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Seg, Abr

imperialismo

  • A bomba atômica que ronda a mente de Paulo Guedes

    Já não é de hoje que políticos brasileiros se entregam cegamente ao mito da austeridade fiscal. Governos de todas as cores têm se submetido docilmente às chantagens plantadas pelos interesses rentistas e a eles prometem fazer a “lição de casa” (gastar menos do que arrecadam) independentemente das condições de temperatura e pressão da economia.

    Apesar dos alertas do FMI ou dos nobéis de economia Paul Krugman e Joseph Stiglitz sobre a ineficácia e o caráter contraproducente das políticas de austeridade, com Paulo Guedes, o estranho ultraliberal que encarna a totalização do poder econômico, a ortodoxia fiscal deverá ser levada ao paroxismo e com ela mergulharemos em uma aventura jamais experimentada nestes trópicos.

    Proclamando zerar o déficit primário já no primeiro ano de governo, Guedes e seus amigos de Chicago terão que sangrar a economia brasileira em cerca de 160 bilhões para conseguir fechar as contas não-financeiras do setor público ao final de 2019. Entre o arsenal disponível, as prioridades anunciadas são as privatizações, um farto pacote de concessões de serviços públicos e a venda de recheados campos do pré-sal. Porém, como ainda assim faltarão recursos, já se começa a ventilar uma alternativa radical, cujas consequências podem ser dramáticas.

    Conforme noticiado pela imprensa nos últimos dias, a equipe de transição cogita uma proposta de mudança constitucional que acaba com a vinculação entre determinadas receitas e despesas, liberando o orçamento para ser gasto ao sabor do governante, sem nenhum tipo de obrigatoriedade programática ou setorial. É o que, no jargão dos economistas, se chama de “orçamento base zero”: a cada ano, o governo faria a elaboração do orçamento com absoluta liberdade para alocar os recursos onde achar necessário.

    Não haveria, assim, nenhuma obrigatoriedade legal para a realização de despesas com educação e saúde, cujos mínimos constitucionais são, respectivamente, de 18% e 15%. Assim, do alto de seu trono, o czar da economia disporia apenas de seu arbítrio para decidir onde, com quem e como gastar.

    O Brasil viraria do avesso. Não apenas estaríamos na iminência de dinamitar as bases de nosso precário Estado de Bem-Estar Social, como se estaria entregando ao governo central um instrumento de poder fortíssimo, uma vez que todo e qualquer pleito da sociedade poderia se tornar objeto de barganha com o todo poderoso comandante do orçamento. Em última instância, o alcance das políticas públicas seria definido em um leilão de carne a céu aberto e as instituições republicanas estariam seriamente ameaçadas pela brutal concentração de poder no executivo.

    É mesmo muito estranho chamarem a isso de liberalismo.

    *Marcelo Manzano é economista, professor de economia da Facamp (Faculdades de Campinas) e pós-doutorando do programa de Desenvolvimento Econômico no Instituto de Economia da Unicamp.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • América Latina enfrenta uma ofensiva imperialista pela recolonização

    Numa exposição feita no Conselho Presidencial da Federação Sindical Mundial, que se reuniu em Atenas (Grécia) nos dias 3 e 4 de abril, o secretário Geral Adjunto da FSM e vice-presidente da CTB, Divanilton Pereira, destacou que o mundo vive hoje uma conjuntura marcada por “tensões e incertezas”.

    Leia abaixo a íntegra do pronunciamento do sindicalista:

    Em nome da classe trabalhadora brasileira, em particular da CTB, saúdo mais um encontro das representações sindicais que integram a concepção classista e libertária da Federação Sindical Mundial.

    Através do seu Secretário Geral, George Perros, faço uma saudação toda especial àquela que hoje, 03 de abril, completa 20 anos de existência: A PAME. Sob o lema “Sem você nenhuma

    engrenagem pode girar, trabalhador você pode sem patrões!”, tornou-se a mais autêntica e combativa central sindical grega.

    Com sua convicção internacionalista, desempenha um papel internacional relevante, destacando-se dentre outras, a sua incisiva determinação em fortalecer a Federação Sindical

    Mundial. Vida longa à PAME!

    Passado um ano do nosso último encontro no Irã, as tensões e as incertezas geopolíticas só crescem. A crise capitalista continua e alimenta a imprevisibilidade. A atual guerra comercial entre o império estadunidense e a China é a expressão da disputa entre o primeiro, que insiste em liderar um arcabouço do pós-guerra historicamente esgotado, e a segunda, que lidera uma articulação promotora da atual multipolaridade geopolítica.

    No que pese esse novo quadro, a ultrafinanceirização hegemoniza as diretrizes políticas e econômicas em escala global. A resultante é um retrocesso civilizacional, no qual a paz mundial, as democracias, as soberanias e os direitos sociais são ferozmente atingidos.

    O capital, na insana busca pelos seus acúmulos, promove um ataque sistêmico pela desvalorização do trabalho. Segundo a OIT, entre 2008 e 2014 realizaram-se 642 reformas laborais em 110 países, todas marcadas pela redução do custo da força de trabalho. Agrega-se a isso a fragmentação do processo produtivo, na qual a terceirização e a reestruturação produtiva se destacam, combinadas com as inovações tecnológicas e a revolução 4.0.

    A resultante é o crescimento do desemprego, do desalento, da informalidade, das múltiplas modalidades de subcontratação e a flexibilidade das jornadas de trabalho. O uso e o crescimento acelerado do aplicativo UBER é uma expressão desse padrão de precarização moderna. Essa degradação tem propiciado um ambiente fértil para o crescimento de forças ultradireitistas, intolerantes e fascistas em boa parte do mundo.

    Inserido nesse quadro geral adverso, a América Latina e o Caribe sofrem uma contraofensiva imperialista pela sua recolonização. Após perder influência no último período na região, os EUA buscam agora impor sua dominação. Nessa direção, patrocinaram o golpe no Brasil, a vitória direitista na Argentina e agora concentram todas as forças contra a revolução bolivariana liderada por Nicolás Maduro. A defesa desta, além do sentido estratégico para a região, tem dimensões geopolíticas, pois recebe apoio da Turquia, do Irã, da Rússia e

    da China, importantes contrapesos contra os EUA. Portanto, todo apoio ao povo venezuelano!

