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Sex, Abr

O Globo

  • Assassinato de Marielle Franco completa um mês sem nenhum criminoso preso

    Mais de 100 mil manifestantes em frente à Assembleia Legislativa do Rio

    um dia após o assassinato (Foto: Júlia Gabriela)

    Neste sábado (14) completa-se um mês do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. E até o momento a polícia parece não ter nenhuma pista sobre os responsáveis por esse atentado. "É incrível que a polícia não tenha apresentado ainda nenhum resultado das invetigações. Tudo o que ficamos sabendo é pela imprensa", diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    Diversas manifestações lembrando o crime e pedindo justiça acontecem nas capitais neste sábado. Em São Paulo será em frente ao Masp, a partir das 16h. Os manifestantes não se cansam de repetir "Marielle Vive" para mostrar que a luta da vereadora por um mundo melhor persiste.

    A sindicalista e ativista feminista se refere à reportagem do jornal O Globo, na qual foram ouvidas as duas testemunhas, dispensadas pela Polícia Militar. No domingo (1º), o jornal carioca trouxe informações importantes para a investigação do crime, informações aparentemente ignoradas pela polícia.

    O assassinato de Marielle e seu motorista Anderson criou uma comoção poucas vezes vista no país. Milhares de pessoas saíram às ruas de todo exigindo apuração e punição dos culpados., "Mais do que isso, todo mundo sentiu a morte dela como se perdesse alguém de família, alguém muito próximo. E a certeza de que a impunidade não pode prevalecer", afirma Branco.

    "Segundo as testemunhas, o carro em que os assassinos estavam imprensou o veículo conduzido por Anderson no qual estavam Marielle e uma assessora parlamentar e que quase subiu na calçada. Ambas disseram, também, que só viram um veículo no momento em que foram feitos os disparos. As imagens de câmeras de vigilância sugeriam que dois veículos haviam perseguido o carro em que a vereadora estava", diz a reportagem de O Globo.

    "As testemunhas disseram também que viram um homem negro, que estava sentado no banco de trás do carro dos criminosos, colocando o braço para fora do veículo com uma arma de cano alongado e que o armamento parecia ter um silenciador".

    Assista video sobre Marielle Franco feito por sua assessoria 

    Já Sérgio Ramalho, do Intercept Brasil, ressalta que ocorreram dois assassinatos de supostos envolvidos com as milícias cariocas. De acordo com ele, suspeita-se de "queima de arquivo". Mas finalmente a polícia vai comparar as impressões digitais dos assassinados com "as recuperadas nos cartuchos usados na execução".

    No domingo (8), foi executado Carlos Alexandre Pereira Maria (Alexandre Cabeça), colaborador parlamentar do vereador Marcello Siciliano, do PHS e na terça-feira (10), o subtenente reformado da PM. "Ambos tinham estreita relação com as milícias que tomaram a cidade do Rio de Janeiro. Os paramilitares são a principal linha de investigação do caso", explica Ramalho.

    Os "investigadores conseguiram extrair fragmentos de digitais dos cartuchos de pistola 9 mm encontrados no local da execução de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes", diz o repórter.

    "O objetivo agora é saber se o cabo eleitoral e o policial reformado assassinados nos últimos dias tiveram participação na tocaia à vereadora do PSOL. Um eventual resultado positivo indicaria que as execuções de Alexandre Cabeça a de Silva teriam sido queima de arquivo".

    Ramalho afirma ainda que "desde o início das investigações quase 50 pessoas foram ouvidas, incluindo doze vereadores da Câmara Municipal do Rio. Seis deles eleitos com votos de áreas sob domínio de grupos paramilitares". 

    O Globo relata ainda que a Polícia Cilvil, que investiga o crime, não se pronunciou sobre o motivo de a PM ter dispensado as testemunahs do assassinato, em vez de ouvi-las. 

    "As duas testemunhas revelaram que permaneceram no local do crime até a chegada da polícia, mas que os policiais militares mandaram todos sair de lá sem serem ouvidos", diz o jornal carioca.

    Para Kátia Branco, a sociedade não suporta mais crimes tão hediondos sem solução. "A polícia precisa dar uma resposta á sociedade. Não podemos viver sob essa insegurança, com milicianos criminosos á solta".

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB 

     

     

     

  • Bolsonaro é autor de projeto de lei que visa impedir atendimento a vítimas de estupro pelo SUS

    O candidato à Presidência da extrema-direita, Jair Bolsonaro é um dos 13 autores do Projeto de Lei (PL) 6055/2013, com objetivo de proibir o atendimento médico para vítimas de abuso sexual, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantido pela Lei 12.845, também de 2013.

    “O candidato conhecido por declarações machistas, racistas e LGBTfóbicas, já enfrenta a ira das mulheres por ter declarado que as mulheres devem ganhar menos que os homens porque engravidam, piora a sua situação a cada descoberta do eleitorado de sua trajetória política”, diz Elgiane Lago, secretária licenciada da Saúde da CTB.

