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Dom, Set

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Um dos eixos que mobilizou uma expressiva parte das delegadas e delegados da 2a. Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, que acontece de 17 a 20 de agosto, em Brasília, foi o tema que tratou do mundo do trabalho e suas consequências na vida e na saúde das mulheres.

A Reforma Trabalhista que recentemente foi aprovada na Câmara e no Senado e sancionada por Michel Temer traz um traço marcante da opção machista e descompromissada com a saúde da mulher trabalhadora, quando diz, em um dos mais cruéis pontos da nova legislação que a mulher grávida e/ou amamentando pode trabalhar em locais insalubres.

Aliás, desde que assumiu a pasta da saúde, o ministro Ricardo Barros vem dando demonstrações da concepção que o move. Há um ano, Barros afirmou que as mulheres trabalham menos porque vão mais em busca de serviços de atendimento à saúde e que os homens que vão menos ao médico, trabalham mais do que as mulheres e são os provedores.

Considerando que é praticamente impossível que Barros nunca tenha ouvido falar em dupla jornada de trabalho, no mínimo ele age de má-fé, ao fazer tal afirmação. Mas, para além disso, uma afirmação como essa desnuda o papel a que está servindo o ministro. Trata-se da imposição dos setores privados que têm como meta acabar com o Sistema Único de Saúde (SUS).

As mulheres estão mais vulneráveis aos problemas de saúde, muitas vezes decorrente justamente das extensas jornadas de trabalho. “Muitas vezes a mulher acorda antes do marido e dos filhos, para preparar o café e organizar a casa, antes de sair para trabalhar fora. Ao voltar, tem que dar conta da manutenção da casa, alimentação da família, etc”, diz a Secretária de Saúde da Mulher da CTB, Elgiane Lago.

Mas, além das consequências na saúde física das mulheres, o mundo do trabalho também afeta a saúde mental das mulheres. Mais expostas ao assédio moral e sexual no trabalho, também são elas que sofrem mais diante das ameaças de desemprego. Em decorrência, as mulheres também têm a sua saúde psicológica afetada.

Essas questões, debatidas pelo eixo temático, apontam a necessidade de reforçar, ampliar, integralizar e universalizar, cada vez mais, a saúde pública, de modo especial, às mulheres, contraditoriamente ao que aponta o governo comprometido com a saúde privada.

De Brasília, Sônia Corrêa – Portal CTB