    No Brasil foi eleito em outubro de 2018 um representante da ultradireita, o ex-Deputado Federal Jair Bolsonaro. Um governo ultraliberal na economia, conservador nos costumes e

    autoritário nas relações políticas. Recentemente viajou aos EUA e ajoelhou-se aos pés do

    presidente Donald Trump, demonstrando total subserviência aos interesses daquele país. Lidera o apoio político contra a Venezuela e nos últimos dias, esteve em Israel em total sintonia com o regime sionista de Benjamin Netanyahu, anunciando, inclusive, a abertura de um escritório do país em Jerusalém.

    Internamente, como primeiras medidas, extinguiu o Ministério do Trabalho, apresentou ao Congresso Nacional uma nefasta reforma previdenciária e recentemente, implementou

    medidas que inviabilizam materialmente o funcionamento dos Sindicatos. No país continua a crescer o número de desempregados – mais de 13 milhões – o de desalentados e

    subcontratados. Após 2 meses de Governo o presidente já perdeu 16 pontos em sua popularidade.

    No campo da resistência sindical, a CTB e as demais centrais preparam uma greve geral para o próximo período. Um fato relevante em nosso campo é a decisão de fusão da CTB e CGTB, ambas centrais sindicais filiadas a FSM. Essa situação atual do Brasil deixa mais nítidas as razões que levaram as elites a prender ilegalmente o ex-presidente Lula: Retirá-lo da disputa presidencial e possibilitar a vitória deles. Para nós da CTB, o ex-presidente Lula é um preso

    político e por isto nos associamos à campanha nacional e internacional do Lula Livre e solicitamos aqui adesões a essa justa jornada democrática.

    É dentro desse contexto global que a FSM, ao fazer o balanço de sua atuação no último período, contata que sua agenda mais uma vez está marcada pela resistência contra o capital e reafirmando a luta como o caminho para proteger o trabalho vivo. Por isso continua a crescer. Contudo, são batalhas inconclusas e crescentes, requerendo de nós, além da unidade própria, jornadas unitárias entre aqueles comprometidos com a classe trabalhadora.

    Urge nos mobilizarmos em torno das bandeiras que sejam capazes de agregar as trabalhadoras e os trabalhadores. Nessa direção, penso que a luta pelo emprego e pelas garantias de proteção social são centrais nesse ambiente de hoje, marcado pela terceirização desenfreada e a flexibilização plena das relações do trabalho.

    Ao mesmo tempo, o sindicalismo classista não pode vender ilusões e especular em torno de uma ação sindical ludista contemporânea. Faz-se necessário aprofundar os estudos e pesquisas, criando assim uma condição para uma elaboração científica e classista sobre os impactos das inovações tecnológicas, em particular, a da 4.0, sobre o futuro do trabalho, do emprego e do próprio sindicalismo. Essa diretriz deve fazer parte da agenda estratégica contra a precarização do trabalho.

    Portanto, as nossas jornadas são desafiadoras, mas não são intransponíveis. A concepção classista da FSM nos orienta e a partir do exame concreto sobre a realidade concreta,

    acumularemos forças para superarmos a atual ordem excludente. Força companheiras e companheiros!

    Viva a Classe Trabalhadora Mundial!

    Viva a Federação Sindical Mundial!

    Muito obrigado!

  • As ligações perigosas dos heróis da Lava Jato com os EUA na mira do TCU

    O acordo que destina R$ 2,5 bilhões para uma fundação a ser criada pela Lava Jato será alvo de grande ofensiva nesta semana. O TCU espera ser demandado até a sexta (15), e ministros cogitam responsabilizar pessoalmente os dirigentes da Petrobrás que autorizaram o pacto, inclusive com bloqueio de bens. No Congresso, o PT discute ações com outros partidos. Além de recorrer ao STF e ao STJ, a sigla vê base para questionar a atitude de procuradores no Conselho Nacional do Ministério Público. A informação é da coluna Painel, do Jornal Folha de S.Paulo.

    A coluna ainda apurou que é um procedimento padrão. Técnicos do Tribunal de Contas da União dizem que o bloqueio de bens e a cobrança de dirigentes da Petrobras segue lógica adotada em casos semelhantes. Em debates informais, ministros da corte classificam o trato como "absurdo" e lesivo ao país. Prevalece o consenso de que acordo, que prevê a entrega de segredos da Petrobrás aos EUA, é contra os interesses do Brasil

    Entenda o caso

    A Lava Jato acertou um acordo inédito com a Petrobras. Por ele, a empresa pagou R$ 2,5 bilhões de reparação, para serem aplicados em projetos sociais administrados por uma fundação de direito privado recém constituída e controlada pelo Ministério Público Federal do Paraná, em conta vinculada com a 13ª Vara Federal de Curitiba, à qual pertencia Sérgio Moro.

    Os estatutos da fundação foram aprovados pela 13ª Vara. Na coordenação haverá um representante do Ministério Público do estado do Paraná, indicado pelo próprio chefe da Procuradoria. A sede será em Curitiba. Pelo acordo, terá uma orçamento anual superior ao da própria Procuradoria Geral da República.

    Dallagnol, um “agente da CIA”

    O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), que foi também governador do Paraná, condenou duramente o acordo celebrado entre Lava Jato e Petrobras para a criação da fundação privada, e denuncia que "todas as suas informações confidenciais serão entregues ao governo norte-americano. É um escárnio. Ou ele é paranoico, no combate à corrupção, ou é um agente da CIA", afirma o ex-senador, referindo-se ao procurador e um dos coordenadores da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

    "A força-tarefa da Lava Jato não tem competência para gerir orçamento público e o que está sendo criado é um estado paralelo", acrescenta Requião. Apesar da blindagem promovida pela mídia hegemônica em torno da operação, cujos protagonistas foram transformados em heróis da luta contra a corrupção, vai ficando claro que a Lava Jato, municiada pela rede de espionagem dos EUA, foi feita sob medida para servir aos interesses econômicos e geopolíticos dos EUA.