    Conheça o Projeto de Lei, que impede atendimento de vítimas de violência sexual, assinado por Bolsonaro, aqui.

    Como justificativa para a criação desse PL, os 13 autores afirmam que “a Lei n. 12.845, de 1º de agosto de 2013, tem manifestamente como principal objetivo preparar o cenário político e jurídico para a completa legalização do aborto no Brasil”. Os autores do PL criticam também a distribuição da pílula do dia seguinte, que previne a gravidez indesejada.

    O aborto é permitido no Brasil nas situações de estupro, risco de morte das mães e de fetos anencéfalos (sem cérebro).

    Para Elgiane, “nenhuma pessoa em sã consciência pode concordar com um absurdo desses. O Estado estaria violentando as vítimas mais uma vez, como se já não bastasse, ela ter sido estuprada”.

    A dupla de candidatos da extrema-direita está colecionando pérolas. A sindicalista gaúcha menciona a recente frase do general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, responsabilizando as avós e mães pelo aumento da criminalidade.

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    Realidade brasileira: mais de 40% das mulheres são chefes de família no país

    “Esses senhores são completamente fora da realidade”, avalia. “Nós precisamos discutir saídas para a crise que o golpe de 2016 afundou o Brasil, como a revogação da Emenda Constitucional 95, que corta investimentos em educação e saúde e não propagar mais ódio e violência contra o povo brasileiro”.

    Atlas da Violência 2018

    Como resposta ao projeto que visa proibir atendimento médico a vítimas de estupro, Elgiane lembra os dados do Atlas da Violência 2018, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgado recentemente.

    O Atlas mostra que somente em 2016, foram assassinadas 4.645 mulheres, 15,3% a mais do que em 2015. No mesmo ano, foram registrados 49.497 estupros no país. E pasmem, 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos. Estima-se que no Brasil, apenas 10% das vítimas desse tipo de violência denunciam.

    A Lei 12.845 garante atendimento integral às vítimas de violência doméstica e abuso sexual, do diagnóstico à realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez e todos os atendimentos necessários para recuperação da vítima.

    E o projeto de lei, assinado por Bolsonaro, “significa mais uma invasão de homens aos direitos das mulheres”, afirma a sindicalista. “Precisamos de mais médicos, de mais saúde, mais educação, mais cultura, mais empregos, mais salário, mais vida digna”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Gustavo MIranda/Agência O Globo

  • Chacina de Unaí completa 14 anos e o combate ao trabalho escravo despenca com Temer

    Os auditores fiscais do trabalho realizaram um protesto nesta terça-feira (30) em frente ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, exigindo a prisão dos mandantes da Chacina de Unaí, onde ocorreu o assassinato de quatro fiscais do trabalho em 2004.

    O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait) organizou a manifestação, ao mesmo tempo em que reivindica mais segurança aos auditores. Carlos Silva, presidente do Sinait afirma que é necessário acreditar “na humanidade dos desembargadores, que não têm o coração frio dos assassinos e saberão enxergar o sofrimento das famílias e devolver-lhes a dignidade. Julguem rápido, mantenham as penas e mandem os criminosos para a cadeia”.

    O sindicato indica a participação dos auditores em todos os protestos que ocorrerão no país até a sexta-feira (2). De acordo com Rosa Maria Campos Jorge, vice-presidenta do Sinait, “Existem provas suficientes para a condenação. São provas incontestáveis e não entendemos as razões dessa demora em julgar e condenar os culpados”.

    Os atos fazem parte dos protestos pelo Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, domingo (28), data criada em 2009, em reverência aos fiscais assassinados em Unaí, Minas Gerais, nesse dia em 2004.

    Os auditores Erastóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram emboscados e mortos durante o processo de vistoria a fazendas no município de Unaí.

    A vice-presidenta do Sinait aponta à Agência Sindical a precariedade das condições de trabalho a qual os auditores estão submetidos. “Com a falta de verbas nós não podemos, por exemplo, deslocar um fiscal ou uma equipe para qualquer lugar onde haja alguma irregularidade. O último concurso, realizado em 2013, abriu apenas 100 vagas em todo o Brasil. Esse número é insuficiente para cobrir a defasagem de pessoal que existe. Hoje, nós temos cerca de 500 fiscais que podem se aposentar. Caso isso aconteça, esse déficit será ainda maior”, ressalta.

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    Trabalho escravo envergonha o Brasil e não condiz com uma nação civilizada

    Juízes do Trabalho repudiam mudanças no combate ao trabalho escravo

     Fiscalização do trabalho escravo desaba no Brasil na era Temer

    Especialistas apontam queda na fiscalização do trabalho escravo no Brasil. Cedendo à bancada ruralista, recentemente o governo de Michel Temer baixou uma portaria (1.129/2017) que dificultava a identificação do Trabalho análogo à escravidão.

