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Qua, Jun

MPB

  • Há 20 anos, o Brasil perdia um de seus artistas mais inovadores: Francisco de Assis França, o Chico Science, teve sua breve e intensa carreira encerrada em um domingo. Era 2 de fevereiro de 1997, quando a vida do músico foi interrompida aos 30 anos de idade em um acidente de carro.

    O músico encabeçou o movimento Manguebeat, que projetou mundialmente a cena cultural que fervilhava no Recife. Ana Sousa, curadora da Ocupação Chico Science, realizada pelo Itaú Cultural em 2010, considera que o músico deu voz a uma cena musical prestes a explodir.

    “Chico Science foi uma espécie de abre alas, foi o porta-voz desse processo. A relevância dele está no campo das composições e criações, mas é também desse cara que era do palco, que trouxe essa mise-en-scene de novo pra cena pernambucana”, considera.

    Há muito o Brasil não via um movimento musical e estético alcançar tamanha projeção, a ponto de o crítico musical Jon Pareles, no jornal norte-americano The New York Times, apresentar Science como fundador do movimento de maior impacto na música brasileira desde a Tropicália. O texto é “Chico Science, 30, Brazilian Pop Music Star”, publicado após a morte do músico.

    “As letras combinam protesto político com imagens visionárias, e Chico Science as performou com exuberância, misturando movimentos de break-dance com a ciranda brasileira, usando um chapéu de palha de pescador tradicional e óculos escuros de um rocker”, descreveu Pareles na edição de 5 de fevereiro de 1997 do jornal.

    “Ele era um gênio artista. Acho que para além da questão musical, ele era um performer. Até quando dava entrevista, ele não era o Chico, era o Chico Science... se construía nessa persona e isso exige muita consciência artística”, considera Ana Sousa.

    Entre abril de 1994 até o dia do acidente, Science gravou dois discos que alcançaram repercussão mundial, com prensagens nos EUA, Europa e Japão, e realizou duas turnês mundiais à frente da banda Chico Science & Nação Zumbi.

    Chico Science e Nação Zumbi interpretam Maracatu Atòmico, de Jorge Mautner: 

    “Parece que alguma coisa estava dizendo: ‘olha, corre e faz um monte porque não vai durar muito’. A sensação é essa, pela quantidade de coisas que a gente conseguiu fazer. É como se a gente tivesse correndo contra o tempo”, considera Paulo André Pires, empresário da banda.

    “Ele era um cara empenhado no sonho dele, nas coisas que queria fazer, tinha uma visão estratégica do trabalho muito boa. Tinha toda uma coisa de pensar o trabalho, a evolução da banda, a música e o contexto social em que o trabalho estava inserido”, lembra a irmã Goretti, com quem Chico morava em um apartamento no Recife.

    Auge da carreira: 1996

    O ano de 1996 projetou Chico Science & Nação Zumbi definitivamente para o mundo após o lançamento do segundo disco, Afrociberdelia. A banda se mudou do Recife para o Rio de Janeiro em dezembro de 1995 para facilitar o contato com o mercado fonográfico.

    “Pra que a gente fizesse mais show, estivesse mais perto e disponível, a gente resolveu mudar pro Rio porque a gravadora era lá também”, lembra o empresário.

    Os músicos trabalharam no disco até janeiro de 1996. Ainda nesse mês, se apresentaram no festival Hollywood Rock Brasil, ao lado de nomes como The Cure, Smashing Pumpkins, Supergrass e Page & Plant. O disco Afrociberdelia foi lançado em julho, momento em que a banda seguia para sua segunda turnê internacional, que percorreu sete países da Europa e EUA.

    Chico Science & Nação Zumbi passou por treze cidades e tocou em festivais de música pop entre 11 e 27 de julho daquele ano. Tocou ao lado de nomes como Beck, Nick Cave, Coolio e Ministry. Na Alemanha, se apresentou para 20 mil pessoas em Karlsruhr.

    A banda participou pela segunda vez do Montreaux Jazz Festival, na Suiça, onde os brasilienses do Paralamas do Sucesso fizeram o show de abertura para os músicos do Recife. O disco Afrociberdelia chegou ao 5º lugar na World Music Charts Europa.

    Cansaço

    Ao final de um ano, Chico se sentia cansado com o volume de trabalho e pediu para tirar férias. Foram oito shows em outubro e nove em novembro, quando a banda teve que entregar o apartamento alugado no Rio. O último show com a presença de Science aconteceu no dia 2 de dezembro, no Canecão.

    “Chico estava reclamando de muito trabalho.... essa intensidade, quase um show a cada três dias. Eu falava pra ele: ‘cara, vamos parar quando acabar o contrato do apartamento, tu tira férias e volta pro Carnaval’”, lembra o empresário Paulo André.

    A cidade, de Chico Science e Nação Zumbi: 

    Quando voltou ao Recife, Chico passou a dividir um apartamento com a irmã Goretti, que compartilhou com o músico seus últimos meses de vida. Única mulher de quatro filhos, pouco mais velha que Chico, o caçula, Goretti também lembra que o fim de 1996 foi de muito cansaço para o músico.

    “Nessa época, a memória que eu tenho mais forte era de muito cansaço. Cansado mesmo dessa coisa da turnê, do trabalho, do disco... essa coisa toda e queria descansar um pouco. Tanto que ele disse que chegou a desmarcar compromisso porque ele queria umas férias”, lembra.

    Após a entrega do apartamento, os músicos tiraram férias de dois meses e Chico seguiu para a Europa.

    Novas influências e projetos

    Na volta ao Brasil, após o período de descanso, a irmã Goretti lembra de um Chico renovado.
    “Ele voltou refeito, cheio de boas ideias, ouvindo muita bossa nova, muito apaixonado.Tava num momento muito tranquilo e ouvindo Elis Regina e Taiguara, todo apaixonadinho”, lembra.

    Chico também queria um retorno maior do trabalho que, apesar da repercussão, não tocava com frequência nas rádios brasileiras. Um dos projetos era passar um tempo em Nova York para difundir mais o trabalho nos EUA e tentar uma aproximação da Nação Zumbi com o hip hop norte americano.

    “Com essa dificuldade no Brasil de rádio não querer tocar, a ideia da gente era investir internacionalmente. Então a gente já tinha pensado em passar uns dois meses por exemplo em Nova York”, lembra Pires.

    O contrato de Chico Science & Nação Zumbi com a Sony previa a gravação de três discos. Com dois deles já lançados – Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996), o mangueboy também pensava em como tocar sua carreira de forma independente num futuro próximo.

    “Chico pensava em fazer um selo pra lançar também outros artistas, fazer um projeto social – que era o Antromanque. Chico era um cara muito inquieto e a fim de fazer muita coisa.”

    Todos estão surdos, de Chico Science e Nação Zumbi: 

    O dia do acidente

    Science seguia em direção ao Recife onde se apresentaria pela primeira vez em um trio elétrico no bloco na Pancada do Ganzá, do músico e humorista Manoel da Nóbrega, marcado para 20h do dia 3 de fevereiro, na praia de Boa Viagem. Ele chegou a subir no trio elétrico ao lado do humorista uma semana antes em uma prévia para divulgar a apresentação no carnaval. Seria a última vez que Chico se apresentava ao público.

    O Fiat Uno da cor branca que o músico dirigia se chocou contra um poste na rodovia PE-1, divisa entre Olinda e Recife (PE), às 19h30.