    Generosos favores

    Não foram poucos nem pequenos os favores prestados ao imperialismo norte-americano pela operação comandada por Sergio Bolsomoro, que além de bombardearem políticos e governos progressistas, ao ponto de levar Lula para a cadeia sem provar o crime que teria cometido e contribuir decisivamente para conduzir ao Palácio do Planalto um maluco de extrema-direita que colocou o Brasil no colo de Donald Trump, destruiu as multinacionais brasileiras da indústria de construção para favorecer as concorrentes estrangeiras, especialmente dos EUA.

    Resta saber se foram gestos gratuitos, explicados pela estultice e o fundamentalismo anticomunista, ou se houve recompensas para nossos heróis, como sugere o acordo que prevê US$ 2,5 bilhões para uma fundação privada associada à badalada operação, que sob a bandeira moralista do combate à corrupção ajudou a destruir a engenharia nacional e, com ela, milhões de postos de trabalho.

    É fundamental jogar um pouco mais de luz sobre esta estranha e perigosa ligação dos heróis da Lava Jato com o imperialismo, que sempre meteu os bedelhos nos assuntos domésticos do Brasil para satisfazer o apetite insaciável de suas multinacionais por benesses e lucros, associando-se às forças reacionárias locais. Não é demais recordar que em 1964 enviaram uma frota militar para águas próximas do litoral carioca em apoio ao golpe militar, episódio que ficou conhecido como Operação Brother Sam. Com toda hipocrisia, alegaram estar defendendo a democracia, discurso que repetem hoje sobre a Venezuela para ocultar o propósito real da ofensiva imperialista que ora empreendem, ou seja, o de apoderar-se das maiores reservas petrolíferas do mundo e conter a ascensão da China na América Latina, que os imperialistas consideram como mero quintal dos EUA.

    Com informações do 247

  • Bolsonaro avança contra Mercosul: "queremos proposta mais enxuta"

    O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (16) que a cooperação com a Argentina na questão da Venezuela é o exemplo mais claro de convergência de posições e identidades de valores entre os dois países.

    Em declaração no Palácio do Planalto por ocasião de visita do presidente da Argentina, Maurício Macri, Bolsonaro disse ainda que ambos concordaram a respeito da importância do aperfeiçoamento do Mercosul e de se propor uma nova agenda de trabalho para o bloco.

    “O Mercosul precisa valorizar sua tradição original de redução de barreiras”, disse ele ao lado de Macri, ao defender que o propósito é que o bloco seja enxuto e tenha relevância.

    Macri, em pronunciamento após a fala de Bolsonaro, disse que a parceria estratégica entre Brasil e Argentina se fortaleceu com a chegada ao poder do novo presidente brasileiro, e criticou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a quem chamou de “ditador”.

    Fonte: Brasil247

  • Dez mentiras sobre a Venezuela que pela repetição se tornam verdade

    A guerra híbrida que vive a Venezuela tem a desinformação e manipulação midiática como uma de suas principais armas de combate. Lemos e escutamos mentiras de analistas que nunca estiveram na Venezuela e as repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública. 

    Por Katu Arkonada*

    1 – A Venezuela tem dois presidentes

    Nada mais distante da realidade. A Constituição venezuelana estabelece em seu artigo 233 como “falta absoluta do presidente” sua morte, renúncia, destituição decretada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ou a incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica. Juan Guaidó não tem nenhum argumento constitucional para autoproclamar-se presidente, pois não há falta absoluta do presidente, que fez o juramento tal e como estabelece a Constituição em seu artículo 231: em 10 de janeiro e diante do Tribunal Supremo de Justiça. 

    2 – Guaidó tem apoio da comunidade internacional 

    Para além da hipocrisia de chamar “comunidade internacional” alguns países do Ocidente, em 10 de janeiro a posse de Nicolás Maduro contou com a representação diplomática de mais de 80 países, desde a Rússia à China, passando pelo Vaticano, a Liga Árabe e a União Africana. Esses países seguem mantendo relações diplomáticas com o governo de Maduro. Guaidó tem o reconhecimento dos mesmos países que em 10 de janeiro não reconheceram Maduro: Estados Unidos e o Grupo de Lima (exceto o México). Fora isso, só se somaram Georgia (devido à disputa territorial com a Rússia), Austrália e Israel. 

    3 – Guaidó é diferente da oposição violenta

    Guaidó é deputado pela Vontade Popular, partido político que não reconheceu as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, está condenado por ser o autor intelectual do episódio “La Salida” que impulsionou as guarimbas [manifestações violentas] de 2014, que tiveram um saldo de 43 mortos e centenas de feridos. 

    4 – A Assembleia Nacional é o único órgão legítimo 

    O artigo 348 da Constituição venezuelana autoriza o presidente a convocar uma Assembleia Constituinte, e o artigo 349 define que os poderes constituídos (Assembleia Nacional) não poderão, de forma alguma, impedir as decisões da Assembleia Constituinte. A decisão de convocar a Constituinte foi um ato de astúcia do chavismo para rifar o bloqueio da Assembleia Nacional e, gostem ou não, foi realizado com estrito apego à Constituição.

    5 – Maduro foi reeleito de maneira fraudulenta, em eleições sem oposição 

    As eleições de 20 de maio de 2018 foram convocadas pelo mesmo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que permitiu a eleição de Guaidó como deputado. Houve três candidatos de oposição que juntos conquistaram 33% dos votos e foram seguidas as normas estabelecidas na mesa de diálogos realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a oposição, com mediação do ex-presidente espanhol José Luís Rodríguez Zapatero. 

    6 – Na Venezuela não há democracia

    Desde 1998 foram realizadas cinco eleições presidenciais, quatro eleições parlamentares, seis eleições regionais, quatro eleições municipais, quatro referendos constitucionais, e uma consulta nacional [plebiscito]. Ou seja: 23 eleições em 20 anos. Todas com o mesmo sistema eleitoral, considerado um dos mais seguros do mundo pelo ex-presidente estadunidense Jimmy Carter. 

    7 – Na Venezuela há uma crise humanitária

    Não há dúvidas de que na Venezuela há agora uma crise econômica impulsionada por ordens executivas de Barack Obama e Donald Trump ao declarar o país como perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, com sanções que têm impedido a compra de alimentos e medicamentos.

