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Ter, Jun

Rádio França Internacional

  • "Aborto legal no hospital” foi a palavra de ordem das manifestantes a favor do projeto de lei, aprovado após mais de 20 horas de discussões na Câmara dos Deputados da Argentina, na manhã desta quinta-feira (14).

    Pelo projeto, a interrupção da gravidez passa a ser permitida até a 14ª semana de gestação no país vizinho, com o placar de 129 deputados a favor, 125 contra e uma abstenção.

    Agora o projeto vai ao Senado. De qualquer forma “a aprovação pela Câmara já significa um grande avanço e o tema continuará sendo debatido de forma ampla e sem preconceitos na Argentina, ao contrário do Brasil onde os meios de comunicação e os setores conservadores deturpam o debate sobre o aborto”, define Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Milhares de militantes tomaram as ruas de Buenos Aires para acompanhar a votação e segundo informações de um correspondente da Rádio França Internacional na capital argentina, o número de manifestantes a favor da descriminalização do aborto chegou a ser quatro vezes maior que dos manifestantes contrários.

    “A pressão popular surtiu efeito e sensibilizou os parlamentares, mesmo que a vitória tenha sido apertada”, afirma a sindicalista mineira. Apenas em Cuba, no Uruguai e na Cidade do México, o aborto é legalizado na América Latina.

    Veja como foi a manifestação nas ruas 

    Na Argentina a situação é similar a do Brasil. No país vizinho a interrupção gravidez é permitida em casos de estupro ou de risco de morte para a mãe. No Brasil, além desses dois motivos, soma-se aos casos de bebês anencéfalos (sem cérebro).

    Várias ONGs argentinas apontam que 17% das 245 mortes de mulheres grávidas registradas em 2016 foram causadas por abortos mal feitos. As estimativas apontam para a realização de aproximadamente 450 mil abortos s todos os anos. De acordo com o Ministério da Saúde argentino, de 2006 a 2016, aforam registradas 3.314 mortes maternas, sendo que 681 mulheres morreram por abortos clandestinos, 25% delas tinha entre 25 e 29 anos.

    “No Brasil, a situação é tão grave quanto na Argentina e os parlamentares ainda pensam em proibir a interrupção da gravidez em qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro”, assinala Celina.

    Para ela, o debate sobre o aborto dever ser feito “de maneira séria, sem argumentos virulentos e preconceituosos, porque milhares de mulheres pobres morrem todos os anos por causa de abortos mal feitos”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações de agências. Foto: Jorge Saenz/AP Photo

  • "Aborto legal no hospital” foi a palavra de ordem das manifestantes a favor do projeto de lei, aprovado após mais de 20 horas de discussões na Câmara dos Deputados da Argentina, na manhã desta quinta-feira (14).

    Pelo projeto, a interrupção da gravidez passa a ser permitida até a 14ª semana de gestação no país vizinho, com o placar de 129 deputados a favor, 125 contra e uma abstenção.

    Agora o projeto vai ao Senado. De qualquer forma “a aprovação pela Câmara já significa um grande avanço e o tema continuará sendo debatido de forma ampla e sem preconceitos na Argentina, ao contrário do Brasil onde os meios de comunicação e os setores conservadores deturpam o debate sobre o aborto”, define Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Milhares de militantes tomaram as ruas de Buenos Aires para acompanhar a votação e segundo informações de um correspondente da Rádio França Internacional na capital argentina, o número de manifestantes a favor da descriminalização do aborto chegou a ser quatro vezes maior que dos manifestantes contrários.

    “A pressão popular surtiu efeito e sensibilizou os parlamentares, mesmo que a vitória tenha sido apertada”, afirma a sindicalista mineira. Apenas em Cuba, no Uruguai e na Cidade do México, o aborto é legalizado na América Latina.

    Veja como foi a manifestação nas ruas 

    Na Argentina a situação é similar a do Brasil. No país vizinho a interrupção gravidez é permitida em casos de estupro ou de risco de morte para a mãe. No Brasil, além desses dois motivos, soma-se aos casos de bebês anencéfalos (sem cérebro).

    Várias ONGs argentinas apontam que 17% das 245 mortes de mulheres grávidas registradas em 2016 foram causadas por abortos mal feitos. As estimativas apontam para a realização de aproximadamente 450 mil abortos s todos os anos. De acordo com o Ministério da Saúde argentino, de 2006 a 2016, aforam registradas 3.314 mortes maternas, sendo que 681 mulheres morreram por abortos clandestinos, 25% delas tinha entre 25 e 29 anos. 

