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Uma cena do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, já profetizava as doenças do trabalho devido ao excesso de pressão patronal e à jornada excessiva. Na cena o de tanto apertar parafusos na linha de montagem, com movimentos repetitivos e trabalho a exaustão, o operário sai apertando tudo o que se assemelha aos parafusos que teria que apertar sem o escanso devido para exercer tal função. O filme de 1936 já apresentava os malefícios da exploração do capital sobre o trabalho.

Quase 80 anos depois, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) acometem milhares de trabalhadores e trabalhadoras todos os anos. São metalúrgicos, bancários, digitadores, secretárias, trabalhadoras domésticas, jornalistas e diversos outros profissionais sofrem os males dos movimentos repetitivos sem o descanso intercalado com o tempo adequado e, principalmente, sem os exercícios de prevenção necessários para o combate esses males que atingem mais de 10% dos trabalhadores no mundo todo, principalmente em alguns países em que os patrões são relapsos com as questões da saúde no trabalho, entre eles o Brasil.

As LER/Dort decorrem da intensificação do trabalho e representam um desgaste do sistema musculoesquelético de trabalhadores, cujas atividades de trabalho exigem a execução de movimentos repetitivos, associados muitas vezes a esforços físicos e manutenção de determinada postura por tempo prolongado.

Por isso, no ano de 2000, diversos organismos decretaram o 28 de fevereiro como o Dia Internacional de Prevenção às LER/Dort com o objetivo de alertar a classe trabalhadora da necessidade de atenção para com as questões referentes à melhoria no ambiente do trabalho, exigindo o descanso necessário para cada função, Além de acompanhamento de médicos do trabalho para dar orientação em exercícios que combatam a possibilidade dessas lesões que podem ser permanentes se não forem devidamente cuidadas a tempo.

De acordo com os dados publicados pelo Ministério da Previdência Social, em 2006, o Brasil registrou 503.890 acidentes e doenças do trabalho, dentre estes 26.645 foram doenças ocupacionais. Dados divulgados no ano passado apontam para cerca de 700 mil trabalhadores acidentados ou adoecidos no ambiente do trabalho todos os anos no Brasil. Os números são alarmantes e o movimento sindical tem sob seus ombros a responsabilidade de alertar à classe trabalhadora sobre como se organizar para mudar essa triste realidade.

A Chapa 2 – Renovação com Responsabilidade e Luta defende uma atuação consistente e abrangente para diminuição sensível das doenças do trabalho. Os prejuízos são enormes para o próprio trabalhador, que fica afastado e se vê na contingência de nunca mais poder voltar a produzir; aos seus familiares que sofrem as consequências dessas doenças nefastas; ao empresário que tem seu funcionário afastado e tem que repor a produção e ao governo que arca com os custos do trabalhador afastado.

Já passa da hora de todos se conscientizarem que é necessária a aplicação de uma jornada de trabalho que possibilite ao trabalhador dispor de tempo para si e para a sua família. Para nós, somente a união de esforços dos trabalhadores é que poderão pôr fim a essa cruel exploração da nossa mão de obra.

Vamos à luta sempre!

Ricardo Cadan​ é candidato à Presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul pela CHAPA 2 Oposição CTB.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.