    Mas como pegou muito mal e a sociedade reagiu prontamente, o governo se viu forçado a recuar e baixar nova portaria mantendo os conceitos de trabalho escravo já estabelecidos. Um levantamento feito por repórteres do Portal G1 no início de janeiro deste ano mostra que 959 trabalhadoras e trabalhadores entre os 1.122 resgatados entre janeiro de 2016 e agosto de 2017 não seriam enquadrados como escravizados.

    “A atuação da sociedade civil organizada foi essencial para essa vitória contra os ruralistas que querem retroceder a século passados, sem se importar com a dignidade humana das trabalhadoras e trabalhadores”, analisa Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

    Ao analisar números de reportagem do jornal O Globo, na semana passada, o jornalista Altamiro Borges afirma que “na prática, o covil golpista de Michel Temer – que é composto por vários ruralistas e é apoiado pela cloaca empresarial – tem incentivado o trabalho escravo”.

    De acordo com o jornal carioca foram resgatados somente 404 mulheres e homens em condições análogas à escravidão no país e em 2016 ocorreram 751 resgates. Lembrando foram resgatados 1.674 trabalhadores em 2014, 2.808 em 2013 e 5.999 em 2007. “Nota-se uma diferença crucial. Por isso, o Brasil deixou de ser referência na erradicação do trabalho escravo para a OIT (Organização Internacional do Trabalho)”, diz Vânia.

    Borges informa ainda que “a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a inconstitucionalidade da portaria que criou a lista suja do trabalho escravo – o cadastro dos empregadores flagrados no crime”.

    A Fundação Walk Free, em parceria com a OIT, identificou 45,8 milhões de pessoas em situação análoga à escravidão no mundo. Já no Brasil, o número de pessoas submetidas à escravidão moderna passou de 155,3 mil em 2014 para 161,1 mil em 2017.

    Vânia acredita que é incontestável a queda na fiscalização. “Os números são claros e mostram o abandono da Política Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo no país e o enfraquecimento da fiscalização com cortes de verbas e falta de novas contratações para o trabalho fluir de acordo com a demanda”.

    A Organização Não Governamental Repórter Brasil criou o “Ruralômetro” e identificou que 61% dos deputados federais atuam contra a agenda socioambiental. Mostra ainda que 10% da Câmara Federal (51 deputados) receberam financiamento - na campanha eleitoral de 2014 - de empresas condenadas pela utilização de mão de obra escrava.

    Identificou também que 249 dos 513 deputados foram financiados por empresas que desmataram florestas entre outros crimes ambientais. Para Vânia, “isso afeta a sociedade brasileira como um todo, mas mostra que o campo brasileiro está ao Deus-dará com essa ofensiva dos latifundiários e o relaxamento na fiscalização do trabalho escravo”.

    A sindicalista baiana reforça que a utilização de trabalho escravo agride toda a sociedade. Por isso, “fortalecer a luta dos auditores fiscais do trabalho é essencial para a erradicação da escravidão moderna e o respeito à vida humana”. Para ela é essencial "punições mais rigorosas das empresas flagradas e divulgação todos os anos da 'lista suja' do trabalho escravo e que a sociedade se conscientize da necessidade de boicotar essas empresas".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Chico Buarque é censurado pelo jornal O Globo ao comentar a condenação de Lula

    Acostumado a enfrentar a censura da ditadura civil-militar (1964-1985), o cantor, compositor e escritor Chico Buarque foi censurado pelo jornal O Globo, da família Marinho. A assessoria do artista conta que a redação do diário carioca encomendou uma declaração de Chico sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo juiz Sergio Moro.

    Ironicamente, Chico enviou por e-mail a frase “O Globo faz a diferença” e acrescentou “quero que publiquem”. Os editores entenderam o recado. Não publicaram a frase do artista por perceber a alusão feita ao prêmio anual “Quem faz diferença”, do jornal dos Marinho.

    Isso porque em 2015, o juiz curitibano de primeira instância ganhou como a Personalidade do Ano, justamente por seu trabalho na operação Lava Jato. Com essa fina ironia Chico Buarque condena a atuação de Moro e de O Globo, totalmente partidários contra o ex-presidente.

    A declaração de Chico sairia publicada nesta sexta-feira (14), juntamente com as de Beth Carvalho, Zé Celso, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque, entre outros. “Um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição”, diz a cantora Beth Carvalho.

    Um recado de Chico Buarque a ditadores de plantão: 

    Já o cineasta Kleber Mendonça Filho, afirma ser “uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”. Enquanto o teatrólogo José Celso Martinez Correa afirma que “para realizar seu grande sonho – ou melhor, seu marketing –, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já”.

    O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social”.

    Para a atriz Silvia Buarque, filha de Chico, “é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência”.