    Essa crise tem provocado uma migração econômica que alguns tentam maquiar como “asilo político”, fato desmentido pelos dados: entre janeiro e agosto de 2018 a Comissão Mexicana de Ajuda ao Refugiado recebeu 3.500 solicitações de asilo de venezuelanos e 6.523 solicitações de refúgio de cidadãos hondurenhos, por exemplo, quase o dobro. 

    8 – Na Venezuela os direitos humanos são violados 

    Analisemos as cifras das guarimbas de 2017: 131 pessoas mortas, 13 das quais por disparos das forças de segurança (fato que levou 40 oficiais a serem presos e processados); 9 membros das diferentes polícias e Guarda Nacional Bolivariana foram assassinados e cinco pessoas foram queimadas vivas ou linchadas pela oposição. As demais mortes se deram enquanto pessoas manipulavam explosivos de forma irregular ou tentavam saltar das barricadas da oposição. 

    9 – Na Venezuela não há liberdade de expressão 

    As imagens destes dias de Guaidó dando declarações rodeado de microfones de meios de comunicação nacionais e internacionais desmentem tal afirmação. 

    10 – A comunidade internacional está preocupada com o Estado da democracia na Venezuela

    A comunidade internacional representada pelos Estados Unidos e o Grupo de Lima não está preocupada com os presos torturados em Guantánamo; não se preocupa com os defensores dos direitos humanos assassinados diariamente na Colômbia, não há preocupações com as caravanas de imigrantes que fogem da doutrina do shock neoliberal em Honduras e tampouco se importa com as relações do filho de Jair Bolsonaro com as milícias que assassinaram Marielle Franco. 

    Não, ninguém do Grupo de Lima e seu aliado Estados Unidos julga grave as violações dos direitos humanos nestes países todos. O que se esconde por trás desta preocupação com a Venezuela não se chama democracia. Se chama petróleo, ouro e coltan. 

     *Katu Arkonada é cientista político, autor de livros relacionados à política latino-americana e membro da Rede de Intelectuais na Defesa da Humanidade. Este artigo foi publicado originalmente no jornal mexicano La Jornada.

    Fonte: La Vanguarda I Tradução: Mariana Serafini, publicado em português pelo portal Vermelho

  • Em defesa da soberania da Venezuela: ato em São Paulo reúne centenas de pessoas; venezuelanos assinam carta aberta ao povo dos EUA contra ingerência

    Pelo menos 300 militantes dos movimentos sociais marcaram presença no ato realizado nesta sexta-feira à tarde em defesa da soberania da Venezuela. A manifestação ocorreu diante do consulado do país, na rua general Fonseca Téles, 564, no bairro Jardim Paulista. Participaram dirigentes da CTB, CUT, Intersindical, Cebrapaz, entre outras organizações dos movimentos sociais, e de partidos políticos de esquerda (PCdoB, PT e Psol).

    “Foi um ato que reuniu lideranças políticas de diferentes organizações em defesa da soberania da Venezuela, contra a intervenção militar dos EUA e por uma solução pacífica para o conflito que abala o país”, resumiu o secretário de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana.

    Carta traduz desejo do povo

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou nesta quinta-feira (7) a carta que vai enviar à Casa Branca como forma de rejeitar a ingerência dos Estados Unidos contra a Venezuela. Na Praça Bolívar, em Caracas, o chefe de Estado também assinou o documento, subscrito por cerca de 10 milhões de venezuelanos.

    “Assino pela paz, pela soberania sagrada da Venezuela em apoio ao direito à independência, à autodeterminação do povo da Venezuela”, disse Maduro. “Esta carta foi escrita pensando nas crianças e no futuro do país, no sagrado direito que temos à paz, com a convicção de autonomia”, disse o presidente venezuelano, que ressaltou que a carta é especialmente dirigida ao povo dos Estados Unidos.

    Ele lembrou que a Venezuela está ameaçada pelos Estados Unidos e seu desejo de assumir o controle dos recursos do país. Denunciou que o governo dos Estados Unidos quer tratar nossas fronteiras com o mesmo ódio que teve contra o Vietnã, para invadir a Venezuela “em nome da liberdade”.

    Maduro enfatizou que o povo venezuelano resiste porque tem um alto nível de participação na tomada de decisões políticas. Ele alertou o povo estadunidense de que a invasão da Venezuela é um perigo e denunciou que o presidente Donald Trump tentou sabotar o diálogo entre o governo e a oposição, ideia promovida pelo México, Uruguai e Bolívia.

    “Sabemos que para o bem da Venezuela é preciso sentar e conversar”, disse Maduro. A carta aberta se refere também ao bloqueio financeiro imposto por Trump e que afeta a economia venezuelana. E frisou que uma agressão viola a Carta das Nações Unidas, que rejeita o uso da força nas relações entre os países.

    No final, o presidente Maduro pediu aos estadunidenses que acompanhem os venezuelanos na rejeição às ameaças e ações de interferência do governo dos EUA contra a Venezuela.

    Da Redação, com informações da Agência Venezuelana de Notícias

  • Ex-diretor do FBI diz que, em reunião, Trump queria guerra com a Venezuela porque “eles têm todo o petróleo”

    O ex-diretor do FBI Andrew McCabe falou a um program de entrevistas da rede MSNBC sobre uma reunião com Trump em 2017.

    “Eu não entendo porque não estamos olhando para a Venezuela”, teria dito o presidente Trump, segundo McCabe. “Por que não estamos em guerra com a Venezuela? Eles têm todo o petróleo e estão na nossa porta dos fundos”, acrescentou.

    A revelação do ex-diretor não é de causar surpresa a quem acompanha com espírito crítico os dramas internacionais. Ela corrobora as denúncias recorrentes do governo Maduro e das forças progressistas que prezam o sagrado direito das nações à autodeterminação e lutam pela paz contra o arbítrio imperialista e as guerras que promove. Sob o falso manto da "intervenção humanitária" os EUA preparam a invasão militar do país para se apropriarem das maiores reservas de petróleo do mundo.

  • Faltou assunto pra Bolsonaro em Davos

  • Forças Armadas venezuelanas rechaçam ameaças dos EUA e reafirmam defesa da Constituição e condenação ao golpe

    A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) defende o respeito à constitucionalidade, a paz e o desenvolvimento da Venezuela para enfrentar os intentos golpistas, disse nesta quarta-feira (6) o chefe do Comando Estratégico Operacional, Remigio Ceballos.