    Um policial militar que estava em um ônibus viu o acidente e desceu para prestar socorro. O músico foi levado ao Hospital da Restauração, mas já chegou sem vida ao local cerca de uma hora e meia após o acidente.

    “Ele chegou morto, então nem colocaram ele numa maca. Ele estava no chão de uma sala de hospital, todo perfeito, mas com uma longa poça de sangue embaixo da cabeça, porque teve um corte profundo na nuca”, lembra Paulo André.

    A família do músico acionou a Justiça, após perícia no carro que o cantor conduzia, para constatar que a fivela metálica de segurança se rompeu no impacto com o poste. Em 2007, quando completaram dez anos do acidente, a família do músico recebeu indenização por meio de um acordo com a empresa Fiat.

    Como seria Chico Science hoje?

    A pergunta passou pela cabeça de sua irmã ao encontrar com o músico Siba, conterrâneo e contemporâneo de Chico, no aeroporto em Recife.

    “Ele tava com a barba branca e eu fiquei olhando pra ele e pensando, assim, como seria o rosto de Chico hoje? Aí fiquei tentando achar que cara ele teria. Talvez menos cabelo, a barba grisalha, um pouquinho barrigudo, apesar que ele corria sete quilômetros por dia. Ele era maravilhoso. Eu acho que uma vantagem de morrer cedo é que você fica com a idade que você tinha. Então vamos imaginá-lo um homem no auge da sua maturidade, com toda alegria e leveza que ele tinha aos 30, quando foi embora.”

    A questão sobre como seria Chico hoje em dia também chegou a Paulo André por meio da pergunta de um jornalista.

    “Ele estaria interagindo em todas as formas de redes sociais possíveis, estaria interagindo com o mundo. Isso facilitaria muito a interação dele com outros artistas porque ele também era muito de trocar ideia, de conhecer outra galera”, imagina o produtor.

    Ouça na íntegra o disco Da lama ao caos: 

    Por Leandro Melito, da  EBC

  • Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Na sexta-feira (3), o Portal CTB selecionou oito canções do rico repertório da música popular brasileira para homenagear as mulheres pelo 8 de março – Dia Internacional da Mulher (veja aqui). Agora repete a dose para atender a inúmeros pedidos. Nas duas publicações são 16 canções da mais fina flor da MPB.

    O cancioneiro brasileiro sempre encantou o imaginário popular, com profunda ligação aos temas candentes da sociedade. As questões da mulher não fogem à regra e fazem parte da nossa música com intrínseca ligação entre os anseios femininos de igualdade, liberdade e justiça.

    A temática evolui conforme ocorre evolução da luta emancipacionista promovida pelas feministas, que não nasceu hoje, tem história. Mas a MPB acompanha com muita poesia cantada como só os poetas conseguem vislumbrar.

    Essas canções ajudam mulheres e homens a construir o mundo novo, onde ninguém precise viver com medo de nada.

    Deleite-se com essas pérolas. E não seja moderada:

    Desinibida (Tulipa Ruiz e Tomás Cunha Ferreira) 

    A Mulher do Fim do Mundo (Alice Coutinho e Romulo Fróes)  

    Eu Sou Neguinha? (Caetano Veloso)  

    Cor de Rosa Choque (Rita Lee e Roberto de Carvalho)  

    Eduardo e Mônica (Renato Russo) 

    Lei Maria da Penha (Luana Hansen e Drika Ferreira) 

    Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo) 

    Explode Coração (Gonzaguinha) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • Quem estiver na capital fluminense nesta segunda-feira (11), pode ter o privilégio de acompanhar o ato Cultura pela Democracia, às 17h, na Lapa. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente ao lado de Chico Buarque e muitos artistas e intelectuais. Entre eles, já confirmaram presença Wagner Moura, Simone Spoladore, Leonardo Boff, Otto, Ziraldo, Alceu Valença, Beth Carvalho, Fernando Morais, Gregório Duvivier e Letícia Sabatella. 

    Discurso de Chico Buarque no dia 31 de março em ato contra o golpe. Ele diz "não vai ter golpe. De novo não":

     

    Todos os setores da cultura brasileira participam ativamente de atos contra o golpe. Artistas de todos os matizes estão dando a cara a tapa, sem medo de ser feliz. Chico e Lula têm históricos na defesa das liberdades democráticas e nos direitos da classe trabalhadora.

    Beth Carvalho canta Não Vai Ter Golpe de Novo (música feita especialmente para a ocasião):

     

    O ato ocorre hoje, porque a Comissão de Impeachment, da Câmara dos Deputados, deve votar o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) - que já tem gente dizendo que quem escreveu foi Eduardo Cunha -, favorável ao impedimento da presidenta Dilma, mesmo sem comprovação de nenhum crime praticado por ela.

    A Fundição Progresso será palco dos inúmeros espetáculos e se a lotação exceder, as pessoas poderão acompanhar por um telão que será montado nos Arcos da Lapa. Lula deve se pronunciar às 19h30. Depopis todos sairão em cortejo para o grande palco da Lapa, que reunirá o colorido dos blocos de carnaval, do samba, do forró e da MPB e a atitude do Hip Hop e do Funk.

    "Lula é o cara", disse certa vez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e Chico Buarque se transformou numa das maiores referências culturais do país.

    Clipe de Vai Passar, que virou hino da redemocratização do país:

     

    Atos como esse estarão ocorrendo em todo o país, com inúmeros acampamentos em praças públicas contra o golpe. Grande parte de trabalhadores e trabalhadoras da cultura está engajada nessa luta em defesa da liberdade.

    Leia mais:

    João Bosco e Aldir Blanc convocam para ato em defesa da democracia no dia 11

    TV Poeira lança vídeo didático sobre o impeachment e suas consequências

    Artistas fazem ocupação permanente do Largo da Batata, em São Paulo, pela democracia

    Chico Buarque, Wagner Moura e Fernando Morais lançam manifesto e convocam para ato dia 11

    Em mobilização histórica, Brasil se levanta contra o golpe e pela democracia

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações de agências

  • Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O rapper Mano Brown, do grupo Racionais MC's, da periferia paulistana, desabafou em show no Rio de Janeiro e disse que "enquanto a favela faz silêncio, a elite manipula". Para ele, o domingo (17) entra para a história como "o dia em que o povo se omitiu. O dia que a favela ficou quieta e fez silêncio e deixou eles tomarem o que a favela conquistou".

    O artista disse também que "agora nos últimos dias eu vi a população virar as costas pra Dilma". E complementa afirmando ter visto uma armação "dentro de uma televisão de terceiro mundo" E "o que é um país de terceiro mundo desinformado, onde uma televisão elege e derruba quem eles querem".

    Ele diz também que é mentira que São Paulo tenha uma maioria de italianos e japoneses. "Em São Paulo, a maioria da população é de preto".

    E essa população "tá usando tudo isso de droga: cocaína, maconha, balinha, lança-perfume, novela da Globo, Jornal Nacional, todas as drogas possíveis. Vamos chapar?", ironiza. "Vamos ficar doidão de Jornal Nacional, de William Bonner"...

    Leia mais aqui e   aqui.