    O jornal O Globo tentou mostrar “isenção” ouvindo artistas que condenam o modus operandi do juiz Sergio Moro, mas a sagacidade de Chico Buarque, mais uma vez desmontou essa farsa.

    Durante a outra ditadura Chico inventou muitas maneiras de enganar a censura e denunciá-la, agora denuncia a censura de quem vive falando em “liberdade de expressão”, quando o assunto é democratização dos meios de comunicação.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Brasil 247, O Cafezinho, Portal Vermelho e O Globo. Foto: Mídia Ninja

  • Chico Buarque retira sua música do programa Roda Viva e nova trilha viraliza na internet

    Entre as comemorações dos 30 anos do programa Roda Viva, da TV Cultura, de São Paulo, estava a “entrevista” com o presidente golpista Michel Temer. Para entrevistá-lo no Palácio da Alvorada, em Brasília, foi escolhido um time da mais fina flor do jornalismo serviçal.

    O Roda Viva convidou para entrevistar Temer, Willian Corrêa, diretor de jornalismo da TV Cultura, João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado, Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde, colunista de O Estado de S. Paulo e Ricardo Noblat, colunista de O Globo.

    Não deu outra. Com esse renomado time o que deveria ser uma entrevista para esclarecer a opinião pública virou peça de propaganda para Temer. Fui tudo tão escancarado que o compositor e escritor Chico Buarque não aguentou e encaminhou uma notificação extrajudicial pedindo a retirada de sua música da trilha sonora do programa.

    Roda Viva (Chico Buarque) 

    Apesar de a direção da emissora afirmar que a retirada da canção Roda Viva não diz respeito ao pedido do autor da música e da peça homônima, de 1967, o artista falou aos Jornalistas Livres sobre o assunto e divulgou a notificação, assinada por seu advogado.

    “A Lei 9.610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, determina, no seu artigo 22, que ‘Pertence ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou’. Reconhece a melhor doutrina que ao autor a lei reserva prerrogativas de natureza patrimonial ou econômicas e moral. As prerrogativas morais, também conhecidas por direitos morais do autor, integram a categoria dos direitos da personalidade”, diz trecho da notificação (leia a íntegra aqui).

    Inclusive circula pelo site Avaaz uma petição pedindo a retirada da música do programa. “Ao romper descaradamente com a democracia e o compromisso com a informação, assumindo o papel de agência de publicidade, o programa não merece mais carregar como nome de batismo o título, e como música de abertura a ilustre canção de um artista que jamais virou as costas para a democracia e os interesses do povo brasileiro: Chico Buarque”, diz trecho do abaixo-assinado (assine aqui).

    Com toda essa polêmica vazou nas redes sociais a nova trilha sonora do ex-programa de jornalismo, que está no ar na emissora pública do estado de São Paulo desde 1986. Ouça abaixo a nova música, muito mais afeita ao caráter do programa apresentado por Augusto Nunes.

    Nova trilha sonora do programa da TV Cultura (Amigos do peito, música do grupo infantil Balão Mágico) 

    A música e a peça Roda Viva foram escritas no conturbado ano de 1967 e viraram uma guinada na carreira de Chico Buarque. Em um ensaio da peça dirigida por José Celso Martinez Correa, o elenco viu o teatro ser invadido por extremistas fascistas do Comando de Caça aos Comunistas para surrá-los. A música e a peça certamente não combinam com a maneira como está sendo conduzido o programa homônimo.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rio News

  • Contra a violência aos idosos: viver com dignidade é um direito de todas as pessoas

    Por considerar os maus-tratos aos idosos um problema global, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 15 de junho, em 2006, como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

    O problema ganha realce no Brasil porque a população idosa cresce com o aumento da expectativa de vida de 30 anos em relação a 1940 e hoje ultrapassa os 75 anos de idade. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que número de brasileiros com mais de 60 anos chegou aos 30,2 milhões em 2017.  Em  2012, eram 25,4 milhões. Isso mostra um crescimento de 19% na pópulação de idosos em cinco anos.

    E se o crescimento da população idosa e a taxa de fecundidade se mantiverem no ritmo atual, em 2031, o número de idosos será maior do que o de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. A estimativa é do demógrafo, ao jornal O Globo, Jose Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Estatísticas do IBGE. 

    “Com o crescimento do número de idosos, os problemas se avolumam numa sociedade despreparada para os cuidados necessários a esse contingente populacional”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Ela se refere aos dados do Disque 100 (onde se denuncia violações aos direitos humanos), onde a negligência foi alvo de 77% das denúncias somente em 2017, 51% foram de violência psicológica, 38% de abuso financeiro e 26% por violência física.

    dia mundial conscientizacao pessoa idosa ctb

    Mas a violência já começa institucionalmente. “Temos uma aposentadoria muito aquém das necessidades dos aposentados”, reforça Arêas. Isso porque entre os pouco mais de 19 milhões de aposentados e pensionistas, 70% recebem um salário mínimo por mês, que com o governo Temer está sendo desvalorizado barbaramente.

