem retirando direitos, congelando investimentos sociais, aprofundando o desemprego, as desigualdades e as violências, acarreta um verdadeiro genocídio das pessoas trans e da juventude negra”, diz Andrey Lemos, presidente da União Nacional LGBT (UNA-LGBT).

    De acordo com ele, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff intensificaram políticas públicas para combater a violência contra a população LGBT, inclusive criando o Dia Nacional de Luta Contra a LGBTfobia, mas com o golpe a situação vem se deteriorando com o fim das políticas públicas de combate à violência e de atendimento às vítimas de agressão.

    Zero, de Liniker 

    O Grupo Gay da Bahia (GGB) registrou um aumento de 30% de mortes violentas de LGBTs no país de 2016 para 2017. Os assassinatos passaram de 343 (2016) para 445 (2017). Isso significa que a cada 19 horas, uma pessoa LGBT é morta no país.

    Por isso, “a UNA segue denunciando a ruptura democrática, lutando por políticas públicas para o enfrentamento à discriminação e a promoção da valorização e do respeito às diferenças”, assinala Lemos.

    Para piorar ainda mais, a violência cresce dia a dia. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, 153 homossexuais foram assassinados no Brasil, sendo que os transexuais são os mais atingidos. “Matam-se mais LGBTs no Brasil do que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra os LGBTs”, afirma Silvana Conti, vice-presidenta da CTB-RS e dirigente da União Brasileira de Mulheres.

    Em 1948, a OMS havia classificado a homossexualidade como um “transtorno mental”, o que causou grandes transtornos a essa população. A nova classificação entrou em vigor a partir de 1993, mas setores ultraconservadores agridem as pessoas LGBTs cada vez com mais violência.

    una lgbt

    Não é só no Brasil. “No mundo, pelo menos 72 países, estados independentes ou regiões criminalizam a homossexualidade. Dentre esses, oito aplicam pena de morte a homossexuais, segundo levantamento divulgado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (Ilga)”, acentua Conti.

    De acordo com ela, “Como o Brasil não tem leis específicas que combatam a LGBTfobia, esse tipo de violência é registrado em outros tipos de crimes, como discriminação, injúria ou agressão”.

    Por isso, os números levantados por entidades que acompanham o tema podem ser ainda muito maiores. “Com o avanço do conservadorismo, principalmente após o golpe de Estado de 2016, ficamos à mercê de mais violência ainda”, afirma Lemos.

    Já Conti diz que é preciso “avançar, resistir, lutar e construir com amplitude e unidade um Projeto de Nação que nos devolva: o desenvolvimento econômico, a democracia, a soberania nacional, os direitos trabalhistas, os direitos sociais, a liberdade de expressão, a laicidade do Estado, a alegria e a esperança de uma agenda positiva para todas as pessoas”.

    Para Lemos, a população LGBT, “como a maioria das brasileiras e brasileiros deseja um projeto de desenvolvimento que garanta a sustentabilidade e o futuro do nosso país contemplando toda a nossa diversidade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Paulo Pinto

  • De acordo com o relatório "Pessoas LGBT Mortas no Brasil" do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgado nesta quinta-feira (18), apresenta dados relevantes sobre as dificuldades da população LGBT no país. Em 2017 ocorreram 445 mortes de LGBTs, crescimento de 30% em relação a 2016, com 343 casos registrados.

    Estudos recentes mostram que o Brasil é o país onde mais se mata LGBTs no mundo. “A cada ano a situação dessa população fica mais difícil com o avanço de ideias extremamente conservadoras”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

    Ela reforça a necessidade urgente de aprovação de um projeto de lei que criminaliza a homofobia e está arquivado no Congresso Nacional há 12 anos. “É fundamental que providências sejam tomadas para impedir essa violência contra parcela da população brasileira, por mero preconceito”, emenda.

    Acesse e leia o relatório completo aqui.

