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17 de junho, uma quarta-feira, foi um dia histórico para os comerciários cariocas, a CTB e o movimento sindical brasileiro. Em eleições limpas e justas, pela primeira vez em décadas, a categoria elegeu a Chapa 1, “A hora da mudança”, para a direção do seu sindicato, colocando fim a uma era sinistra e infame na vida da entidade, que teve início no regime militar, em 1966, quando a família Mata Roma tomou de assalto o sindicato, com a ajuda dos generais.

Encabeçada pelo jovem Márcio Ayer e formada por militantes da CTB a Chapa 1 conquistou mais de 80% dos votos com o compromisso de resgatar o sindicato para a categoria. A entidade representa mais de 400 mil trabalhadores e trabalhadoras da capital carioca, Miguel Pereira e Paty dos Alferes. “Vamos inaugurar uma nova época, faremos um sindicalismo combativo, classista, democrático e de luta”, afirma Ayer.

O maior patrimônio

A vitória da CTB resgata a entidade da corrupção moral e política e da bandidagem, comandadas pelo funesto Mata Roma e a UGT, da qual ele foi nada menos que secretário de Relações Internacionais. Trata-se de um dos maiores sindicatos do país, o segundo da categoria, com uma arrecadação e um patrimônio financeiro invejáveis. Um instrumento de luta poderoso, criado em 1908, que agora, depois de quase 50 anos, será recolocado a serviço da categoria e da classe trabalhadora.

O patrimônio maior conquistado pelos cetebistas não é a máquina, é a representação de uma categoria sofrida, uma das mais exploradas e oprimidas da classe trabalhadora brasileira. Uma categoria estratégica, seja pela quantidade, que também determina a qualidade, seja pelo espaço que ocupa na sociedade, ou mais precisamente, nas cidades durante o processo global de produção capitalista.

É composta por centenas de milhares de integrantes do que podemos chamar de nova classe trabalhadora brasileira, jovens e mulheres em sua maioria trabalham nos centros urbanos em contato com milhões de consumidores e residem nas periferias, padecendo a angústia diária da mobilidade urbana, jornadas extenuantes, alta rotatividade, assédio moral e salários miseráveis.

Bandidagem da UGT e FS

A categoria deseja ser representada com dignidade e expressou isto com força na eleição. Estou convencido de que a nova diretoria, com espírito e concepções classistas, está à altura da tarefa. Liderada pelo jovem Márcio Ayer e com uma forte bancada feminina a nova diretoria eleita dia 17 é a cara da categoria e está seriamente comprometida com a mudança.
A CTB e os candidatos da Chapa 1 viraram uma página tenebrosa na história do Sindicato dos Comerciários do Rio e vão inaugurar uma nova época para a categoria. Podem escrever. No desespero, consciente de não tinha chances de ganhar no voto e não poderia roubar uma eleição conduzida pela Justiça, a UGT apelou para o bandidismo. As cenas de violência na madrugada do dia 17 no centro da capital carioca encerram um capítulo vergonhoso na história do movimento sindical brasileiro e deveriam suscitar uma reflexão mais profunda dos representantes da classe trabalhadora.

Um assessor da Força Sindical, Paulo Vermelho, também foi preso como um dos líderes da invasão e depredação da entidade, que provocou prejuízos estimados em R$ 3 milhões e acabou com a prisão de 202 vândalos no segundo dia do congresso da UGT em São Paulo. Pelo menos 20% deles já andaram frequentando as delegacias paulistas. A corrupção e o bandidismo não podem ser naturalizados no movimento sindical, são desvios perigosos que devem ser combatidos e denunciados.

Alguns líderes da CUT carioca, que não conseguiram formar uma chapa com os requisitos necessários para concorrer ao pleito, também andaram pisando na bola e respaldando a UGT e a família Mata Roma no processo eleitoral, que felizmente foi concluído com uma grande vitória da CTB (capaz de alterar a correlação de forças no meio sindical) e principalmente dos comerciários do Rio de Janeiro.

Foi um acontecimento histórico para a classe trabalhadora e o movimento sindical brasileiro.

 


Umberto Martins é assessor político da presidência da CTB.

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