    Um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostra que 33,9% dos aposentados continuavam trabalhando em 2016. Porque para 46,9%, a renda é insuficiente por isso precisam continuar trabalhando.

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    Envelhecer no Brasil: do preconceito à aposentadoria indigna

    De acordo com o pesquisador Alexandre Correa Lima, especialista em Economia da Longevidade, o envelhecimento está sendo um desafio ao Brasil porque a população envelhece num país ainda pobre.

    Por causa das dificuldades e preconceitos enfrentados por uma sociedade habituada ao conceito de “juventude permanente”, foi criado em 2003, o Estatuto do Idoso para assegurar segurança aos mais velhos.

    O art. 2º do Estatuto afirma que  aos idosos devem ser garantidos “todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana” e “todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”.

    Conheça o Estatuto do Idoso aqui.

    Já a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, aprovada em 2006, pelo Ministério da Saúde, pretende garantir “a promoção do envelhecimento ativo e saudável”. Só que para isso ocorrer, é necessária "a criação de leis que amparem a velhice”, define Arêas. “E com esse governo toda a população está desamparada porque sua política visa beneficiar somente o capital em detrimento da maioria da população, inclusive os idosos”.

    Para ela, “é fundamental a criação de uma consciência nacional em defesa dos direitos dos mais velhos e de um grande trabalho de educação para superar os preconceitos. Coisa de velho é viver com dignidade como qualquer ser humano”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Crise: alternativas ao gás de cozinha elevam os acidentes com queimaduras

    Mais um efeito devastador da política de preços adotada pela Petrobras com a instalação do governo golpista de Michel Temer, em 2016. Além de quase 1,5 milhão de famílias estarem utilizando lenha para cozinhar, muitas pessoas usam o álcool e se expõem a riscos de acidentes graves.

    Somente no segundo semestre de 2017 o gás de cozinha sofreu seis reajustes e teve um aumento, em média, de 68%. “Isso representa grande peso no orçamento doméstico numa situação de crise como a nossa e com desemprego ultrapassando os 13 milhões de pessoas, a situação é ainda pior”, afirma Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

    De acordo com o médico Marcos Barreto, chefe da Unidade de Queimados do Hospital da Restauração, 62% dos acidentes com queimaduras que chegam ao hospital são causados pela utilização de álcool, etanol ou gás de cozinha de vendedores sem autorização.

    Ele conta ao jornal O Globo que “está havendo uma inversão de número de pacientes que estão chegando aqui com queimaduras por causa desses materiais”. Explica ainda que esse tipo de queimadura costuma ser profunda e “muitas vezes com lesões inalatórias. Então, não pode perder tempo”, tem que buscar socorro rápido.

    Em Fortaleza acontece a mesma coisa. O médico João Neto, chefe do Centro de Queimados do Instituto Doutor José Frota, afirma que houve crescimento vertiginoso das queimaduras desse tipo no atendimento do centro de referência cearense.

    “Antes, os choques elétricos e os acidentes com líquidos quentes eram maioria no atendimento. Mas temos percebido que problemas com gás e as alternativas de fazer alimentos em casa têm causado muitos problemas”, diz ele ao jornal O Povo.

    De acordo com o jornal cearense, 23,4% dos lares cearenses usam como combustível lenha ou carvão, impulsionados pelo alto preço do gás.  

    Já Vânia afirma que o desastre da política econômica do desgoverno Temer tende a trazer mais prejuízos para a população mais pobre. “Os retrocessos no Brasil estão acontecendo numa velocidade espantosa e com isso a pobreza cresce assustadoramente e as pessoas tentam se virar como podem para sobreviver”.

    Com isso, diz ela, “os riscos crescem e são as mulheres mais uma vez as que mais sofrem porque na maioria absoluta dos casos quem cozinha são as mulheres. O médico confirma isso ao relatar os casos de acidente”.

    De acordo com Barreto o preço do gás na Zona da Mata, em Pernambuco, chega a R$ 150. “Ninguém consegue mais comprar botijão de gás. Buscam alternativas e correm risco de vida", diz. “Ou elegemos um governo e parlamentares comprometidos com o país e com o povo ou a situação pode ficar ainda mais aviltante. A hora é agora”, conclui Vânia.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Filho desperta novas desavenças nas hostes do (des)governo Bolsonaro

    Um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), usou a rede social nesta quarta-feira (13) para chamar o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria de Governo) de mentiroso.

    Segundo Carlos Bolsonaro, é uma "mentira absoluta" que Bebianno tenha falado três vezes nesta terça-feira (12) com Jair Bolsonaro enquanto o presidente ainda estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo – Bolsonaro recebeu alta nesta quarta e voltou para Brasilia.