    “Diante das ameaças intervencionistas do governo dos Estados Unidos temos uma força armada que tem entre suas tarefas fundamentais a defesa militar, a cooperação na manutenção da ordem interna e a participação ativa no desenvolvimento nacional”, destacou o líder militar em entrevista à Telesul.

    A FANB está construída como uma força de paz, humanista e ao mesmo tempo preparada para fortalecer a capacidade defensiva da nação, sublinhou.

    “Na Venezuela a soberania é exercida através do texto constitucional e do voto e isto é o que estamos defendendo", disse a propósito da convocação feita pela elite opositora ao apoio dos militares ao estabelecimento de um governo paralelo no país.

    De acordo com Ceballos, a consciência patriótica e o espírito combativo são as armas mais poderosas de um civil ou militar e isso “ninguém vai romper porque ademais temos uma carga histórica de grande sentimento de defesa da pátria".

    “Através da Carta Magna vamos defender a pátria, suas instituições, porque fazemos um juramento de até perder a vida se for necessário e não abandonar jamais nossos superiores”, ressaltou.

    Nessa contexto, as forças armadas venezuelanas realizam desde o final de janeiro a preparação dos exercícios cívico-militares a propósito dos 200 anos do Congresso de Angostura.

    A preparação do cenário nacional para as manobras militares, que se desenvolverão de 10 a 15 de fevereiro, ratifica o compromisso das forças militares com a defesa da nação, esclareceu o presidente Nicolás Maduro.

    Estas ações se realizarão com a finalidade de garantir a preparação e a coesão da FANB, assim como fortalecer a capacidade defensiva do país.

    Fonte: Resistência, com Prensa Latina

  • Guaidó terá de prestar contas à Justiça se deseja voltar à Venezuela, avisa Maduro

    Golpista orientado pelos EUA proclamou um governo paralelo e não respeita as leis do país

    Em entrevista à TV americana ABC, o presidente da Venezuela Nicolás Maduro mandou um recado ao golpista Juan Guaidó, que por ordem do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, se autoproclamou presidente em aberto desafio ao chefe do Executivo e à Corte Suprema.

    Quando questionado se permitiria a volta de Guaidó ao país, Maduro disse: "Ele pode sair e voltar, mas terá que dar explicações à Justiça, porque foi proibido de deixar o país. Ele tem que respeitar as leis."

    Guaidó foi proibido de deixar o país e teve contas bloqueadas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que é alinhado a Maduro. Em janeiro, ele chegou a ser detido por agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) por cerca de uma hora.

    Apelo à traição

    O golpista cruzou as fronteiras do país, afrontando o Poder Judiciário, e se encontra na Colômbia, onde se reuniu com o vice-pesidente estadunidense, Mike Pence, e participou da grotesca novela da “ajuda humanitária”, apelando a comandantes e oficiais das Forças Armadas Bolivarianas para que traíssem o presidente e se bandeassem para o lado dos EUA. Acabou dando com os burros n´água.

    Maduro acusa Guaidó de tentar estabelecer um governo paralelo durante a reunião do Grupo de Lima, que foi realizada em Bogotá na segunda-feira (25) para tratar da crise no país sul-americano.

    O Grupo de Lima é formado por 14 países das Américas. A maioria, governada por direitistas neoliberais submissos aos ditames de Washinton, reconhece Guaidó que se autoproclamou presidente interino da Venezuela. O México integra o fórum, porém não o reconhece, pois tem hoje um governo progressista.

    O líder golpista está em território colombiano desde sexta-feira (22). Guaidó compareceu ao Venezuela Aid Live, festival bancado por um bilionário norte-americano e realizado na fronteira com a Colômbia como parte das chantagens embutidas na ajuda humanitária, cujo objetivo frustrado era esvaziar o governo Maduro e viabilizar a transferência de poder para Guaidó.

    Pau mandado dos EUA

    No dia seguinte, ele liderou a tentativa frustrada de envio do Cavalo de Troia disfarçado de ajuda humanitária para a Venezuela. A iniciativa golpista morreu nas fronteiras do país com a Colômbia e o Brasil. Na segunda-feira (25), Guaidó participou da reunião do Grupo de Lima e disse que voltaria à Venezuela ainda nesta semana.

    Mas agora terá que prestar contas à Justiça, pois conspira abertamente com autoridades estadunidenses, como ninguém menos que o vice Mike Pence, contra o governo de Nicolás Maduro, que conta com a lealdade e o firme apoio das Forças Armadas Bolivarianas, da Corte Suprema e da população mais pobre.

    Guaidó não passa de um pau mandado de Donald Trump e Mike Pence, um capacho que chegou ao ponto de defender a intervenção militar do imperialismo no próprio país, o que pode ser muito bem interpretado como crime de lesa-pátria, de traição.

    Direito à paz

    Na mesma entrevista, Maduro insistiu que os EUA realizam um plano para "fabricar uma crise" na Venezuela, o que justificaria uma intervenção não apenas em seu país, mas em toda a América do Sul. Segundo ele, "tudo o que o governo dos Estados Unidos fez foi condenado ao fracasso".

    "A Venezuela tem o direito à paz, tem instituições legítimas. Eu (...) estou preparado para um diálogo direto com o seu governo. Somos sul-americanos, temos que buscar soluções do século 21, não para a Guerra Fria. A Guerra Fria deve ser deixada para trás", disse ele, num recado ao presidente dos EUA, Donald Trump.

    Ele insistiu que Trump se tornou presidente graças ao "caminho fraturado" deixado por seu antecessor, Barack Obama, e reiterou sua disposição em dialogar com o republicano para ter relações respeitosas.

    Maduro disse que não teme o presidente norte-americano, mas se preocupa com quem está ao seu redor, como o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, o assessor de segurança, John Bolton, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o encarregado das relações com a Venezuela, Elliott Abrams.

    "Eu acho que essas pessoas que cercam o presidente Trump são ruins. E acho que, em certo momento, o presidente Trump terá que dizer 'temos que ver o que acontece com a Venezuela e mudar nossa política'", disse ele.

  • Maduro: levaremos a Venezuela pelo caminho da prosperidade

    Nesta quinta (10), o chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, assegurou durante seu juramento presidencial diante do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que levará o país pelo caminho da prosperidade social e econômica.

