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Qui, Maio

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A cantora e compositora chilena Violeta Parra nasceu no dia 4 de outubro de 1917. Ela se tornaria uma das mais importantes vozes das populações mais pobres da América Latina com suas canções políticas e esperançadas. 

Além de se transformar na principal compositora chilena, Parra estudou a cultura popular de seu país. De família pobre, abandonou a escola em 1934 para cantar com seus irmãos, tornando-se uma das mais importantes folcloristas do chile, viajando pelo país para conhecer a vida e as canções dos camponeses.

Ela encantou o mundo com canções antológicas e necessárias como “Gracias a la Vida”, popularizada no Brasil por Elis Regina (vídeo abaixo).

“Graças à vida, que tem me dado muito
Me deu o som e o abecedário
E com ele, as palavras que penso e profiro
Mãe, amigo, irmão e luz iluminando
A rota da alma de que estou amando” 

Em 1949, gravou seu primeiro disco na dupla feita com sua irmã Hilda, Las Hermanas Parra. Nunca mais parou até falecer em 5 de fevereiro de 1967, antes de completar 50 anos. Revolucionária em sua arte e em sua vida. Dedicou-se a cantar os saberes de seu povo com suas dores, seus amores, mas sempre com olhos no mundo novo.

Tanto que os musicólogos Manuel Deniz Silva e Pedro Rodrigues escreveram na “Revista Vírus”, que “Violeta Parra, cantora, compositora, pintora, ligou a sua música à revolução de uma forma particular - com a sua voz e a sua guitarra mergulhou a canção-testemunho e a canção popular da América do Sul num caldo de revolta”.

“Volver a los 17” (video abaixo), que para estudiosos refere-se à Revolução Russa que ocorreu em 1917, ano do seu nascimento, é bem apropriada para o centenário da revolução que mudaria o mundo e para denunciar as atrocidades feitas em nome do combate ao comunismo.

“Voltar aos 17 depois de viver um século
É como decifrar sinais sem ser sábio competente
Voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
Isso é o que sinto neste instante fecundo” 

Influenciou o canto de muitas gerações pelo continente, entres eles os brasileiros Milton Nascimento e Chico Buarque. Precisa maior reverência do que essa? “O importante do legado de Violeta está na magnitude da sua obra” diz com razão a sua filha Isabel Parra.

Num tempo tão sombrio, muito importante comemorar o centenário de tão importante voz que canta a vontade de mudar o mundo e transformá-lo num lugar bom para se viver, sem violência e sem discriminações. Violeta Parra representa a força da mulher latino-americana contra a cultura do estupro. Violeta Parra nos brindou com centenas de importantes obras, para interpretar e melhorar a vida de todo mundo.

Já em “Casamiento de los Negros” (ouça abaixo), a poeta denuncia o racismo, mas canta a força da população negra em resistir e construir o novo.

“Formou um casamento
Todo coberto de negro
Negros os noivos e os padrinhos
Negros cunhados e sogros
E o sacerdote que os casou
Era dos mesmos negros” 

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Fundação Violeta Parra

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