    Crise no governo

    Na terça, Bebianno negou, em entrevista ao jornal 'O Globo', que seja o pivô de uma crise no governo. Ele afirmou: "Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente". Segundo Bebianno, ele se comunicou com o presidente por meio de um aplicativo de mensagens.

    "Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai”, observou para em seguida afirmar: 'É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo ´Antagonista'”, escreveu Carlos Bolsonaro (“Antagonista” é um portal de extrema-direita.

    Gravação

    Para sustentar o que chamou de "mentira", o filho do presidente divulgou uma gravação em áudio do pai na qual ele supostamente conversa por telefone com Bebbiano. A gravação reproduz somente a voz de Bolsonaro.

    "Ô Gustavo, está complicado eu conversar ainda. Então, não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Estou em fase final de exames para possível baixa hoje, tá ok? Boa sorte aí", afirma Jair Bolsonaro na gravação.

    "Não há roupa suja a ser lavada! Apenas a verdade: Bolsonaro não tratou com Bebiano o assunto exposto pelo 'O globo' como disse que tratou", afirmou Carlos Bolsonaro na rede social.

    Gustavo Bebianno foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do capitão reformado. Ele presidiu o PSL, partido de Bolsonaro, no ano passado e durante toda a campanha. Deixou o posto depois de ter sido nomeado ministro da Secretaria de Governo.

    No último domingo, reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata "laranja" de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos.

    Com informaçõs do G1

  • Golpista Temer é vaiado durante ensaio da festa de abertura da Olimpíada, no Maracanã

    Parece quem nem os golpistas se entendem mais. O colunista de O Globo, Lauro Jardim publicou em sua coluna deste domingo (31) que o vice-presidente Michel Temer – em exercício na Presidência – foi “ruidosamente vaiado” durante um ensaio de abertura da Olimpíada Rio 2016.

    Os Jogos Olimpícos começam na sexta-feira (5), com ato contra o golpe marcado para este dia. De acordo com Jardim, “os apupos aconteceram justamente na hora que o locutor informa ao público a presença de Temer no estádio”.

    “Mesmo a parte da população que apoiava o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, percebeu o verdadeiro motivo pelo qual a elite quer derrubá-la”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ele, a partir do momento em que "a população começou a conhecer os projetos dos golpistas, percebeu que está sendo enganada, pro isso, repudiam o Temer".

    O sindicalista acredita que projetos como “a reforma da Previdência, que prevê idade mínima de 70 anos para a aposentadoria, o fim da valorização do salário mínimo e os cortes na educação, saúde e cultura, mostram que eles querem acabar com as conquistas que tivemos nos últimos anos”.

    Além disso, diz Nunes, “as privatizações prometidas e a entrega do pré-sal para petrolíferas estrangeiras, deixam claro o programa contra os interesses nacionais e da classe trabalhadora do desgoverno golpista”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Ministério Público do Rio investiga propina paga a policiais do caso Marielle

    As denúncias feitas pelo miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando de Curicica, sobre a existência de uma suposta caixinha paga a agentes públicos no Rio de Janeiro, serão investigadas em duas frentes após toda repercussão que receberam nos meios de comunicação. Depois de o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, se manifestar, na semana passada, a favor da abertura de um inquérito na Polícia Federal, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu seguir pelo mesmo caminho.

    De acordo com as promotoras Letícia Emili e Simone Sibilio, responsáveis pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em entrevista ao Jornal O Globo, o MP-RJ vai apurar os fatos narrados por Curicica. O miliciano sustenta que a Delegacia de Homicídios da Capital receberia uma propina fixa para deixar impunes os crimes atribuídos à contravenção. As promotoras aproveitaram a entrevista, no entanto, para ressaltar que não desejam a politização das investigações em respeito aos familiares das vítimas, de seus amigos e de toda a sociedade.

    As promotoras aproveitaram a entrevista para negar que o MP tenha se recusado a receber a cooperação da Polícia Federal no caso. Segundo elas, “a investigação está em curso, com atos de investigação a serem cumpridos. Em razão do sigilo, não há novas informações a serem divulgadas”.

    Fonte: CTB-RJ com informações do Jornal O Globo

     

  • Miriam Leitão é a caricatura do jornalismo servil aos interesses patronais

    Incorporando o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) da empresa em que trabalha, a Rede Globo, a jornalista Miriam Leitão protagonizou mais um episódio para a posteridade. Em sua coluna desta terça-feira (13) no jornal O Globo, ela descreveu uma suposta agressão que teria sofrido por petistas em um voo.

    De acordo com a jornalista global, “foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo (...) Terrorista, terrorista, gritava alguns", descreveu a cena que imaginou.

    Não demorou muito e o desmentido chegou. O advogado Rodrigo Mondego afirma que Leitão mentiu. "Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime”.

    Ele diz ainda que as palavras de ordem foram contra a emissora e que "foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de voo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso".