    Assista o desabafo completo. Mano Brown, dos Racionais MC's adverte que a Globo faz mal à saúde:

     

    Ao mesmo tempo palhaços de todo o Brasil assinam Carta de Repúdio ao deputado federal Tiririca (PR-SP), que se diz palhaço, sem merecer tal designação. Leia o manifesto na íntegra:

    Carta de Repúdio ao deputado Tiririca por Palhaços e Circos Brasileiros

    Ao Excelentíssimo Senhor Tiririca
    deputado federal

    Senhor deputado,

    Nós, palhaças e palhaços profissionais, brasileiros e estrangeiros engajados na defesa da democracia do Brasil, manifestamos nossa mais completa insatisfação e repúdio em relação à postura e ao voto de V.Exa na votação do processo de impeachment do último domingo, 17 de abril de 2016.

    Como o senhor bem sabe, nossa profissão se baseia, acima de tudo, na verdade e na honra com a qual o artista se dirige a seu público.

    O que certamente nos diferencia do senhor, na atual situação de nosso país, é a coragem ética com a qual nós, ao contrário de V.Exa, lutamos pela consolidação da, ainda frágil, democracia brasileira.

    Sabemos perfeitamente que, em nosso sistema constitucional, não se pode derrubar um governo simplesmente porque não se concorda com sua política. É preciso que se prove a existência de crime de responsabilidade. E tal noção de crime, forjada do dia para noite, em uma Câmara cujo presidente é investigado na operação Lava Jato, arranha consideravelmente a legitimidade de um processo que se pretende honesto.

    V.Exa não quer, ou não tem interesse em observar esses fatos com isenção, honra e justiça. Daí nossa brutal e essencial diferença.

    Portanto, deputado Tiririca, trocando em miúdos: no último domingo, lamentavelmente, o senhor não representou os palhaços e palhaças profissionais, envergonhando aqueles que buscam honrar o seu ofício de levar alegria ao povo brasileiro.

    Assinam esta carta, as entidades circenses, os coletivos de circo e da palhaçaria e os artistas abaixo:

    COOPERATIVA NACIONAL DE CIRCO
    COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO
    HUGO POSSOLO E RAUL BARRETTO - PARLAPATÕES PATIFES E PASPALHÕES – SP
    FERNANDO SAMPAIO - CIA. LA MÍNIMA – SP
    ESIO MAGALHÃES E TICHE VIANNA - BARRACÃO TEATRO – SP – CAMPINAS
    FERNANDO YAMAMOTO - CLOWNS DE SHAKESPEARE – RN
    DAGOBERTO FELIZ E SUZANA ARAGÃO – FOLIAS D´ARTE – SP
    LILY CURCIO - SERES DE LUZ – SP - CAMPINAS
    VAL DE CARVALHO - COLETIVO SAMPALHAÇAS – SP
    PAULO FEDERAL - CASA 360 – ESPAÇO DE ARTE E BEM ESTAR – SP
    ANGEL BONORA JORDA - ESPAÑA.
    ANGELA DE CASTRO – INGLATERRA
    CLAUDIO CARNEIRO – CIRQUE DU SOLEIL
    IVAN PRADO – PORTAVOZ INTERNACIONAL DE PALLASOS EM REBELDIA
    DUO FINELLI - EUA
    ERIN LEIGH CRITES – EUA
    DANIELA BARROS – RJ
    VERA LUCIA RIBEIRO - AS MARIAS DAS GRAÇAS – RJ
    ESTUDANTES DO INSTITUTO DE ARTES DA UNESP
    FESTIVAL DOS INHAMUNS DE CIRCO, BONECOS E ARTES DE RUA - CE
    CIRCO ESCOLA LONA DA MARIA – CE – ITAPIPOCA
    MOVIMENTO POPULAR ESCAMBO LIVRE DE RUA - BRASIL
    ANEPS (ARTICULAÇÃO NACIONAL DE MOVIMENTOS E PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO POPULAR E SAÚDE) – SC
    PONTO DE CULTURA GALPÃO DA CENA DE ITAPIPOCA – CE
    ASSOCIAÇÃO DE ARTES CÊNICAS DE ITAPIPOCA -AARTI- CE
    CIRCO GUARACIABA – SP - SOROCABA
    INSTITUTO HAHAHA - MG
    LONA BAMBA – SP
    FORÇAS ARMADAS - SP
    VERA ABBUD E PAOLA MUSSATI - CIA. PELO CANO – SP
    LUCIANA VIACAVA - CIA DO Ó - SP
    SILVIA LEBLON - NA COMPANHIA DOS ANJOS – SP – CAMPINAS
    CIRCO DI SÓ LADIES - SP
    CIA. CROMOSSOMOS – SP
    CIRCO DO ASFALTO – SP - SÃO BERNARDO DO CAMPO
    COLETIVO BASSUSSEDER - SP
    CIA VÔOS – SP
    ESQUADRILHA DA RISADA - SP
    CIA. DA REPRISE – SP
    EXÉRCITO CONTRA NADA – SP
    CLOWBARET - SP
    BANDO DE PALHAÇOS - RJ
    CIA. MARAVILHAS – PE
    CIA. HUMATRIZ - PE
    LAS CABAÇAS – PARÁ - BRASIL
    CIRCOVOLANTE - MG
    GRUPO OFF-SINA - RJ
    CIA DO SOLO - RJ
    NÚCLEO ARTÍSTICO GEMA - RJ
    CIA THEATRO EM CENA - MT
    COMPANHIA CÊNICA VENTURA - RN
    GRUPO TEATRAL NATIVOS DA TERRA RASGADA – SP - SOROCABA
    COLETIVO M´BOITATA – MS - DOURADOS
    CHARANGA MUTANTE - RJ
    CERVANTES DO BRASIL - CE
    BANDO LA TRUPE- RN
    CIA. CIRANDUÍS - RN
    CIA. ARTE E RISO DE UMARIZAL - RN
    CIA ARTE VIVA DE SANTA CRUZ - RN
    GRUPO CAFURINGA DE RECIFE - PE
    MOVIMENTO CHÁ, CAFÉ, PROSEADO - RN
    CENOPOESIA TRAK-TRAK - RN
    PALHAÇO GOURMET – PR
    CIRCO RODADO – PR
    COLETIVO MIÚDO – PR
    DONA ZEFINHA - CE
    CIRCOVOLANTE - MG
    PALHAÇO CUS-CUZ - JUNIO SANTOS - BRASIL
    CIA. GÊMEA - MG
    CIA. BALÉ BAIÃO - CE
    ARTE JUCÁ - CE
    COLETIVO VAGAMUNDO - RS

    Portal CTB com informações dos Jornalistas Livres e Portal Vermelho

  • O Portal CTB presta homenagem ao poeta, cantor e compositor Belchior que nos deixou no dia 30 de abril, em Santa Cruz do Sul (RS). Uma verdadeira legião de fãs ficou atônita, mesmo com o autor cearense, nordestino, brasileiro, latino-amercicano estando fora dos palcos há muitos anos.

    As suas músicas inundam a alma e o cérebro de quem sente e vê que o novo sempre vem. Um dos mais importantes porta-vozes de uma geração que foi à luta por liberdade e democracia. Que deixou os cabelos crescerem, vestiu minissaias, tirou sutiãs e rompeu barreiras, mesmo em tempos sombrios,

    Impossível, portanto, ouvir Belchior e ficar impassível com as mazelas da vida. Impossível não querer mudar as coisas. Mesmo quando se deixa de ser como os nossos pais e passe a ser como os nossos tataravós.

    “Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida

    Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais

    Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos

    Ainda somos os mesmos e vivemos

    Como nossos pais” (Como nossos pais)

    Poucos interpretaram como ele a juventude dos anos 1970 e 1980. Principalmente na vontade de transgredir a ordem patriarcal vigente. Cantando o social e o individual, o amor e a revolução, a utopia e a vida, tudo ao mesmo tempo e uma coisa de cada vez.