    “No Brasil, a situação é tão grave quanto na Argentina e os parlamentares ainda pensam em proibir a interrupção da gravidez em qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro”, assinala Celina.

    Para ela, o debate sobre o aborto dever ser feito “de maneira séria, sem argumentos virulentos e preconceituosos, porque milhares de mulheres pobres morrem todos os anos por causa de abortos mal feitos”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações de agências. Foto: Jorge Saenz/AP Photo

  •  A França recebeu 2019 em plena agitação pelo chamado movimento dos coletes amarelos, cuja amplitude e radicalização tomou o país de surpresa e chamou imediatamente a atenção internacional.

    Ainda que todo o ano de 2018 esteve marcado por constantes protestos contra a política do presidente Emmanuel Macron, poucos podiam adivinhar que nas últimas semanas chegariam as jornadas mais intensas protagonizadas por uns atores inovadores na cena nacional. A partir de novembro, transportadores, motoristas profissionais e cidadãos começaram a sair às ruas para expressar seu repúdio à decisão governamental de aumentar o preço dos combustíveis, vestidos com coletes refletores amarelos e realizando ações como bloqueios de estradas, de depósitos de combustíveis e marchas, entre outras.
     

    A resposta inicial das autoridades foi parecida a seu comportamento durante o ano com outros protestos: não escutar as reivindicações e usar as forças de segurança para tentar manter a ordem.

    Mas os coletes amarelos, longe de desistir, reforçaram a mobilização e paulatinamente ampliaram suas reivindicações a novas frentes: o aumento de impostos em geral, a perda do poder aquisitivo como resultado da política governamental, e a reinstauração do Imposto sobre a Fortuna, que foi eliminado há meses por Macron.

    Também começaram a exigir uma reforma da Constituição no sentido de uma democracia plena e que os cidadãos tenham a possibilidade de pedir e impulsionar a realização de referendos nacionais sobre temas relevantes.

    Nesse contexto, o governo finalmente teve que ceder e anunciou em dezembro medidas como suspender o imposto do combustível e um aumento do salário mínimo, mas para então já era tarde demais devido à amplitude alcançada pelo movimento e a radicalidade de suas reivindicações.

    Já no começo de 2019, no dia 6 de janeiro, viveu-se o oitavo sábado consecutivo de protestos em todo o país, e apesar das cenas de violência protagonizadas por alguns grupos isolados e pelas forças da ordem, a maioria das ações se desenvolveram de forma pacífica.

    Neste sentido, as figuras mais representativas dos coletes amarelos denunciam que as autoridades e os meios de comunicação concentram sua atenção nesses fatos, com o objetivo de justificar a arremetida dos agentes e desvirtuar a essência das manifestações.

    Enquanto o governo faz questão de afirmar que a mobilização começa a decair, a primeira jornada do ano buscou evidenciar justamente o contrário com o lema: 'Mostremos que o movimento não terminou'.

    Reflexo de um país em crise 

    Ao analisar os acontecimentos das últimas semanas, analistas e acadêmicos apontam que o movimento dos coletes amarelos é o reflexo de uma profunda crise nacional e da indignação cidadã com a política governamental.

    De acordo com o professor universitário Jean Ortiz, o país 'está imerso em uma crise global horrível da qual nasceu um movimento social inédito, histórico, talvez sem precedentes desde a Frente Popular em 1936'.

    Em um recente artigo, disse que 'haverá um antes e um depois' deste movimento, no qual grande parte da população expressa 'uma ira subterrânea que, por bem ou por mal, aguentavam há muito tempo'.

    Por sua vez, o acadêmico Salim Lamrani considerou que os coletes amarelos, apoiados por 80% da opinião pública, 'simbolizam a insurreição cidadã dos esquecidos da República (...) que desejam uma repartição mais equitativa das riquezas nacionais'.

    Os especialistas concordam em apontar vários aspectos que distinguem a os coletes amarelos do resto das manifestações tradicionais.

    Neste sentido, destacam sua condição de movimento não articulado; separado de partidos, sindicatos ou outras organizações tradicionais; e protagonizado por cidadãos em sua maioria alheios à política e que no curso dos acontecimentos foram se radicalizando.

    'O mais impactante são os aspectos quase insurreicionais desse inesperado levantamento de pobres - que são maioria em seu seio -, de pessoas até hoje alheias às lutas, que nunca tínhamos visto em nenhuma greve, em nenhuma marcha ou manifestação, e que muito rápido, no processo, se politizou', explicou Ortiz.