    O advogado afirma ainda que "se a carapuça serviu com os gritos de 'golpista', era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples”. 

    Principalmente porque Leitão fez sólida carreira na vênus platinada atacando os governos Lula e Dilma sem o menor pudor. Cresceu nas organizações Globo e se mantém sempre com previsões catastróficas quando se trata de governos populares.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. foto: Reprodução TV

  • Museu Nacional é destruído pela falta de compromisso com a memória e com o futuro

    O domingo (2) registra uma das mais tristes notícias para o país. Um incêndio de grandes proporções destrói o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a mais antiga instituição da memória brasileira.

    O Museu Nacional foi fundado por D. João VI, em 1818. É mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como o Museu do Ipiranga é mantido pela Universidade de São Paulo e também funciona precariamente.  Mas a crise tem se instalado na UFRJ por causa dos sucessivos cortes de orçamento promovidos pelo governo golpista de Michel Temer.

    “Essa é uma tragédia anunciada. O pouco caso com a cultura e a memória do país deixou o nosso principal museu em estado precário, sem a manutenção devida”, afirma Ronaldo Leite, secretário de Formação e Cultura da CTB.

    Boa parte das 20 milhões de peças do acervo foi consumida pelo fogo. “É um absurdo constatar a destruição de nossa memória”, reclama Leite. O incêndio destruiu quase que totalmente o local onde foi assinada a independência do Brasil e também foi sede da primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso de museu, em 1892.

    A situação chegou a ser tão degradante que, de acordo com informações do jornal O Globo, chegou-se a anunciar uma "vaquinha virtual" para a preservação do museu. 

    O incêndio começou por volta de 19h30, do domingo (2). As causas estão sendo apuradas. Mas é notório “o descaso do governo federal com a coisa pública e muito mais ainda com a nossa história”, acentua Leite. Para ele, o neoliberalismo não se importa com o que não dá lucro.

    "Não vai sobrar absolutamente nada do Museu Nacional", afirma o vice-diretor da instituição, Luiz Fernando Dias Duarte, em entrevista à GloboNews. "Os 200 anos de história do país foram queimados".

    Ainda não há pistas do que pode ter iniciado as chamas. Segundo o Corpo de Bombeiros, o trabalho foi dificultado porque os hidrantes do museu estavam descarregados e foi necessário pedir o apoio de carros-pipa.

    Já em fevereiro deste ano, Alexander Kellner, diretor do museu, reclamou ao jornal O Globo da falta de verba para a manutenção. "Felizmente essas pragas [morcegos e gambás] não têm aparecido no acervo, mas ainda podem ser vistas nas áreas comuns. O maior problema são as goteiras. Ficamos preocupados quando cai uma tempestade porque só temos verbas para medidas paliativas de prevenção".

    Para Leite, é fundamental que “a sociedade lute por um projeto nacional de desenvolvimento que valorize a cultura. É hora de reagirmos a essa destruição do nosso patrimônio e da nossa memória”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com agências. Foto: Reuters

  • Para Ministério Público e AGU, projeto “Escola Sem Partido” é ilegal

    Nota técnica do Ministério Público Federal (MPF) foi encaminhada ao Congresso Nacional, na sexta-feira (22), apontando o Projeto de Lei 867/2015, que pretende incluir o “Programa Escola Sem Partido” na Lei de Diretrizes de Base da Educação, como inconstitucional.

    "O projeto subverte a atual ordem constitucional por inúmeras razões: confunde a educação escolar com aquela fornecida pelos pais e, com isso, os espaços público e privado, impede o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, nega a liberdade de cátedra e a possibilidade ampla de aprendizagem e contraria o princípio da laicidade do Estado – todos esses direitos previstos na Constituição de 88", destaca Deborah Duprat, procuradora federal dos Direitos do Cidadão.

    “Esse projeto pretende impedir que os professores possam levar a pluralidade do pensamento humano à sala de aula”, defende Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do brasil (CTB) e da CTB-BA.

    Para ela, o encaminhamento do MPF mostra que a Constituição de 1988 está correta. “Tivemos um grande avanço na educação a partir da Constituição. Avanço fortalecido com os governos Lula e Dilma e agora esse governo golpista pretende barrar, censurando educadores”.

    Asssista o vídeo do Levante Popular da Juventude sobre como seriam as aulas se o projeto fosse aprovado

     

    Outra derrota para a chamada “Lei da Mordaça” ocorreu quando a Advocacia-Geral da União, decretou a “Escola Livre” (projeto de lei aprovado em Alagoas com os princípios do “Escola Sem Partido”) também como inconstitucional, em resposta a uma consulta feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde esse projeto é questionado por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, requerida pela Confederação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).

    Leia Mais

    Projeto ‘escola sem partido’ repete dogmas do nazismo

    O movimento educacional (docentes e estudantes) tem conseguido frear esse projeto em diversos estados. “Ao longo da última década conseguimos avançar rumo a um projeto de educação que contemple a necessidade das crianças e jovens para um aprendizado pleno”, reforça Betros.