    “Tenho vinte e cinco anos

    De sonho e de sangue

    E de América do Sul

    Por força deste destino

    Um tango argentino

    Me vai bem melhor que um blues” (A palo seco)

    A palo seco (Belchior)

    O autor cearense morreu aos 70 anos, completados no dia 26 de outubro. Legou para a posteridade centenas de obras-primas da MPB.  Suas composições viajam do lírico ao épico com uma desenvoltura intrínseca à miscelânea de sons que unia Beatles, música regional nordestina, Bob Dylan, Luiz Gonzaga, bossa nova, música de nossos vizinhos latino-americanos.

    “Moro num lugar comum, perto daqui, chamado Brasil.

    Feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco

    e o guaraná guarani.

    Alegria, namorados, alegria de Ceci.

    Manequins emocionadas:

    - são touradas de Madri

    ...que em matéria de palmeira ainda tem o buriti perdido.

    Símbolo de nossa adolescência,

    signo de nossa inocência índia, sangue tupi.” (Retórica Sentimental)

    De Sobral (CE) para o mundo, nada faltou à sua obra eternizada no imaginário popular. Cantou a vontade de superar a vida mesquinha, a vida contida, a vida sozinha. Falou de amor, de desamor, de dor, de relacionamentos que fomentam a vida, habitam os sonhos, os desejos, a pressa de viver e o poder da alegria.

    “A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia

    E pela dor eu descobri o poder da alegria” (Fotografia 3x4)

    Fotografia 3x4 (Belchior)  

    “Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja

    Não quero o que a cabeça pensa

    Eu quero o que a alma deseja

    Arco-íris, anjo rebelde

    Eu quero o corpo, tenho pressa de viver” (Coração Selvagem)

    Levou o seu canto com a vontade de unir a América Latina contra os ataques do imperialismo e a sordidez do capital que desumaniza até as relações afetivas. Combateu com sua arte os preconceitos e o autoritarismo de uma sociedade atrasada, sob uma feroz ditadura.

    “Não me peça que eu lhe faça

    Uma canção como se deve

    Correta, branca, suave

    Muito limpa, muito leve

    Sons, palavras, são navalhas

    E eu não posso cantar como convém

    Sem querer ferir ninguém” (Apenas um rapaz latino-americano)

    Cantou o medo. O medo de pegar na mão da menina no amor adolescente, o medo do avião, mas sintonizou a profundidade do medo que paralisa e mumifica. Transpôs o medo de ter medo de ser feliz e chutou o balde da repressão e do individualismo, sublimando o sentimento de solidariedade, generosidade e superação.

    “Eu tenho medo e medo está por fora

    O medo anda por dentro do teu coração

    Eu tenho medo de que chegue a hora

    Em que eu precise entrar no avião” (Pequeno mapa do tempo)

    Medo de avião (Belchior) 

    “Foi por medo de avião

    Que eu segurei

    Pela primeira vez a tua mão

    Agora ficou fácil

    Todo mundo compreende

    Aquele toque Beatle

    I wanna hold your hand” (Medo de avião)

    Sonhou, desejou, ensejou a vontade de ver um mundo igual, onde qualquer pessoa tenha a plenitude de andar sozinha e sem medo. Andar pelas ruas livres de amarras e preconceitos. A alma límpida e a mente viajante.

    “No presente a mente, o corpo é diferente

    E o passado é uma roupa que não nos serve mais

    No presente a mente, o corpo é diferente

    E o passado é uma roupa que não nos serve mais” (Velha roupa colorida)

    Alucinação (Belchior) 

    “Um preto, um pobre

    Uma estudante

    Uma mulher sozinha

    Blue jeans e motocicletas

    Pessoas cinzas normais

    Garotas dentro da noite

    Revólver: cheira cachorro

    Os humilhados do parque

    Com os seus jornais” (Alucinação)

    Mostrou o poder da canção em cativar pessoas e conquistar corações e mentes. A vontade de superar o passado e viver o presente com os olhos no futuro. A força da felicidade como arma para derrotar a solidão e a opressão.

    “O tempo andou mexendo

    Com a gente

    Sim!

    John!

    Eu não esqueço

    (Oh No! Oh No!)

    A felicidade

    É uma arma quente” (Saia do meu caminho)

    Saia do meu caminho (Belchior, interpretada por Margareth Menezes) 

    “Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno

    Viver a divina comédia humana onde nada é eterno

    Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso

    Eu vos direi no entanto

    Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não

    Eu canto” (Divina comédia humana)

    Não sucumbiu ao deus mercado, ao contrário se impôs. Não cedeu aos ditadores de plantão, resistiu. Sublimou as vicissitudes do seu povo em arte da maior qualidade.

    “Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo

    O mal que a força sempre faz

    Não sou feliz, mas não sou mudo

    Hoje eu canto muito mais” (Galos, noites e quintais)

    Falar da morte de Belchior é impossível fugir do clichê de que ele nos deixou, mas sua obra está tatuada em nosso corpo, em nossa alma, em nosso sangue. Nem por ser clichê deixa de ser verdade.

    Aparências (Belchior) 

    “Aparências, nada mais,

    Sustentaram nossas vidas

    Que apesar de mal vividas têm ainda

    Uma esperança de poder viver

    Quem sabe rebuscando essas mentiras

    E vendo onde a verdade se escondeu

    Se encontre ainda alguma chance de juntar

    Você, o amor e eu” (Aparências)

    Quisera todos pudéssemos transformar nossos fantasmas, nossas dores, medos, alucinações em arte de tamanha qualidade.

    Outro clichê: Belchior vive. Vive nas agruras de brasileiros e brasileiras que sonham construir o novo. Como Belchior cantou "vem viver comigo, vem correr comigo, meu bem"... 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  •  A música popular brasileira perde na manhã desta quinta-feira (18) o talento de Flávio Henrique Alves de Oliveira em decorrência de complicações por febre amarela – essa doença que volta a assustar os brasileiros.

    Com 180 músicas gravadas por grandes nomes da MPB como Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Vander Lee e dividiu parcerias com Paulo César Pinheiro, Milton Nascimento, Toninho Horta, Lô Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, entre outros, Flávio Henrique, como era conhecido colecionou amigos e admiradores, durante os seus 49 anos de vida.

    Falso Milagre do Amor, de Ed Motta e Ronaldo Bastos, com Quarteto Cobra Coral 

    “Era um dos maiores compositores da música mineira. Um homem de sensibilidade ímpar e de pensamento progressista. Nos últimos anos, além de se dedicar a análise política profunda do Brasil pós golpe e suas inúmeras adversidades, comandava com entusiasmo e espírito republicano a recém fundada Empresa Mineira de Comunicação”, diz Clarice Barreto, vice-presidenta e diretora de Comunicação do Sindicato dos Professores de Minas Gerais.

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    Sinpro-MG manifesta pesar pela morte de Flavio Henrique, presidente da EMC

    Sua morte chocou a sociedade mineira. Para o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), "Minas perdeu um grande artista e eu perdi um amigo querido e um companheiro de ideias e de sonhos”.

    A Hora do Improviso, programa da Rádio Inconfidência com o Quarteto Cobra Coral 

    O seu parceiro no Quarteto Cobra Coral, grupo vocal que emplaca sucessos desde 2010, Pedro Morais se diz grato “pela oportunidade de ter convivido e passado por tantas coisas massas junto com ele, crescido e aprendido nesta vida, que é tão efêmera e tão frágil".