    Agregou que os participantes aprenderam a se coordenar, se auto-organizar, a pressionar os meios de comunicação que têm sido agressivos e mentirosos, ao fazer ênfase 'unicamente na queima de carros, de lojas ricas, nos exageros de um punhado de bagunceiros infiltrados nas filas do movimento'.

    'Os meios dão pretexto para o endurecimento de uma repressão que não faz mais que dar coragem aos que lutam', julgou o professor aposentado da universidade de Pau.

    Segundo suas propostas, os 'coletes amarelos' têm raízes profundas: os mais de trinta anos de 'liberalismo', de golpes de grande magnitude contra os serviços públicos, o poder aquisitivo, a saúde, o ensino.

    'Essa onda violenta de regreção social e seu fracasso rotundo (pago pelos trabalhadores), acarretou uma quantidade de sofrimentos sociais, de pobreza (quase dez milhões de pessoas, segundo os institutos de pesquisa, vivem abaixo do limite da pobreza)', indicou.

    Agregou que isso deixou ruínas industriais de norte a sul da França, milhões de vidas comprometidas, 6,5 milhões de desempregados declarados, enormes fraturas e desigualdades sociais que atingem níveis sumamente preocupantes.

    Nesse contexto, as reivindicações dos coletes amarelos apontam a uma maior justiça social e fiscal, enfatizou Salim Lamrani.

    'Os cidadãos (...) exigem justiça social e fiscal, uma democracia mais participativa e o direito a viver com dignidade', argumentou.

    Fonte: Prensa Latina

  • – O Carnaval brasileiro é uma das maiores festas populares do planeta e só por isso já tem mídia internacional constante ano após ano. Mas o presidente de turno conseguiu fazer com que a imprensa internacional desta vez se ocupasse de um vídeo pornográfico postado por ele no Twitter. As imagens capturam um momento isolado, não datado e não sinalizado quanto à localidade em que ocorreu como marca do Carnaval brasileiro. O NYT ironizou na manchete: “Presidente brasileiro Bolsonaro posta vídeo com golden shower. Comentários jorram”. O Independent: “Presidente Bolsonaro tuíta ‘o que é golden shower?’ após postar vídeo explícito de um homem urinando na cabeça de outro”. O El País: “Bolsonaro tuíta vídeo obsceno de Carnaval e desata polêmica no Brasil”.

    – Felizmente a vitória da Mangueira no Rio salvou a pátria, embora ainda não tenha tido muita repercussão na imprensa internacional. Esperamos que até amanhã seja essa a notícia mundo afora sobre o Carnaval brasileiro. O desfile da Mangueira foi marcado pelo reconhecimento de negros, negras, índios e índias como os grandes heróis e heroínas da história brasileira. Homenagens a Marielle, cuja morte completa um ano em poucos dias, foi destaque da escola.

    – A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, apresentou ontem (6) o relatório anual do comissariado ao plenário do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra. Crises na Venezuela, Nicarágua e situação dos imigrantes nos EUA foram seus focos.

    – Segundo Bachelet, há uma crise política, econômica e social na Venezuela que tem sido “exacerbada pelas sanções internacionais”, gerando um resultado alarmante. O Conselho de Direitos Humanos da ONU voltará a se reunir para tratar da situação da Venezuela no dia 20 de março, com a presença da alta comissária. Bachelet e sua equipe devem chegar a Caracas em 10 de março.

    – Na Venezuela forças chavistas estão convocando marchas para o dia 9 de março, data em que se completam quatro anos do anúncio das primeiras sanções impostas ao país pelo então presidente norte-americano Barack Obama.

    – O retorno de J. Guaidó à Venezuela no último dia 4 foi menos espetaculoso do que norte-americanos e ele próprio gostariam. O vice-presidente americano, Mike Pence, tuitou no sentido de manter elevada a tensão com o governo Maduro: “Qualquer ameaça, violência, ou intimidação contra ele não será tolerada e receberá pronta resposta”. À sua espera no aeroporto estavam os embaixadores da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Peru, Equador, Alemanha, Espanha, França, Holanda, Portugal e Romênia, além do encarregado de negócios dos EUA. Manifestantes anti-Maduro também estavam no aeroporto, mas tudo pareceu um arremedo frente ao recente fracasso da Operação Cúcuta de 23 de fevereiro.

