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Com a temática da defesa do Estado laico, críticas à atuação da bancada evangélica no Congresso e apoio às "Diretas Já", a 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo teve início por volta de 12h deste domingo (18).

Para posicionar o evento dentro das lutas pelos direitos civis, a UNALGBT - União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais divulgou no mesmo dia uma carta aberta, na qual faz uma reflexão sobre os avanços e desafios da comunidade LGBT e alerta para o crescimento dos ataques conservadores ao Estado laico e à liberdade sexual.

A luta LGBT une os movimentos sociais brasileiro. Sua demanda é a da defesa da democracia, da soberania popular e de um projeto de desenvolvimento para o Brasil. Confira a carta:

São Paulo, 18 de junho de 2017

Nas últimas duas décadas, uma forte onda conservadora percorre o globo, cumprindo o objetivo do capitalismo de se reinventar para manter a hegemonia, disputando principalmente com polos políticos que resistem ao neoliberalismo e que, sob a força popular, garantiram experiências comprometidas com a democracia, distribuição de renda e enfrentamento às desigualdades. Organizados e alocados em espaços destacados de decisão, amplamente amparados pelos conglomerados de comunicação e do capital internacional, desencadeiam um profundo ataque à soberania de países deslocados do eixo de poder mundial, direitos de trabalhadores, mulheres, LGBT, negros e negras, povos e comunidades tradicionais, populações indígenas, idosos, pessoas com deficiência e outros segmentos sociais historicamente discriminados. Com o início da crise em 2008, o capitalismo mostra sua cara.

O Brasil vive uma profunda crise política e institucional, intensificada pela queda de Dilma e a imediata implementação de uma agenda derrotada nas urnas, de caráter antipopular, ultraliberal, conservador, fundamentalista e entreguista. Contrário aos interesses nacionais, à democracia e aos anseios do povo brasileiro, o golpe jurídico parlamentar midiático agrava a nossa crise econômica e põe em xeque toda a nossa estrutura republicana.


A ruptura do País com a democracia, coordenada por Temer e seus aliados, coloca o Brasil na contramão da Constituição de 88, adotando uma agenda antinacionalista, viabilizando a entrega das nossas riquezas, principalmente o petróleo às multinacionais estrangeiras, o desmonte do Sistema Único de Saúde e toda Seguridade Social.

O Governo Temer esvaziou as políticas de direitos humanos, congelou os investimentos sociais, e com isso segue contribuindo para o aumento do extermínio da juventude negra, da população LGBT, e das violências contra as mulheres.

Além disso, este Governo se afunda em sucessivos escândalos que geram um clima de desconfiança e instabilidade política, paralisando a economia e aprofundando o desemprego, e a miserabilidade de nossa população.
Com propostas de reformas trabalhistas e previdenciária que não representam os desejos e sonhos da população, que atendem exclusivamente os interesses de banqueiros, especuladores e do alto empresariado, Temer tenta retirar os direitos conquistados por trabalhadores e trabalhadoras, além de quebrar os pequenos empresários e profissionais liberais. O governo ilegítimo quer que os trabalhadores e trabalhadoras morram trabalhando.

Resistir ao avanço do conservadorismo e de perdas de direitos sociais e trabalhistas historicamente conquistados, o aumento da violência e do controle sobre a vida e o corpo das mulheres, do racismo, feminicidio, lesbofobia, bifobia, homofobia, transfobia, além da repressão e criminalização aos movimentos socais e populares, do movimento sindical e da política, é responsabilidade de todas as pessoas comprometidas com o futuro do Brasil.

A luta contra essa agenda ultraliberal está apenas começando. Esse cenário se traduz no acirramento da luta de classes em uma quadra histórica onde a defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos do povo são as principais bandeiras.

Por isso a UNALGBT, compreende a saída do presidente ilegítimo e a convocação de eleições diretas como principal caminho, capaz de nos dar estabilidade social e política, com uma nova pactuação de projeto de País, nos fazendo retornar ao estado democrático de direito, nos direcionando à retomada do processo civilizatório capaz de promover a valorização e o respeito as diferentes identidades de gênero e liberdade de orientação sexual.

A UNALGBT convoca a todos e todas a resistir e lutar. É preciso ampliar o leque de alianças, envolvendo todos os setores sociais comprometidos com a democracia, a soberania nacional, que defendem os direitos sociais, LGBT, e por nenhum direito a menos.

Neste momento de resistência, o principal desafio dos movimentos sociais é elevar a consciência política da classe trabalhadora, ganhando corações e mentes para afastar o presidente golpista, conquistas eleições diretas e retomar a agenda da classe trabalhadora e do povo brasileiro por um novo projeto nacional de desenvolvimento, com valorização do trabalho, da diversidade, da democracia e da soberania nacional.

Convocamos todas as pessoas LGBT a participarem ativamente em sua cidade da construção da Greve Geral e das atividades de mobilização. Mobilize amigos, interaja com seu sindicato, fale com as pessoas sobre a necessidade de resistir às reformas, derrubar Temer e pedir eleições diretas imediatamente.

Somos LGBT, brasileiros e brasileiras, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, povo que seguirá resistindo. Fora Temer, Diretas Já!

UNALGBT - União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Portal CTB

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