    Em sua carreira, lançou um DVD e oito CDs autorais, sendo Zelig o mais recente, de 2012. Cantor, compositor, tecladista, pianista destilou seu talento por obras como “O Olhar que Ama” (com Fernando e Robertinho Brant), “Choro Livre” e “Não Tive Mis o que Te Dar” (ambas com Paulo César Pinheiro), “Dentro de Mim Mora Um Monstro”, “Era Uma Vez Por Toda a Vida”, “Sob o Sol”, entre as 180 canções de sua autoria gravadas no imaginário popular para todo o sempre.

    Olhos de Farol, de Flávo Henrique e Ronaldo Bastos, com Ney Matogrosso 

    Além de músico e cantor talentoso, Flávio Henrique teve o reconhecimento da sociedade mineira pelo seu trabalho à frente da Empresa Mineira de Comunicação. Ele “era militante e entusiasta da comunicação pública a qual defendia na pauta da sua gestão à frente da Rádio Inconfidência e da Rede Minas, que cresceram de forma vertiginosa em sua gestão abraçando o espírito público que se espera da comunicação estatal”, diz Barreto.

    Amigos e familiares ressaltam o seu bom humor refletido em seu trabalho. Esse humor desponta com clareza, em 2012, na marchinha de Carnaval, “Na Coxinha da Madrasta”, uma das pioneiras de Belo Horizonte, onde ele satiriza o vereador da capital mineira Leo Burguês (PSL) porque a Câmara Municipal contratou o bufê da madrasta do político, onde uma estrofe diz que:

    "Não sei se é ladrão/Pervertido ou pederasta/Tem gente metendo a mão/Na coxinha da madrasta/Milhares de reais por mês/Pro lanchinho do burguês/Milhares de reais por mês/ Pro lanchinho do burguês/O nosso dinheiro ele gasta/Na cozinha da madrasta".

    Sob o Sol, Cobra Coral

    Os seus companheiros de viagem afirmam na página do grupo que "somos gratos por tantas histórias, tanto amor, tanta música, viagens, gargalhadas, shows, bastidores, festas e cada momento que pudemos viver juntos".

    A arte tem o poder de eternizar as pessoas em suas obras. O sepultamento do músico está previsto para esta sexta-feira (19), às 9h, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências. Foto: Frank Bitencout

  • No domingo (19), Caetano Veloso resolveu desejar felicidades ao aniversariante do dia, o seu amigo Chico Buarque.

    Não seria nada demais, se não se tratasse de dois dos mais importantes representantes da cultura brasileira. E se Caetano não fizesse - como não poderia deixar de ser - um texto de raríssima sensibilidade.

    Mais do que uma efeméride, Caetano transformou a sua homenagem num texto onde reflete sobre a necessidade de um país valorizar a sua cultura, para evoluir em seu processo civilizacional. 

    Caetano celebra a solidariedade, a generosidade, o respeito. Mas principalmente, rechaça a brutalidade dos dias atuais, onde não há espaço para a delicadeza e para a inteligência.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

    Leia abaixo o texto na íntegra de Caetano Veloso:

    "O Brasil é capaz de produzir um Chico Buarque: todas as nossas fantasias de autodesqualificação se anulam.

    Seu talento, seu rigor, sua elegância, sua discrição são tesouro nosso.

    Amo-o como amo a cor das águas de Fernando de Noronha, o canto do sotaque gaúcho, os cabelos crespos, a língua portuguesa, as movimentações do mundo em busca de saúde social.

    Amo-o como amo o mundo, o nosso mundo real e único, com a complicada verdade das pessoas.

    Os arranha-céus de Chicago, os azeites italianos, as formas-cores de Miró, as polifonias pigmeias.

    Suas canções impõem exigências prosódicas que comandam mesmo o valor dos erros criativos.

    Quem disse que sofremos de incompetência cósmica estava certo: disparava a inevitabilidade da virada.

    O samba nos cinejornais de futebol do Canal 100, Antônio Brasileiro, o Bruxo de Juazeiro, Vinicius, Clarice, Oscar, Rosa,

    Pelé, Tostão, Cabral, tudo o que representou reviravolta para nossa geração foi captado por Chico e transformado em coloquialismo sem esforço.

    Vimos melhor e com mais calma o quanto já tínhamos Noel, Haroldo Barbosa, Caymmi, Wilson Batista, Ary, Sinhô, Herivelto.

    A Revolução Cubana, as pontes de Paris, o cosmopolitismo de Berlim, o requinte e a brutalidade de diversas zonas do continente africano, as consequências de Mao. Chico está em tudo.

    Tudo está na dicção límpida de Chico.

    Quando o mundo se apaixonar totalmente pelo que ele faz, terá finalmente visto o Brasil.

    Sem o amor que eu e alguns alardeamos à nossa raiz lusitana, ele faz muito mais por ela (e pelo que a ela se agrega) do que todos nós juntos.”

     

     

     

     

  • Há alguns meses chegaram a “matar” Gilberto Gil por causa de sua internação no hospital para cuidar de um problema renal crônico que o acometeu. Mas para o bem da cultura e da música popular brasileira, isso não passou de mais um boato maldoso sobre a vida de um grande artista.

    Gil nasceu em Salvador no dia 26 de junho de 1942. Cedo sua veia musical brilhou. Assim, o mundo perdia um mal administrador de empresas, curso no qual o artista baiano se diplomou pela Universidade da Bahia, e ganhou um músico de rara sensibilidade.

    Tempo rei 

    Com mais de 50 anos de carreira, Gil despontou nos famosos festivais de MPB dos anos 1960, principalmente da TV Record, a coqueluche daqueles anos. Saiu de Salvador e veio para São Paulo, onde iniciou sua vida artística.

    Recebeu inúmeras homenagens pela passagem de seu aniversário nesta segunda-feira (26). Destaca-se a das suas filhas Bela e Preta Gil. Inclusive, ele próprio conta que quando foi registrar Preta o escrivão se recusava e o cantor argumentou perguntando: “Não tem gente que chama Branca?” Assim tem sido a vida desse grande artista. Resistência com sabedoria aos ataques infames à inteligência.

    ''Se existe alma gêmea, tenho certeza que já nasci conhecendo a minha'', escreveu Bela, para o pai. ''A cada dia que passa nos tornamos mais amigos e mais apaixonados um pelo outro. Sinto por você uma mistura de gratidão, admiração, paixão e muito amor. Ser filha de uma pessoa extremamente sensível, humilde, amorosa e sábia é uma grande sorte! Pai, que o seu dia seja repleto de amor e paz, rodeado de amigos e família que você ama. Meu eterno professor, te amo''.

    '''O melhor lugar do mundo é aqui e agora' com você perto de mim! Parabéns meu pai amado pelos 75 anos de vida tão bem vividos. Peço a Deus e aos Santos que te protejam e que você tenha muita saúde! Te amo eternamente meu amigo, meu herói, meu pai'', escreveu.

    Realce 

    Como um dos grandes articuladores e pensadores do tropicalismo - que neste ano completa 50 anos – Gil fez ferver multidões pelo mundo afora com um som eclético, misturando música regional nordestina com o rock dos Beatles, Jimi Hendrix, Rolling Stones, bossa nova, samba, reggae, entre outros gêneros.