    Durante a posse, o mandatário jurou fazer cumprir os mandatos da carta magna de defender a independência e integridade da Pátria.

    "Juro em nome do povo da Venezuela, por nossos antepassados e o grande cacique Guicaipuro, pelo Primeiro Negro e os nossos povos afrodescendentes, pelo Libertador Simón Bolívar, pelos libertadores da América, pelo legado do comandante Hugo Chávez, pelos meninos do país, que não darei descanso a meu braço e repouso a minha alma, e que cumprirei e farei cumprir todos os mandatos da Constituição para tentar defender a independência e a integridade absoluta da Pátria", expressou.

    Para seu novo exercício presidencial, Maduro foi eleito com 67,84 por cento dos votos, nas eleições realizadas em 20 de maio de 2018.

    Fonte: Prensa Latina

  • Mensagens reveladas pela PF sugerem que Vale sabia da iminência da tragédia em Brumadinho

    E-mails trocados entre profissionais da Vale e de duas empresas ligadas à segurança da barragem de Brumadinho mostram que, dois dias antes do rompimento, a mineradora já havia identificado problemas nos dados de sensores responsáveis por monitorar a estrutura. A Polícia Federal (PF), que investiga o caso, identificou os e-mails. De acordo com o último levantamento, 150 pessoas morreram na tragédia e 182 estão desaparecidas.

    Depoimentos prestados por dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis por laudos de estabilidade da barragem, referem-se às mensagens, segundo a TV Globo. Eles haviam sido presos em dia 29 de janeiro, mas por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) foram soltos na terça-feira (5). Os advogados Augusto de Arruda Botelho e Brian Alves Prado, que defendem os engenheiros, disseram que não comentarão o conteúdo do depoimento.

    Já o delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, referiu-se, no depoimento, à existência dos e-mails trocados entre os funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, outra empresa contratada pela Vale. Segundo Nogueira, as mensagens começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até as 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu em 25 de janeiro, às12h28min25s.

    Vale pressionou engenheiro

    Nas perguntas, Nogueira afirma que o assunto das mensagens “diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10 de janeiro de 2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 piezômetros automatizados”. No depoimento não constam, no entanto, detalhes sobre as mensagens.

    O engenheiro Makoto Namba afirma que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem. Depois de ler as mensagens para Namba, o delegado o questionou: “qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem?”.

    Namba respondeu, segundo o relatório da PF, que “após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis”.

    No depoimento, Makoto Namba também falou sobre uma reunião com funcionários da Vale sobre o laudo de estabilidade assinado por ele. Segundo o engenheiro, um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha o perguntou: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Namba disse à PF ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018. No entanto, ainda assim, assinou o documento.

    Segundo ele, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”. A TÜV SÜD informou que não comentaria o assunto por estar sob sigilo.

    Parece evidente que a direção da empresa sabia (pois estava bem informada) que a tragédia era iminente, mas prefeririu instruir um subordinado a chantagear os engenheiros (únicos presos na história) para assinar um laudo mentiroso sugerindo a inexistência de riscos. A irresponsabilidade dos proprietários privados, cuja única preocupação é com os lucros, já havia sido largamente demonstrada em Mariana e não deveria ser colocado novamente à prova. Há muito eles deviam estar presos, mas a Justiça brasileira, implacável com os pobres e com seus líderes (como Lula), é por demais convincente com os mais ricos, que continuam declamando, agora pela boca dos Bolsonaros, a falsa ladainha de que a privatização é a cura para todos os males da economia brasileira. Privatização é o nome da tragédia.

  • Movimentos sociais realizam ato em solidariedade à Venezuela nesta sexta em São Paulo

    Lideranças dos movimentos sociais realizan nesta sexta-feira (8), às 14 horas, na capital paulista, uma manifestação de solidariedade à Venezuela e ao seu legítimo presidente, Nicolás Maduro, diante do Consulado da Venezuela, situado na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista. A direção da CTB, que estará presente na manifestação, divulgou nota contra a intervenção imperialista liderada pelos EUA no país. Leia abaixo:

    O povo venezuelano e a sua revolução bolivariana vivem uma de suas maiores ameaças. Um consórcio internacional golpista, liderado pelos Estados Unidos, fabricou um desconhecido fantoche (Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente) e, através dele, agride as normas das relações internacionais e tenta derrubar o presidente legitimamente eleito do país, Nicolás Maduro. 

    Neste momento, a luta anti-imperialista desloca-se para a América Latina e tem como centro a defesa da autodeterminação do povo venezuelano e o respeito da América Latina como uma Zona de Paz. Como aprovou a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2014, “baseada no respeito aos princípios e normas do Direito Internacional", os países se comprometem a solucionar pacificamente suas diferenças e conflitos, "expatriando para sempre" a ameaça da força como ferramenta política na região.

    O combate à ingerência externa contra a Venezuela tem a ver com o enfrentamento da onda direitista no mundo e em nossa região. Assim pensam e se orientam os classistas da CTB. 

    O povo venezuelano está fazendo a sua parte, resistindo nas ruas. Quanto a nós, devemos intensificar atos e agendas que denunciem mais uma manobra imperialista e prestar total solidariedade ao povo venezuelano e ao seu presidente Nicolás Maduro.

    Com base nessas opiniões, a reunião ocorrida ontem, 05/02, em São Paulo, a maior e mais representativa do Comitê pela Paz na Venezuela desde a sua constituição em 2017, definiu uma atividade que expressa nossa solidariedade e combate ao cerco midiático golpista contra a soberania da Venezuela (veja abaixo).

    Mãos à obra!

    Adilson Araújo - 

    Presidente nacional da CTB

    Nivaldo Santana - Secretário de Relações Internacionais da CTB

  • Movimentos sociais solidários com a Venezuela contra ofensiva dos EUA

    A Venezuela está sob forte pressão dos EUA, que pretendem consumar um golpe contra o presidente Nicolás Maduro, legitimamente eleito, e impor ao país um novo regime político liderado pelo deputado Juan Guaidó. Na próxima sexta-feira (8), às 14 horas, lideranças dos movimentos realizarão uma manifestação de solidariedade ao país e ao presidente Maduro diante do Consulado da Venezuela em São Paulo, na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista.