    – Um dos embaixadores que foram receber Guaidó, o da Alemanha, foi dado como persona non grata na Venezuela pelo chanceler Jorge Arreaza. O embaixador é acusado de ingerência externa nos assuntos venezuelanos.

    – Incomodado com as referências a Guaidó na imprensa como “autoproclamado presidente” da Venezuela, o departamento de Estado dos EUA solicitou aos meios de comunicação de todo o mundo para se referir a ele como “presidente interino”. Segundo o porta-voz Robert Palladino não fazê-lo é “cair na narrativa de uma ditadura”. Em resposta, um jornalista que assistia ao pronunciamento ponderou que dos 193 Estados membros da ONU, apenas 50 reconheciam Guaidó como suposto presidente da Venezuela.

    – Um dos embaixadores que foram receber Guaidó, o da Alemanha, foi dado como persona non grata na Venezuela pelo chanceler Jorge Arreaza. O embaixador é acusado de ingerência externa nos assuntos venezuelanos.

    – Incomodado com as referências a Guaidó na imprensa como “autoproclamado presidente” da Venezuela, o departamento de Estado dos EUA solicitou aos meios de comunicação de todo o mundo para se referir a ele como “presidente interino”. Segundo o porta-voz Robert Palladino não fazê-lo é “cair na narrativa de uma ditadura”. Em resposta, um jornalista que assistia ao pronunciamento ponderou que dos 193 Estados membros da ONU, apenas 50 reconheciam Guaidó como suposto presidente da Venezuela.

    – Aconteceu ontem (6), também na Argentina, uma paralisação e uma marcha gigante de professoras e professores. Os atos vêm em resposta a dados divulgados pelo Centro de Estudos Políticos da Argentina (CEPA) de que 70% dos docentes argentinos estão abaixo da linha de pobreza, além das reivindicações por aumento dos salários, segurança nas escolas e a “paritária nacional” (acordos coletivos salariais impedidos por decreto de Macri) não cumprida pelo governo. O movimento segue até sexta em coordenação com as atividades do 8 de março.

    – Ainda sobre a Argentina, deu na revista Forbes que o país está a um passo do colapso econômico. A revista cita a CEPAL para dizer que o cenário econômico do país sul-americano pode ser explicado “pelo seu nível de endividamento, que aumentou 20 pontos percentuais do PIB entre 2017 e o segundo semestre de 2018, alcançando uma dívida pública de 77,4% do PIB”. A revista diz ainda que a cada dia na Argentina fecham sete pontos de comércio e que entre 2015 e 2017 foram fechadas 3.190 empresas.

    – Um registro importante e que não passou por estas notas é sobre a cúpula ocorrida no último dia 28 entre Trum e Kim em Hanói, no Vietnã. A reunião terminou antes do previsto e sem acordo entre os líderes, segundo a Casa Branca.

     

    Ana Prestes- Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

     

    Fonte: revistaforum.com.br

  • Rodriguinho, do Corinthians, parece pedir aos céus que barrem a reforma trabalhista (Foto: Alex Silva/Estadão)

    Atletas do Corinthians, Flamengo, Atlético Mineiro e Internacional de Porto Alegre realizaram um protesto inusitado na abertura do Campeonato Brasileiro de Futebol (Brasileirão) 2017. Contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Michel Temer, eles usaram tarja preta.

    "A reforma trabalhista quer parcelar as férias, o descanso semanal, entre muitos outros direitos", diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    "Muito bom ver que os jogadores dos clubes da elite do futebol entram nessa luta para barrar esse projeto, que acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho e retrocede para décadas passadas", complementa.

    Orientados pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fepaf), os jogadores criticam a retirada de inúmeros direitos da classe trabalhadora. Mencionam a possibilidade de os patrões parcelarem suas férias e até o descanso semanal remunerado, dividindo em 12h cada descanso.

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    D'Alessandro, do Internacional, comemora seu gol na vitória contra o Londrina, pela série B (Foto: Ricardo Duarte)

    "Modificação na estrutura do direito de arena, parcelamento de férias, repouso semanal remunerado em 2 períodos de 12 horas, fim do recesso coletivo do calendário e insegurança contratual estão nas propostas de mudança que tramitam no Congresso Nacional e causam revolta na categoria", afirma comunicado da Fepaf.

    Segundo a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no ano passado atuavam no Brasil 28.203 jogadores profissionais de futebol. Sendo que somente 1.106 ganham acima de R$ 5 mil por mês e 82% recebiam menos do que R$ 1 mil, pouco mais que um salário mínimo.