    A tropicália trouxe para a MPB novos conceitos e uma busca incessante de valorizar a cultura brasileira rompendo tradições arquetípicas para criar uma música sem igual. Gil também foi um dos responsáveis pela “criação” do gênero MPB, que surgiu pela falta de como catalogar a produção musical dele e de Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento e outros grandes nomes da nossa música popular.

    Preso juntamente com seu amigo inseparável Caetano Veloso em 1968. Os governantes se incomodaram com suas vestimentas, sua maneira de se apresentar nos palcos, mas principalmente com a arte desses dois baianos como um atentado à moral e aos bons costumes.

    Refavela 

    Isso porque o Brasil vivia numa ditadura férrea (1964-1985) e eles dançavam e rebolavam e por vezes até vestiam saias. Seria cômico se não fosse trágico ver que a mania de perseguição a artistas que pensam diferente não vem de hoje, em pleno século 21 esse tipo de atitude virou rotina, o que só faz mal para a cultura e para a vida.

    Felizmente existe Gilberto Gil para nos curar dessa dor de ver o mundo se deteriorar porque pessoas do mal assaltaram o poder e arregimentaram exércitos furiosos de pessoas que não sabem o que fazem, mas fazem sempre o pior. Incluisve assumiu o Ministério da Cultura no governo Lula entre 2003 e 2008 e emprestou o seu talento para valorizar produção cultural de uma nação faminta de cultura.

    Mostrando que arte e política caminham pari i passu, Gil produziu centenas de canções gravadas no imaginário popular, contando as transformações desta nação, como crônicas do cotidiano, nos apresentou temáticas ainda impensadas e nos leva a reflexões profundas sobre como a necessidade de realce em nossas vidas.

    Refazenda 

    Suas centenas de canções celebram a vida, a paz, os amores correspondidos o não, as dores de ver tanta desigualdade, onde canta o “mundo tão desigual, tudo é tão desigual, de um lado este carnaval, de outro a fome total” (A novidade).

    Super-homem 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Quem estiver na capital fluminense nesta segunda-feira (11), pode ter o privilégio de acompanhar o ato Cultura pela Democracia, às 17h, na Lapa. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente ao lado de Chico Buarque e muitos artistas e intelectuais. Entre eles, já confirmaram presença Wagner Moura, Simone Spoladore, Leonardo Boff, Otto, Ziraldo, Alceu Valença, Beth Carvalho, Fernando Morais, Gregório Duvivier e Letícia Sabatella. 

    Discurso de Chico Buarque no dia 31 de março em ato contra o golpe. Ele diz "não vai ter golpe. De novo não":

     

    Todos os setores da cultura brasileira participam ativamente de atos contra o golpe. Artistas de todos os matizes estão dando a cara a tapa, sem medo de ser feliz. Chico e Lula têm históricos na defesa das liberdades democráticas e nos direitos da classe trabalhadora.

    Beth Carvalho canta Não Vai Ter Golpe de Novo (música feita especialmente para a ocasião):

     

    O ato ocorre hoje, porque a Comissão de Impeachment, da Câmara dos Deputados, deve votar o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) - que já tem gente dizendo que quem escreveu foi Eduardo Cunha -, favorável ao impedimento da presidenta Dilma, mesmo sem comprovação de nenhum crime praticado por ela.

    A Fundição Progresso será palco dos inúmeros espetáculos e se a lotação exceder, as pessoas poderão acompanhar por um telão que será montado nos Arcos da Lapa. Lula deve se pronunciar às 19h30. Depopis todos sairão em cortejo para o grande palco da Lapa, que reunirá o colorido dos blocos de carnaval, do samba, do forró e da MPB e a atitude do Hip Hop e do Funk.

    "Lula é o cara", disse certa vez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e Chico Buarque se transformou numa das maiores referências culturais do país.

    Clipe de Vai Passar, que virou hino da redemocratização do país:

     

    Atos como esse estarão ocorrendo em todo o país, com inúmeros acampamentos em praças públicas contra o golpe. Grande parte de trabalhadores e trabalhadoras da cultura está engajada nessa luta em defesa da liberdade.

    Leia mais:

    João Bosco e Aldir Blanc convocam para ato em defesa da democracia no dia 11

    TV Poeira lança vídeo didático sobre o impeachment e suas consequências

    Chico Buarque, Wagner Moura e Fernando Morais lançam manifesto e convocam para ato dia 11

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações de agências

  • O mais mineiro dos compositores e cantores, Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro no dia 26 de outubro de 1942. Filho de empregada doméstica, abandonado pelo pai. Com a morte da mãe, o menino foi levado para ser criado pelos avós em Juiz de Fora (MG), mas o casal Lilian Silva Campos (professora de música) e Josino Campos (dono de uma rádio em Três Pontas) percebendo a tristeza do garoto resolveram adotá-lo. A avó só exigiu que não tirassem o sobrenome da mãe.

    Seu som mescla bossa nova com jazz, jazz-rock, música regional brasileira e latino-americana e influências que vão dos Beatles a Violeta Parra, passando por Bob Dylan, The Platters, Silvio Rodrigues, entre muitos outros roqueiros e grandes nomes da música latina. Tanto que até a revista norte-americana especializada em música Rolling Stones o colocou como um dos maiores cantores do mundo.

    Notícias do Brasil (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    De Três Pontas para Belo Horizonte onde conheceu outros grandes músicos com quem criou o mais importante clube da MPB: o Clube da Esquina. O som e a temática desses mineiros foram sistematizados em dois discos fundamentais. “Clube da Esquina” (1972) e “Clube da Esquina 2” (1978). O grupo que tem por alma o cantor Milton Nascimento acompanhado do talento de Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Nelson Angelo, Tavinho Moura, Novelli, Beto Guedes, os irmãos Márcio e Lô Borges, Fernando Brant, Murilo Antunes, Flávio Venturini, Toninho Horta e Nivaldo Ornelas.

    Entrava em cena um som diferente e inovador que logo agradou os ouvidos daqui e de fora, chamando a atenção para a voz e as músicas desse que se tornaria um dos maiores compositores de música popular brasileira de todos os tempos.

    Canção da América (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    Mas só desponta para o grande público com a canção "Travessia" ao ficar em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967. No mesmo ano grava seu primeiro disco com arranjos de Luiz Eça. Na voz de Elis Regina viu “Maria Maria” se transformar no hino das feministas.

    “Tudo o que se disser a respeito de Milton pode (e vai) parecer exagero. A sua música é de tamanha originalidade que chega a desafiar os sentidos de quem ouve. Adivinhar de onde vem cada nota, cada arranjo, cada expressão de sua música é adentrar num Brasil que está muito além deste que está posto”, diz Julinho Bitencourt.

    Nada Será Como Antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) 

    Sobraram sucessos em sua carreira. Centenas de músicas gravadas no imaginário popular, compondo o rico acervo da MPB. Enfim, foi nos bailes da vida, cantando em troca de pão que Milton Nascimento trouxe as notícias mais importantes do Brasil para mostrar que nada será como antes. Lindas canções para tornar a travessia desta vida mais harmoniosa e feliz.

    Nos Bailes da Vida (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Um dos maiores cantores da música brasileira, Cauby Peixoto morreu na noite deste domingo (15), aos 85 anos, em São Paulo. Ele estava internado desde o dia 9 de maio no Hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. Segundo informações, o cantor teve um quadro de pneumonia.