    Ela cita a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) há 2 anos, com 20 metas a serem cumpridas até 2024, dentre elas a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e os royalties do pré-sal, mas “com o afastamento da presidente Dilma, corremos o risco de não conseguir tirar o PNE do papel”.

    Principalmente, porque no PNE, diz a educadora baiana, está implícita a bandeira da cultua da paz, através do “respeito aos direitos da infância e da juventude”, principalmente no que tange ao direito de se expressar livremente e viver em paz e em segurança”.

    Mas o projeto “’Escola Sem Partido’ defende o ódio, a discriminação, a repressão e a violência como forma de vida”, diz. Ao que tudo indica, argumenta Betros, “os que defendem esse método não querem que a escola seja destinada a todos”.

    Inclusive neste domingo (24), o jornal carioca "O Globo" defendeu a extinção da universidade pública. “Por que não aproveitar para acabar com o ensino superior gratuito, também um mecanismo de injustiça social? Pagará quem puder, receberá bolsa quem não tiver condições para tal. Funciona assim, e bem, no ensino privado. E em países avançados, com muito mais centros de excelência universitária que o Brasil”, diz o editorial.

    De acordo com Betros, a elite não se aguenta mais com as conquistas dos últimos anos. “Eles não suportam ver o negro, a mulher, o pobre nos bancos universitários. Estão surtando com esse governo golpista e impopular, querem nos mandar de volta à senzala”.

    Em um debate promovido pelo canal pago Futura sobre as ideias que norteiam o “Escola Sem Partido”, entre o professor Fernando Araújo Penna, da Universidade Federal Fluminense e o advogado Miguel Nagib. Onde vê-se que a única ideia presente no projeto é a censura.

    Assista o debate na íntegra

     

    Por essas e por outras a União Nacional dos Estudantes promove entre os dias 11 e 15 de agosto, uma Jornada de Lutas (leia aqui) para denunciar a falta de compromisso do governo golpista com a educação pública.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Charge: Latuff

     

  • Sintect-RJ ajuíza ação para anular intervenção no Postalis

    A direção do sindicato analisou a situação dos últimos acontecimentos acerca do fundo de pensão da categoria e considerou a intervenção incoerente e inconsistente, diante aos últimos fatos divulgados pela imprensa. Avaliamos que, não há motivação que justifique a intervenção às pressas da Previc, a não ser meramente política. O processo de anulação foi ajuizado pelo sindicato na última quinta-feira (7), e contesta as contradições e equívocos ocorridos na formalização da decisão da diretoria da Previc em colocar o fundo sob intervenção.

    Segundo o diretor jurídico do Sintect-RJ, Marcos Sant’aguida “A nota técnica apresentada pela Previc como argumento para a intervenção é baseada em uma divergência interna sobre posse de indicados. Situação a qual a própria Previc afirma que poderia ser resolvida internamente e não caracteriza a necessidade da presença de um interventor e, consequentemente, afastando todos os diretores, incluindo os recém-eleitos para fiscalizar o fundo”, explicou.

    De acordo com a matéria veiculada no Jornal O Globo, do dia 8, o procurador-chefe da Previc, Virgílio de Oliveira Filho, responsável por verificar a legalidade dos processos da autarquia –, não teve acesso aos relatórios feitos pela área técnica e afirmou ainda que a reunião para despachar a intervenção no fundo de pensão teria sido através de uma mera uma troca de e-mails.

    “Essas recentes denúncias apontam uma suspeita de fraude na ata da reunião. Reunião essa, que teria tido a duração de meia hora, presumindo que cada diretor leu 150 páginas da nota técnica em um minuto, o que é um absurdo. Nem o próprio procurador-chefe que é citado na ata, teve acesso ao relatório”, ressaltou Sant’aguida, que foi eleito diretor do Postalis democraticamente e impedido de tomar posse por conta da intervenção.

    Veja abaixo o trecho da matéria publicada pelo Jornal O Globo:

    (…) Um deles foi o procurador-chefe da Previc, Virgílio de Oliveira Filho. Ele é responsável por verificar a legalidade dos processos da autarquia, mas não teve acesso aos relatórios feitos pela área técnica. No entanto, a ata da reunião usa falas do procurador para ressaltar a lisura do ato. O documento diz que ele reiterou que a intervenção é um instrumento legal. Ao ser procurado pelo GLOBO, entretanto, ele disse que não falava especificamente sobre o processo do Postalis, porque não teve acesso a ele (…)

    “Como pode o quarto maior fundo de pensão do país ficar à mercê desse desleixo? Precisamos tornar claro o que está acontecendo no Postalis e todos os indícios apontam para uma situação ruim e nem um pouco transparente”, destacou o sindicalista.

    Fonte: Sintect-RJ