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    Atletas do Flamengo e Atlético Mineiro com a tarja preta do protesto (Foto: Pedro Martins/MoWa Press)

    “A reforma trabalhista liquida com direitos fundamentais da classe trabalhadora, prejudicando o decanso de que necessitamos para repor as energias. Certamente, essas propostas aumentarão os adoecimentos (leia mais aqui) e o tempo disponível para a família, o lazer, a cultura e para a prática esportiva", acentua Nunes. 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Considerado um dos mais importantes fotógrafos do mundo, o brasileiro Sebastião Salgado concedeu entrevista para a Rádio França Internacional (RFI), nesta terça-feira (19).  

    Para Salgado, o processo de impeachment contra a presidenta Dilma é um jogo de cartas marcadas em que os mais ricos querem voltar ao poder. Para ele, o impeachment é um "golpe de Estado imoral".

    O mineiro Sebastião Salgado completou 72 anos em fevereiro. Ele iniciou carreira em 1973 e se projetou com grandes trabalhos como um dos maiores fotógrafos do mundo. Com um olhar acurado e único. Suas fotografias espelham questões sociais e humanas, de beleza plástica, raramente vistas em imagens.

    Entre muitos outros trabalhos, destacam-se dois produzidos nos anos 1990: Terra, onde conviveu e fotografou camponeses do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), com um capítulo à parte dedicado às crianças. Depois viajou pelo mundo e seus cliques registraram Êxodos, sobre as viagens voluntárias ou forçadas realizadas por povos em diversas partes.

    Leia mais

    Fotografias de Sebastião Salgado são expostas em São Paulo

    E o mais recente Genesis que arece consuma essa trilogia sobre a vida humana e sua relação com a natureza, além de mostraras mazelas de uma humanidade em busca de soluções para a vida.

    Leia a entrevista na íntegra:

    Vamos falar primeiramente do Brasil, um país atualmente dividido. De qual lado você está?

    Com certeza não estou do lado que deu um golpe de Estado. A esquerda chegou ao poder com uma proposta interessante. Durante 400 anos tivemos apenas uma classe dominante no comando do país e, nos últimos 13 anos, houve uma verdadeira redistribuição de renda. São mais de 40 milhões de brasileiros que estavam abaixo da linha da pobreza e que passaram à classe média. Há políticas sociais muito mais interessantes que antes, mas a elite que perdeu o poder tenta voltar de todas as maneiras. Temos uma imprensa de direita que combate o PT. Não sou filiado ao partido, mas não concordo que se elimine a democracia no Brasil através de um golpe de estado imoral.

    Você acha que se trata de uma revanche política?

    Totalmente. Além disso, a classe que quer voltar ao poder é a classe mais corrupta que podemos imaginar. No mandato anterior de Dilma, houve 1.200 processos contra a corrupção.

    O PT mantém suas promessas sociais? O país realmente foi transformado?

    O PT não estava realmente pronto para promover mudanças das dimensões propostas. Havia uma base do partido que era corrupta e que teve o mesmo comportamento dos outros partidos. Temos também que cobrar o PT. Mas o balanço é o mais positivo que o Brasil já teve.

    O que nós choca aqui na França quando escutamos o termo "golpe de Estado" é que não faz muito tempo que o Brasil passou por uma ditadura. É legítimo falar de golpe?

    Poderíamos usar outro termo, mas parece um golpe. Estão tentando destituir um governo legítimo e democrático, é a primeira etapa de uma grande luta.

    O que você achou do Prêmio Pulitzer dado a fotos de refugiados (dividido entre a agência de notícias Reuters e o jornal New York Times, este com fotos do brasileiro Mauricio Lima)?

    Dizem que o fotojornalismo está morto, não é verdade. Ele conta a história. O que eu vejo nessas fotos é o espelho de uma sociedade. Hoje falamos muito de correntes migratórias como se fosse algo novo. Mas elas sempre existiram: a única diferença é que agora elas chegam à Europa. A história é exatamente a mesma.

    A história é a mesma, e os dramas humanos continuam. A originalidade das suas fotos é o preto e branco. Por que essa escolha?

    Nunca fotografei em cores. A cor provoca uma perda de concentração no momento de fotografar. Podemos dar poder e dignidade com o preto e branco. Desde 1980, trabalho com essa estética.

    Portal CTB com RFI e Jornal GGN