    A pesquisa feita com base em notícias da mídia e relatos pessoais mostra que uma pessoa LGBT é assassinada a cada 19h no país. As mortes vêm crescendo ano a ano. Em 2000 foram 130 assassinatos, em 2010, 260 e agora 445, mais do que o triplo do que 17anos atrás.

    Relatório da organização não governamental Human Rights Watch, divulgado também nesta quinta, destaca que a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 725 denúncias de violência e discriminação contra LGBTs somente no primeiro semestre de 2017.

    “É muito assustador o que está acontecendo no país, onde os direitos básicos da pessoa humana estão sendo desrespeitados sem o menor pudor. Parece que a liberdade apavora e querem controlar a sexualidade de todas as maneiras e se não conseguem então matam”, afirma Vânia.

    O estudo do GGB mostra que os crimes são carregados de ódio chegando a mortes por asfixia, apedrejamento, degolamento, desfiguração de rosto e espancamentos.

    “O assassinato da travesti Dandara, em Fortaleza, em fevereiro do ano passado é a maior prova da barbárie predominante em nossa sociedade”, afirma Vânia. Por motivo fútil, ela foi espancada, apedrejada e depois morta a tiros por oito pessoas. O crime virou símbolo da luta contra a homofobia no país.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mais JR

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou em 17 de maio de 1990 a homossexualidade da lista dos transtornos mentais. “A homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”, diz comunicado da OMS.

    A partir dessa atitude, a data ficou marcada como o Dia Internacional Contra a LGBTfobia. “Foi quando a homossexualidade deixou de ser uma doença pela ciência e se torna, finalmente, o que ela sempre foi: apenas uma expressão saudável da sexualidade humana”, diz Nelson Matias Pereira, diretor da APOGLBT (ONG responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo).

    Um levantamento do Grupo Gay da Bahia mostra que a vida da população LGBT no Brasil é de risco constante. Somente em 2016, foram 347 assassinatos. Por isso, “devemos fazer uma reflexão e lutar contra a ruptura democrática do país que fortalece o conservadorismo”, afirma Marcelo Max, diretor do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

    Já para Silvana Brazeiro Conti, dirigente da Liga Brasileira de Lésbicas, “o Brasil pós-golpe trouxe prejuízos enormes para todo o povo brasileiro, essencialmente para a classe trabalhadora, em todos os sentidos”.

    Mas, de acordo com ela, a carga maior de opressão recai sobre “aqueles que não se enquadram na heteronormatividade”. Além dos direitos trabalhistas como aposentadoria, férias, 13º salário, descanso semanal, entre outros ameaçados, “estamos perdendo nossas conquistas civis e sociais dos 13 anos dos governos Lula e Dilma”.

    Max defende a necessidade de “fortalecer a população LGBT com a aprovação de políticas públicas principalmente como a criminalização da LGBTfobia, como forma de erradicar a violência contra quem apenas quer ser livre e viver sem medo”.

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    Para Conti, o momento é de resistência com unidade dos movimentos populares e progressistas. “É preciso entender que não existe contradição entre luta de classes e as lutas específicas”.

    Ela ressalta ainda a importância da educação como espaço de elevar os debates. Por isso, critica a Escola Sem Partido. “Criamos no Rio Grande do Sul, o Fórum Estadual em Defesa da Escola Sem Mordaça, justamente porque entendemos a escola com um espaço para a educação emancipatória”.

    “É na escola que se pode trabalhar o combate aos preconceitos e a necessidade de se respeitar as diferenças. A escola deve ser um grande espaço de diálogo e de discussão dos temas relevantes para o avanço do processo civilizatório”.

    Max concorda com ela e afirma ainda que na atual conjuntura, “devemos defender a manutenção dos direitos já existentes para a população LGBT e garantir que não haja nenhum retrocesso”.

    Para isso, é preciso “lutar contra as desigualdades e todas as violações dos direitos humanos, mito recorrentes no Brasil do ‘desgoverno’ Temer”, diz.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: www.muza.com.br