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Qui, Maio

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A CTB São Paulo realizou nesta quarta-feira (26), no auditório do Sindicato de Água, Esgoto e meio Ambiente (Sintaema), a primeira reunião de sua nova direção, que conduzirá a entidade no quadriênio 2017-2021. A principal pauta de debate foi a situação política nacional e a necessidade de reposicionar o movimento sindical diante dos retrocessos impostos pela reforma trabalhista: “foi um “tsunami”, não dá para ficar como antes”, alertou Nivaldo Santana, vice-presidente nacional da Central.

Santana fez um retrospecto dos 10 anos da CTB, dos avanços acumulados nos governos Lula e Dilma e da fase de resistência inaugurada com o golpe. “Passamos 12 anos em que a maioria das categorias obtinha aumentos reais. O salário mínimo acumulou 71% de aumento real nesse período. Mas, em 2016, pela primeira vez nos últimos 15 anos a massa salarial diminuiu. Apenas 19% das categorias conseguiram mais que a inflação e a grande maioria destas teve menos de 1% – ou seja, apenas um arredondamento”, exemplificou.

Segundo o sindicalista, o Brasil vive um cenário de catástrofe social, com mais de 14 milhões de desempregados, e as medidas do governo agravam o problema. “A terceirização ampla, geral e irrestrita foi uma verdadeira bomba na cabeça do trabalhador. Estudos dizem que a terceirização, que hoje atinge cerca de 25%, deve chegar a 70% da mão de obra”. Ao lado da precarização, as medidas fragilizam os mecanismos defesa do proletariado. “Para minar a resistência, atentam contra os sindicatos em duas frentes: quebrando o financiamento e tirando a obrigação de que os sindicatos participem de todas as negociações coletivas”, concluiu Nivaldo.

Em meio a um momento político difícil, a CTB aposta em aprofundar os vínculos com a classe trabalhadora e na unidade do movimento sindical, valorizando o Fórum das Centrais, para resistir e minimizar os efeitos nocivos da reforma aprovada.

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Para Paulo Nobre, secretário-geral da CTB-SP, as reformas levam a repensar o movimento sindical. “Faz parte do golpe desmontar o movimento sindical. Nós, sindicalistas classistas, não vendemos os direitos das categorias, temos diálogo e o respeito da base, que vai precisar ainda mais de nós. Vai faltar dinheiro, mas vai ter muita garra na defesa intransigente dos trabalhadores”.

O presidente estadual da CTB, Renê Vicente, alertou que o próximo período de ser de ainda mais dificuldades, citando como exemplo a Sabesp, que já realizou um seminário sobre a reforma trabalhista e os “benefícios para as empresas”. “Cumprimos nosso papel através de todo o debate que construímos. Mas vamos ter que resgatar aquele espírito de militância. De estarmos aguerridos, no dia a dia, dialogando com os trabalhadores empregados e desempregados para que entendam o que significa esse processo de perda de direitos”.

Jacira Campelo, vice-presidenta da Central, seguiu na mesma linha: “O que o governo está fazendo é a desconstrução das relações de trabalho. O movimento sindical precisa se levantar, ainda mais forte. Precisa crescer na hora da dificuldade”. concluiu.

A reunião teve sequência com definições acerca do planejamento de gestão da CTB-SP e o funcionamento de suas instâncias, a direção plena e a direção executiva. Foi estabelecida periodicidade trimestral para as reuniões da direção plena e bimestral do “secretariado”, sendo que reuniões extraordinárias podem ser convocadas sempre que necessário. Os dirigentes também deliberaram pela realização de um seminário de planejamento estratégico a ser realizado ainda neste segundo semestre.

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Por Fernando Borgonovi

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