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A Petrobras é hoje a empresa que mais extrai petróleo no mundo. Seu Plano de Negócios prevê a construção de 38 plataformas, 88 petroleiros, 28 sondas de perfuração e 146 barcos de apoio para os próximos anos. Significa um potencial de geração de mais de 20 mil postos de trabalho qualificado. Com isto, a indústria naval pode vir a ser para o Brasil o que a indústria automobilística é, ou foi, para países como Alemanha, Itália e EUA. Mas nunca será, se o Brasil não viabilizá-la.

Em nenhum país a indústria naval se desenvolveu sem o Estado. A Coreia, para ser o que é hoje, maior produtora de embarcações, precisou financiar a indústria naval com 70% dos recursos estatais. China, Japão e Estados Unidos fizeram o mesmo.

A política de conteúdo local, criada no governo Lula, é estratégica. Por isto, precisa não só ser mantida — a presidenta Dilma já deixou claro que é intocável —, mas também aprimorada, contra aqueles que defendem seu desmonte, usando a atual crise como pretexto.

O país não pode prescindir deste instrumento, que vai fomentar o surgimento de novas indústrias de navipeças e formar ampla rede de fornecedores com geração de emprego, renda e desenvolvimento. Não quer dizer que se deve fechar os olhos para os problemas.

Os aditivos de contrato que não são honrados pela Petrobras e que quebram empresas de médio porte, onde o prejuízo na maioria das vezes acaba nas mãos dos trabalhadores, a sede insaciável por maiores percentuais de lucro que acomete grande parte do empresariado nacional, e velhas práticas que acabam levando a grandes escândalos de corrupção são parte dos problemas que precisam ser enfrentados, com serenidade, firmeza e com a convicção da importância deste projeto que é do Brasil e dos brasileiros.

Identifiquem-se e punam-se com o rigor da lei os corruptos e os corruptores que se locupletaram do dinheiro público. Porém, preservem-se as instituições e não deixem que se freie a principal empresa brasileira.

Alex Santos é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro.

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