    Cauby Peixoto Barros nasceu em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em 10 fevereiro de 1931. Cresceu numa família de artistas. Trabalhou no comércio até começar a participar de programas de calouros no rádio, no fim da década de 40.

    Cauby era conhecido pelo timbre de voz, muito grave, mas suave, o que expressava um romantismo à moda antiga. Tinha um estilo próprio de cantar, se pentear e de se vestir.

    Proveniente de uma família de músicos, o pai (conhecido como Cadete) tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas as irmãs cantoras e o tio pianista. Sobrinho do músico Nonô, pianista que popularizou o samba naquele instrumento, Cauby também era primo do cantor Ciro Monteiro.

    No início da década de 1950, ele se apresentou em programas de talentos como a Hora dos Comerciários, na Rádio Tupi. Gravou o primeiro disco pelo selo Carnaval em 1951 com o samba Saia branca, de Geraldo Medeiros e a marcha Ai, que carestia!, de Victor Simon e Liz Monteiro.

    Em 1952, transferiu-se para São Paulo, onde cantou nos bares Oásis e Arpége, além de se apresentar na Rádio Excelsior. Não demorou muito para Cauby se transformar em ídolo do rádio. Entrou para o elenco da Rádio Nacional e dois anos depois já era o cantor mais famoso do rádio, passando a ser perseguido pelas fãs em qualquer lugar onde estivesse.

    O cantor gravou inúmeros álbuns e angariou milhões de fãs pelo Brasil durante a sua longa carreira na música, tendo feito digressões pelo exterior, nomeadamente nos Estados Unidos.

    Em 65 anos de carreira, teve grande sucesso com músicas como Blue Gardenia, Conceição, Mil Mulheres, Bastidores, New York, New York e Nada Além.

    Salão nobre

    O velório será realizado a partir das 9 horas desta segunda-feira (16), no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O enterro está previsto para 16h30 no Cemitério Congonhas.

    Na página oficial de Cauby no Facebook, foi colocado um comunicado sobre a morte do músico: "Com muita dor e pesar informamos aos amigos e fãs que nosso ídolo Cauby Peixoto acaba de falecer as 23:50 do dia 15 de maio . Foi em paz e nos deixa com eterna saudades. Pra sempre Cauby!".

    Ativo

    Com 85 anos, mas ativo, o cantor estava em turnê pelo Brasil com a cantora Angela Maria. Os espetáculos comemoravam os 60 anos da carreira dos dois artistas. No repertório, sucessos como Vida da bailarina, Cinderela, Gente humilde, Bastidores, Babalu e Conceição.

    De acordo com Daniel, marido de Angela Maria, a cantora recebeu com bastante tristeza e lágrimas a notícia. "Ela está em choque com a morte do Cauby. Na hora que ela ficou sabendo chorou muito e começou a gritar. Como eu estava no hospital ajudando a família do Cauby, tive que pedir pra minha mãe irm em casa cuidar da Angela. Não é fácil, os dois eram amigos há 67 anos", falou ele.

    Adeus

    Nas redes sociais, vários artistas lamentaram a morte de Cauby, entre elas Patrícia Pillar, Daniela Mercury e Maria Rita. "Os brilhos, os blazers, o cavalheirismo, o rosto desenhado, a doçura, o camarim, o gin, a Conceição, A VOZ! Que inspiração arrebatadora, que artista! Cauby, obrigado por ter sido tanto nas minhas escolhas. Vou te ver e ouvir pra sempre, cada vez mais! Que noite triste", escreveu Patrícia.

    Fonte: Portal Vermelho

  • Os dois singulares artistas da música popular brasileira aniversariam no mês das festas juninas. E não por acaso, são nordestinos.

    A baiana Maria Bethânia completou 70 anos no sábado (18) e o alagoano Hermeto Pascoal fez 80 anos na quarta-feira (22). O Portal CTB homenageia os grandes talentos da música popular.

    Bethânia se impôs com sua voz imponente e afinada como uma das maiores cantoras da MPB de todos os tempos. Iniciou carreira profissional em 1965, substituindo ninguém menos do que Nara Leão (1942-1989) no importantíssimo show “Opinião”, que atacava a ditadura (1964-1985).

    Maria Bethânia 70 anos - Reconvexo

     

    Maria Bethânia 70 anos - Nossos Momentos

     

    A cantora conseguiu impingir sua marca na MPB com independência do irmão famoso Caetano Veloso. Ele disse em homenagem a ela que “Bethânia, grande orgulho da minha vida, grande divindade da nossa música e dos palcos”.

    Considerada a maior cantora do Brasil por Roberto Carlos, em 2008, Bethânia gravou um disco com canções do cantor capixaba. Em 51 anos de carreira conta com 34 discos gravados em estúdio e 15 álbuns ao vivo que somam mais de 26 milhões de cópias vendidas.

    No ano passado, ela foi a homenageada pela Estação Primeira de Mangueira, que venceu o desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. Desfilaram em sua homenagem artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque.

    Viu de perto o preconceito vigente no país, quando internautas questionaram os cabelos da nossa “abelha rainha”, que tirou de letra e se manteve incólume como sempre agiu em relação inclusive ao seu trabalho. Sem ceder a modismos construiu uma carreia sólida, apenas pelo talento.

    Brilharam em sua voz canções dos diferentes estilos entre os maiores nomes da MPB. Entre eles o irmão Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil, João do Valle, Raul Seixas, Gonzaguinha e o pai Gonzagão, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, entre muitos outros.

    Em uma entrevista à revista Playboy, em 1996, ela contou a história de uma fã que a procurou após um show e disse a ela: “e agora, o que eu faço com isso tudo? O que eu faço, pelo amor de Deus?”

    Com muita modéstia, a cantora não soube responder. Uma coisa simples de se dizer: “usufrua desse talento e faça de sua vida uma arte”.

    Tão ligada à escrita, Bethânia estreará no domingo (3), às 22h, o programa “Poesia e Prosa com Maria Bethânia”, no canal pago Arte 1.

    Hermeto Pascoal

    hermeto pascoal

    Chamado por muitos de o “bruxo da música”, Hermeto completou 80 anos na quarta-feira (22) em plena atividade. Em recente entrevista ao jornal “O Povo”, do Ceará, ele diz que “a música, pra mim, sem exagero nenhum, tá em todos os contextos”.

    E foi assim que construiu sua carreira. Segundo ele, iniciou-se na música no dia de seu nascimento, portanto teria 80 anos de carreira. Porque acredita que carrega dentro de si todos os “sons da natureza”. E pelo seu trabalho isso se confirma.

    Hermeto se reconhece como um autodidata, mas conta que foi estudar teoria musical por volta dos 40 anos. “Aprendi com a vida, com as deduções minhas, com a minha intuição”, conclui.

    A música livre de Hermeto Pascoal

     

    Em 1966 formou o grupo Quarteto Novo com Heraldo do Monte, Théo de Barros e Airto Moreira. O grupo participou de diversos festivais da época, se destacando pela inovação. Com o destaque do grupo e de sua performance harmônica, viajou aos Estados Unidos, onde gravou com Miles Daves.

    O seu experimentalismo sem precedente na MPB e no mundo, o levou a compor uma música por dia de 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, para integrar o “Calendário do Som”, lançado em 1999 pela Editora Senac-SP.

    Hermeto Pascoal parece ver e sentir música em tudo e mostra isso em seus trabalhos e performances. Um músico para ser celebrado pelos brasileiros por expressar a alma do país com limpidez. Só falta agora tirar música do silêncio, mas um dia ele consegue.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A sexta-feira (4) amanheceu fria e triste. Nesta manhã foi divulgada a notícia do falecimento, por volta das 5h da madrugada, do cantor e compositor carioca Luiz Melodia, aos 66 anos.

