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Sex, Maio

Manifestação em Juazeiro (BA) pede punição para o crime da Vale em Brumadinho

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Passado um mês do crime ambiental provocado pela Vale no município mineiro de Brumadinho, com o rompimento da Barragem 1 em 25 de janeiro, os trabalhos de buscas localizaram 179 pessoas mortas e ainda há 134 desaparecidos, o que significa que o número de vítimas totais deve ultrapassar a casa dos 300.

O crime pode ser atribuído à privatização da empresa, feita na bacia das almas por Fernando Henrique Cardoso, que em 1997 entregou a empresa aos capitalistas por apenas R$ 3 bilhões. Hoje a Vale lucra mais de R$ 5 bilhões a cada trimestre.

Antes da privatização, a empresa não tinha problemas maiores com barragens, mas os proprietários privados economizaram na segurança para aumentar os lucros, construindo barragens de baixo custo mas instáveis e perigosas, como ficou evidente já na tragédia de Mariana, também em Minas Gerais em novembro de 2015, que deixou um saldo de 19 mortos e perdas incalculáveis para o meio ambiente, além de causar epidemias de febre amarela e dengue.

Como o crime capitalista ficou impune, os mesmos donos não demoraram a reicindir, provocando a desgraça de Brumadinho, cujos danos humanos são bem maiores. A destruição ambiental também foi grandiosa.

Sobreviventes relatam que um mar de lama tomou conta de estradas, do rio, do povoado e, sobretudo, da área da Vale, empresa responsável pela barragem. Como era hora do almoço, muitos funcionários ficaram retidos no restaurante.

O misto de perplexidade, tristeza e indignação se instalou no país. As dificuldades causadas pela lama e riscos de contaminação aliados à chuva intensa aumentaram ainda mais a tensão nas buscas por vítimas. Famílias inteiras desapareceram. Nem todos foram localizados.

Ontem (24), ocorreram manifestações em Brumadinho, em Belo Horizonte e em Juazeiro (BA) para homenagear os mortos e protestar contra o crime ambiental.

Incertezas

Pela estimativa do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, os trabalhos deverão se estender por três a quatro meses após o rompimento. Os rejeitos atingiram o Rio Paraopeba, e o governo de Minas proibiu o consumo da água, devido ao risco de contaminação. Não há estimativa de suspensão da medida.

Há três dias, a Vale informou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que vai manter o pagamento de dois terços dos salários de todos os empregados próprios e terceirizados que morreram na tragédia. Segundo a empresa, o pagamento será mantido por um ano ou até que seja fechado um acordo definitivo de indenização.

A empresa também se comprometeu a só transferir empregados após prévia consulta e concordância do trabalhador, além de consulta ao sindicato. Para a transferência, será priorizado o local de origem do empregado.

Anteriormente, a Vale se comprometeu a garantir emprego ou salário para os empregados de Brumadinho, inclusive os terceirizados, até 31/12/2019. Também prometeu pagar as despesas com funeral e verbas rescisórias das vítimas fatais, conforme certidão emitida pelo INSS.

A empresa garantiu que dará atendimento psicológico e fará pagamentos de auxílio-creche e de auxílio-educação, além de danos morais para cônjuges ou companheiras, filhos, pais e irmãos das vítimas.

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