    “Vamos defender o sagrado direito do povo venezuelano à autodeterminação e denunciar a intervenção imperialista dos EUA”, comentou Divanilton Pereira, vice-presidente da CTB. Veja entrevista de Maduro no youtube sobre a conjuntura do país: https://www.youtube.com/watch?v=79yrsvJDVRA.

  • Nova “ação terrorista” na Venezuela é atribuída aos EUA

    Um incêndio afetou três tanques de armazenamento de petróleo em uma instalação da estatal venezuelana PDVSA na Faixa do Orinoco - informou o governo nesta quinta-feira (14), atribuindo o fato a uma "ação terrorista" dos Estados Unidos.

    A deflagração aconteceu na quarta à tarde em Petro San Félix (estado Anzoátegui, ao norte), disse o ministro do Petróleo e presidente da PDVSA, general Manuel Quevedo.

    "Foi uma ação terrorista que denunciamos em nível internacional", declarou o oficial à emissora pública VTV.

    Quevedo culpou, em particular, o senador republicano americano Marco Rubio, considerado um dos artífices da estratégia dos Estados Unidos para tirar do poder o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

    Eis a mensagem que ele postou na internet:

    "@MarcoRubio ordenou mais violência na Venezuela. A direita e sua marionete @jguaido aumentaram as incursões terroristas contra a PDVSA. Atacaram os Tanques de Armazenamento de Petro San Félix para afetar a produção petroleira. Entreguistas", disse o o general no Twitter.

    O ministro se referia ao líder de oposição Juan Guaidó, lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente interino da Venezuela por orientação do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

    Quevedo não relatou feridos no atentado, que acontece uma semana depois do início de um apagão que afetou por dias 22 dos 23 estados do país, além de Caracas.Maduro atribuiu o corte de energia a "ataques cibernéticos e eletromagnéticos" do Pentágono e ao Comando Sul americano.

    O sistema de energia elétrica já foi restabelecido na Venezuela. O apagão começou há uma semana, na quinta passada, e afetou todo o país. Um incêndio teria sido a causa do blecaute. O governo Maduro encontrou indícios materiais de sabotagem, enquanto os EUA e a oposição usaram o episódio para tentar manter acesa a chama do golpismo.

    A Faixa do Orinoco abriga as maiores reservas de petróleo do mundo e os imperialistas norte-americanos estão ávidos para se aproprierem desta riqueza, o que explica a escancarada ingerência nos conflitos domésticos do país. Em abril de 2002 eles estiveram por trás de um fracassado golpe contra Hugo Chávez.

    "Os EUA decidiram, também, despojar a Venezuela de seus recursos petroleiros em troca de apoiar @jguaido com violência. Os gringos não querem intercâmbio econômico. Pediram os campos de petróleo em propriedade. Sentem desprezo pelos venezuelanos", afirmou Quevedo.

  • Sergio Moro: um “agente político da direita parceiro do Departamento Americano de Justiça”?

    A alta classe média e a burguesia, com a cumplicidade da mídia golpista, transformaram o juiz Sergio Moro, algoz de Lula e agora ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, numa espécie de herói da luta pela moralidade pública, um cidadão que deve ser considerado acima de qualquer suspeita e também acima do comum dos mortais, a quem se permite o privilégio de extrapolar os limites da Lei.

    Mas para quem analisa com maior senso crítico e rigor os fatos e enxerga além da cortina de fumaça com que a mídia entretém a chamada opinião pública, a reputação do chefe da República de Curitiba, que se tornou ministro de um governo de extrema direita, é bem outra. É o que nos sugere a entrevista do jornalista estadunidense Brian Mier, autor do livro “Vozes da esquerda brasileira”, à rede de notícias independente “Real News Network”.    

    ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça", alerta o escritor. Esta estranha e perigosa relação do juiz curitibano com autoridades da maior potência imperialista do mundo, que esteve por trás do golpe militar de 1964 e deixou também suas impressões digitais no golpe de Estado de 2016, deveria despertar indignação ou pelo menos curiosidade nos grandes meios de comunicação nativos, que todavia fingem desconhecer os fatos, conspirando para acobertá-los e manter de pé a falsa narrativa da direita neoliberal sobre os dramas políticos brasileiros e seus personagens.

    O Portal CTB reproduz abaixo o resumo da entrevista com Brian Mier, feito por Sergio Albuquerque e publicada originalmente no Portal GNG.

    A rede independente de notícias “Real News Network” (12/2) explicou aos americanos a segunda condenação de Lula pela pupila do ex-juiz Sérgio Moro, Gabriela Hardt. A rede informou que a julgadora recusou-se a ler qualquer tipo de defesa. Greg Wilpert, editor-gerente da Real News, entrevistou Brian Mier, editor do site de notícias “Brasil Wire” e autor do livro “Voices of the Brazilian Left” (“Vozes da esquerda brasileira”).

    Relações perigosas com os EUA

    O relato de Mier foi revelador:

    “… (Moro) construiu o caso com constante suporte do Departamento Americano de Justiça. Patrick Stokes voou a Curitiba algumas vezes. Eles utilizam táticas do Departamento de Justiça, principalmente baseando a condenação inteira em um acordo de delação, como o Departamento fez contra o Senador Ted Stevens em 2009 no Alasca, em caso que foi posteriormente anulado”.

    Mais à frente na entrevista, Wilpert arguiu o editor e autor sobre a “imparcialidade de Moro”, e sua sucessora, Hardt. ”Ela, de alguma forma, é melhor que ele? questionou. Mier respondeu: ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça, e o tem feito por anos. Ele não tem nenhuma imparcialidade”. Sobre sua sucessora, o editor comentou: “ela jogou fora 1146 páginas de evidências provando a inocência de Lula que foram submetidos pela defesa. Ela nem mesmo olhou para elas”, anotou Mier.

    Não vou comentar a explicação do caso de Atibaia ao público norte-americano. Apenas comunico que o editor, que mora no Brasil, ficou perplexo com o fato do filho de um antigo amigo de Lula (Jacob Bittar) ter sido apontado como falso dono de um sítio que na verdade pertenceria a Lula, de acordo com seus acusadores. Contrariando toda a documentação do registro de imóveis, e sem nenhuma prova de que Fernando Bittar, um bem sucedido homem de negócios e proprietário do Sítio em Atibaia, não é o dono efetivo e legal do imóvel. Lula foi condenado “porque passava os natais lá com a família desde os anos de 1970”, declarou o editor ianque.