    Melodia realizava tratamento de um câncer na medula óssea desde julho do ano passado. A triste notícia pegou de surpresa a sua legião de fãs e os amantes da música popular brasileira.

    Como não se contagiar com "Juventude Transviada":

    "Lava roupa todo dia, que agonia
    Na quebrada da soleira, que chovia
    Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
    Uma mulher não deve vacilar

    Eu entendo a juventude transviada
    E o auxílio luxuoso de um pandeiro
    Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
    Uma mulher não deve vacilar

    Cada cara representa uma mentira
    Nascimento, vida e morte, quem diria
    Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
    Uma mulher não deve vacilar

    Hoje pode transformar e o que diria a juventude
    Um dia você vai chorar, vejo claras fantasias" 

    Autor de grandes sucessos gravou o seu primeiro disco em 1973, com a faixa título “Pérola Negra“, uma ode e aos sentimentos mais profundos:

    “Tente usar a roupa que eu estou usando
    Tente esquecer em que ano estamos
    Arranje algum sangue, escreva num pano
    Pérola Negra, te amo, te amo”

    Criado no morro de São Carlos, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, onde nasceu, em 7 de janeiro de 1951, tinha um estilo ímpar e com muita criatividade misturou samba, MPB, rock, blues e soul.

    Além de “Pérola Negra”, incorporou ao rico acervo da MPB centenas de canções gravadas no imaginário popular. Quem nunca cantarolou “Magrelinha”:

    “O por do sol vai renovar brilhar de novo o seu sorriso
    E libertar da areia preta e do arco-íris cor de sangue, cor de sangue, cor de sangue...
    O beijo meu vem com melado decorado cor de rosa
    O sonho seu vem dos lugares mais distantes”

    Suas músicas mostram a vontade se superar as mazelas da vida. Fazendo o caminhar caminhando. Para mostrar ao mundo a vontade de viver com delicadeza, candura, respeitando as diferenças e unindo os desejos mais íntimos com a luta social para melhorar a vida de todo mundo.

    Sua música “Farrapo Humano” retrata bem essa vontade de transpor as barreiras impostas pelas pedras do caminho:

    “Eu canto, suplico,
    lastimo, não vivo contigo
    Sou santo, sou franco
    Enquanto não caio não brigo
    Me amarro, me encarno na sua
    Mas estou pra estourar, estourar” 

    Estourou também no Festival Abertura, da TV Globo em 1974 com a bela “Ébano”. Não venceu, mas seu talento já era reverenciado por público e crítica, numa simbiose completa de negritude e brasilidade, singulares.

    Define-se em “Ébano”:

    “Meu nome é ébano
    Venho te felicitar sua atitude
    Espero te encontrar com mais saúde
    Me chamam ébano
    O novo peregrino sábio dos enganos”

    Deixa uma lacuna na canção não só do Rio de Janeiro e do Brasil, mas do mundo. Insuperável na sua mescla de sons e na atualidade perene de suas poesias. Vale repetir o chavão de sempre: Luiz Melodia vive. Todo grande artista é imortal.

    Subi o morro, subi cansado
    Pobre de mim, pobre de nada
    Morro do medo
    Morro do sono
    Morro do sonho
    Morro do asfalto
    Morro do clima lá em cima
    O morro é de morar
    Cá no terraço cada espaço
    Claro quero tocar
    Cadência morta paciência
    Inda chego até lá, subi
    A estrela d'alva ilumina
    Soneto numa casa pequenina
    O samba de roda tem mais clima
    Na dança fluvial de uma menina”

    Canta o músico e poeta em “O Morro Não Me Engana”. 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Divulgação

  • A mulher sempre esteve presente em todos os gêneros que fazem parte do cancioneiro popular do país. Algumas autoras e alguns autores conseguiram captar o universo da alma feminina de maneira singular e com rara beleza encantam os ouvidos mais exigentes. Neste 8 de março - Dia Internacional da Mulher - vá para as ruas defender a igualde de direitos e impedir os retrocessos, mas cante conosco a força da mulher brasileira.

    As oito canções selecionadas versam sobre separação, amor, sexo, violência, mulheres negras, que sofrem dupla discriminação. Mostram com certa acidez, mas com muita candura, que toda mulher quer amar, ser livre e viver sem medo.

    Inclusive a lista contém o hino das feministas brasileiras "Maria, Maria".

    Aprecie sem nenhuma moderação, mergulhe fundo:

    100% Feminista (MC Carol e Carol Conka) 

    Olhos nos Olhos (Chico Buarque) 

    Malandragem (Cazuza e Frejat) 

    Coisas do Mundo Minha Nega (Paulinho da Viola) 

    Acreditar (Dona Ivone Lara) 

    Mulheres Negras (Yzalú) 

    Beija Eu (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) 

    Maria, Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Ao completar 80 anos nesta terça-feira (11), Antônio José Santana Martins, um dos compositores mais inventivos da música popular brasileira, conhecido como Tom Zé, mantém-se jovem e atual com uma vitalidade que só um artista desse porte poderia esbanjar.

    Tanto que acaba de lançar o seu 25º disco de estúdio, “Canções eróticas de ninar – urgência didática”. Bem ao seu estilo experimental e inconfundível. Tanto que ao quase cair no ostracismo nos anos 1980, foi resgatado pelo músico norte-americano David Byrne.

    Depois de ser levado por Byrne aos Estados Unidos, o compositor baiano, um dos ícones do tropicalismo (movimento cultural que mesclou correntes artísticas de vanguarda com a cultura pop nacional e estrangeira) voltou a ganhar o mundo.

    Senhor Cidadão 

    O começo de sua vida artística ocorreu em 1968, no show “Nós, Por Exemplo”, em Salvador, juntamente com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. o parte para São Paulo, onde fixou residência e adotou essa cidade, inclusive lhe dedicando a música “São São Paulo”. Seu primeiro LP também foi nesse ano "Tom Zé - Grande Liquidação".

    Parque Industrial 

    Na capital paulista participa do espetáculo “Arena Canta Bahia”, do teatrólogo Augusto Boal, em 1968, e do disco “Panis Et Circenses”, que marca o início do movimento tropicalista.

    Tom Zé tem um trabalho experimental, próximo do atonal, onde esbanja poesia concreta e cria uma obra minimalista. Possui um lugar garantido na história da MPB, com um acervo singular para o bem de nossos ouvidos e mentes.

    “A música de Tom Zé é diferente de qualquer música brasileira que ouvi até hoje... Expande incessantemente os limites da canção popular, adotando formas inesperadas, que nos surpreendem e encantam, com percepção aguda dos acontecimentos. Olha a grande cidade com olhos – e ouvidos – de poeta. Descobre belezas estranhas. Sua música nos dá esperança”, afirma Byrne.

     Tom Zé - Vira Lata na Via Láctea completo 

    Tom Zé vive nos corações de todos com sua irreverência eternamente jovem. Com sua perspicácia sempre com uma novidade. Com a vida que flui e respira liberdade. Como nos versos de "Esquerda, grana, direita": “Um lápis e uma régua, um resfriado me pega/Um flash quase me cega, um memorando que nega/Um vento forte um chuvisco, no olho me entra um cisco/Um som de casa de disco, uma cobrança do fisco”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: André Conti