    Investigador-chefe, promotor e juiz

    A próxima pergunta de Wilpert revelaria o comportamento do Judiciário Brasileiro no caso de Lula:

    “Neste caso, Moro teve papel de investigador-chefe e promotor, além se ser o juiz. Isto soa muito estranho para o público nos Estados Unidos, onde esses papéis tendem a ser separados. Como isso funciona no Brasil, e como pode alguém como Lula ter um julgamento justo em tais circunstâncias?”

    Mier respondeu que o nosso país “é um dos únicos, senão o único, a aplicar as leis como a Inquisição”. Sobre a atuação de Moro, Mier disse que “isso não é comum no Brasil”, quando comentou o triplo papel do magistrado – agora ministro. No caso de Lula, tudo foi consentido. O que fez o entrevistado comparar nossa Justiça à Inquisição. Ela comportou-se assim com Lula. Como a Inquisição da Hierarquia Católica – o “Santo Ofício” e seus “familiares”, há séculos atrás.

    Lula só terá chance de justiça com a mudança do regime, concluiu o entrevistado.

  • Venezuela: a guerra híbrida desencadeada pelos EUA pode desaguar na intervenção direta

    Obscurecida por uma cortina de fumaça midiática que nos quer convencer de que se trata de um dilema entre democracia (concebida como um valor universal) e ditadura, os conflitos políticos que sacodem a Venezuela e envolvem todo o seu entorno adquirem cada vez mais os contornos de um embate geopolítico que opõem notoriamente os Estados Unidos à China e à Rússia.

    O objetivo à margem da retórica é o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e preservação da hegemonia mundial. A Europa, embora aparentemente em cima do muro e desfiando contradições e remorsos, tende a respaldar as aventuras da Casa Branca.

    O governo de Nicolás Maduro conta com o apoio da China (que investiu cerca de US$ 70 bilhões na Venezuela) e da Rússia, que defendem o consagrado direito internacional das nações à autodeterminação, que por definição exclui e condena a possibilidade de intervenção estrangeira em pelejas domésticas, princípio também proclamado pela Celac e pelos governos progressistas da América Latina e Caribe.

    Onda conservadora

    Mas a onda conservadora que invadiu o continente ao longo dos últimos anos, distribuindo golpes de Estado e fortalecendo políticos conservadores, alterou as percepções e a correlação de forças políticas, revertendo o processo de integração regional que desaguou na Celac e desenhou um novo arranjo geopolítico hostil ao hegemonismo de Washington, que parece ter recuperado o comando da situação.

    Não se pode dizer por quanto tempo o quadro atual prevalecerá, mesmo porque ele não está em sintonia com as transformações econômicas, objetivas e silenciosas, ocorridas nas últimas décadas, traduzidas na ascensão da China, que se transformou na maior economia do planeta, e na progressiva decadência do poderio econômico relativo dos EUA.

    A sensação de declínio, ampliada com Donald Trump e sua guerra comercial, deixou os imperialistas americanos ainda mais arrogantes e belicosos. A forma com que se conduzem diante da crise na Venezuela, apoiando abertamente um golpe de Estado, é emblemática. Os EUA deflagraram o que alguns críticos do imperialismo caracterizaram como guerra híbrida, uma espécie de guerra por procuração, terceirizada, promovida por lacaios.

    Porém, frente à resistência do governo Maduro, que conta com o precioso apoio das Forças Armadas, da Corte Suprema e da população mais pobre, o impasse se agravou e crescem os indícios de que a guerra híbrida tende a evoluir para uma intervenção militar direta.    

    Intervenção militar

    Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, o governo dos Estados Unidos está "preparando o cenário" para uma intervenção militar no país e a narrativa de "intervenção humanitária" (para defesa da democracia) não passa de uma "operação de encobrimento". A decisão de intervir militarmente já foi tomada, de acordo com informações da porta-voz ao RT, canal estatal russo de televisão.

    “Continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”, disse a representante do governo da Rússia, aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

    A crise no país sul-americano se acentuou depois que o deputado oposicionista Juan Guaidó, com o apoio dos Estados Unidos, se autoproclamou presidente República. Ele foi reconhecido por uma série de países aliados aos EUA e pela União Europeia. Países como China, Turquia e Rússia, no entanto, seguem reconhecendo a legitimidade de Maduro.

    Para a porta-voz do governo da Rússia, a presença de militares norte-americanos na área de fronteira da Venezuela, que ocupam essas regiões sob a justificativa da “ajuda humanitária”, não passa de uma “operação de encobrimento” que tem, por objetivo, a intervenção militar direta.

    Operação de encobrimento

    “Nesta situação, você chega a uma conclusão óbvia: de que Washington já tomou a decisão de intervir militarmente na Venezuela. Todo o resto é operação de encobrimento”, disparou.

    As declarações de Zajárova vêm quatro dias após o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, admitir que tem a intervenção militar como uma “opção” para resolver a crise na Venezuela.

    “Gostaria de lembrar que tais declarações de autoridades norte-americanas são uma violação direta do artigo da Carta da ONU, que obriga todos os membros da organização a não ameaçarem ou fazerem o uso da força em suas relações internacionais”, disse a porta-voz.

    Cúmulo do cinismo

    Na mesma declaração desta quinta-feira (7), a porta-voz do governo russo chamou de “cúmulo do cinismo” a postura dos Estados Unidos ao criticar o governo de Nicolás Maduro ao mesmo tempo em que impõe sanções econômicas que agravam a crise no país.

    “Eles dizem que os venezuelanos vivem mal com este governo. Bem, não imponham sanções! Deixe o estado vivo para que se desenvolva e resolva seus próprios problemas, não os agrave”, pontuou. A hipocrisia já foi considerada por um atento observador como um patrimônio nacional dos EUA, embora seja um patrimônio exclusivo das suas classes dominantes. É, com efeito, uma arte na qual são inigualáveis.

    Umberto Martins, jornalista, editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho".