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Seg, Set

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O governo Jatene que tem, entre suas marcas, a privatização da Celpa – Centrais Elétricas do Pará, em enrolada transação, agora dá uma de Nero, o imperador que incendiou Roma, e coloca em marcha diabólico plano para privatizar a Companhia de Saneamento do Pará – Cosanpa, e entregar a Saúde do estado às Organizações “Sociais”.

No dia 25 de junho ocorreu um incêndio no Pronto Socorro Municipal de Belém que matou duas pessoas e intoxicou centenas de pacientes e funcionários, apesar de advertência desse risco há mais de um ano feita pelo Ministério Público e Corpo de Bombeiras da Capital. Trata-se de uma tragédia anunciada que mostra o descaso com a coisa pública e com a sociedade – sem querer questionar interesses em sucatear o serviço público de saúde para permitir o repasse dos serviços à organizações de saúde.

Na mesma semana novo incêndio acentua a crise e condição de calamidade pública com hospitais lotados, e destrói 8 boxes na feira da Pedreira, que se não deixou vítimas deixou muitos danos que trarão muitas dificuldades aos sofridos feirantes da Pedreira.

Mal passam 10 dias e novo incêndio, dessa vez na Companhia de Saneamento do Pará - COSANPA que fornece água para 2 milhões de pessoas e provocou a interrupção de água em 28 bairros por mais de três dias, permanecendo situação irregular até hoje, passado mais de uma semana depois e com previsão difícil para regularização do problema. A peça que queimou e precisa ser substituída é importada e previsão de chegada no dia 20 de julho de 2017.

A informação obtida é de que a peça principal, que pegou fogo no incêndio da Cosanpa, é importada e só deve chegar no Brasil depois de 20 de julho. Nesse período o governo do estado e a Cosanpa vão continuar enrolando a população com algumas improvisações, do tipo “gambiarras”, que vai gerar a situação de falta de água frequente, nos diversos bairros da região metropolitana de Belém.

Um dia depois, outro incêndio atingiu uma barraca do Ver-o-Peso, assustando os feirantes e consumidores do local, que desde a última reforma, em 1998, não recebe manutenção ou qualquer tipo de melhoria em sua estrutura.

Nesse processo de rápido sucateamento da Companhia de Saneamento do Pará – Cosanpa, não faltam absurdos como a falta de fornecimento de copos para os funcionários tomarem água e de papel higiênico nos banheiros, passando por fechamento de obras em andamento, da não manutenção ordinária e necessária, ocorreu  na semana passada um  

A necessidade de combater o desgoverno e a calamidade que se abate em nossa cidade foi criado o espaço de debate para discutir rumos da crise de governalidade do PSDB e formado um Fórum de Debates e Ação, o "Fórum Belém 400 Danos", que surge a partir das duas manifestações sobre a falta de água está semana e os problemas do incêndio no Pronto Socorro Municipal de Belém.

Diante do quadro de abandono, entidades sindicais e dos movimentos sociais, vem realizando protestos em frente à COSANPA, em São Braz e resolvem organizar um Fórum de Debates e Ação para construir uma agenda de mobilização em torno dos assuntos e temas pertinentes ao descaso com que a cidade vivencia.

A reunião que criou o fórum aconteceu no dia 09 de julho, no Sindicato dos Urbanitários, com a presença da CTB, CUT, Intersindical, diversos sindicatos, ONG's, Movimentos Sociais, da juventude, das mulheres, partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL, PCB e PCR) e a população em geral, que debateram os rumos da cidade que está prestes a completar 400 anos e agoniza em um caos generalizado, buscando definir os passos futuros deste movimento que lutará por uma cidade mais digna para vivermos.

Em debate fraterno de ideias, onde se mantém o direito de cada organização, de cada cidadão ter avaliações de conjuntura diferente e os processos de estratégias de enfrentar a conjuntura de crise, mas se buscou estabelecer consensos em torno da luta contra o caos dos governos do PSDB no Pará e da região metropolitana e seguir o debate nas questões da democracia e combate ao golpismo.

O Fórum nasceu da manifestação espontânea, em virtude da crise hídrica que Belém sofre, a partir do desgoverno em Belém e no Pará e para contribuir na realização de ações políticas de defesa dos direitos da população, como a saúde pública, saneamento, luta contra a violência entre outras demandas sociais. e construir uma nova cidade para todos e todas!

Vamos juntos em busca de mais espaço para o diálogo e reconstruir uma plataforma concreta, valorizando e priorizando o que nos une, e nos preparando para o enfrentamento nas lutas sociais, políticas culturais e ambientais a partir de um princípio ético, sustentável.

Agora é ampliar este espaço e iniciar um processo de mobilização pra enfrentar a crise de desgoverno e tentar tirar os movimentos sociais e sindicais da "paralisia " política.

Entre as tarefas para a consolidação do "Fórum Belém 400 Danos" está ser o aglutinador e de ampliação de novos agentes sociais, focando nos problemas locais das cidades da Região Metropolitana de Belém.

Para isso é necessário o uso das ferramentas das redes sociais (Facebook, Twitter a fanpage do Fórum), estimulando que essas sejam objetos de “Curtir” e “Compartilhar”, ao tempo que se utiliza outras formas de mobilização e debate.

O "Fórum Belém 400 Anos" pode ser um caminho para uma Frente Ampla por direitos, cidadania e democracia.

Há um esforço coletivo para que este não seja apenas mais um fórum, entre outros, onde falamos só pra nós mesmos e depois, por nos repetirmos, enjoamos de nos ouvir e deixamos de nos encontrar.

É necessário discutir como dialogar com as novas gerações, incluindo e absorvendo suas pautas. Evitar a imposição que afasta as pessoas e impede o debate fraterno.

Na atual conjuntura é importante rever as mobilizações de Junho/2013, os métodos de mobilização e sensibilização que, mesmo com equívocos, traziam muitas pessoas de várias idades, classes sociais, segmentos para as ruas, em defesa de direitos. Uma galera que não viveram os anos 60 ou 80, outras épocas recentes de mobilizações massivas.

O "Fórum 400 Danos" é uma proposta para dialogar com a juventude e os novos atores sociais que despontam em Belém e pelo entendimento que o termo agrega. Precisamos incluir a moçada do hip-hop da praça de São Brás, do Skate Metal da UFPA, a turma do batuque da Praça da República, a galera que combate a violência com cultura e cineclubismo na Terra-Firme.

O debate nesta primeira reunião e os atos já realizados em São Braz, trazem ideias, avaliações e análises buscando a retomada do sonho da reorganização popular em prol de saúde, educação, cultura, política e da democracia.

Esquecer de defender a democracia e combater o golpe é um reducionismo na nossa luta. É aceitar que venham às nossas casas pisoteiem nossas flores, arranquem os gramados e ficamos olhando porque não foi com a gente, lembrando o poeta.

Um dos debates atuais nas definições do Fórum é a respeito da amplitude do mesmo. Se abarcará apenas as questões mais imediatas da cidadania em Belém ou se vamos incluir entre nossas prioridades a defesa da democracia e do combate a tentativa de golpe, em marcha no país.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)  defendeu que “(...) ainda com dificuldade é que dê trabalho, é importante que tenhamos condições de construir algo mais amplo e classista. Defender o povo de Belém, nossas conquistas e necessidades - água, energia, saneamento, segurança e governo. Mas sem aceitar - como se fosse menos importante, aceitar um golpe na democracia, que levaria nosso país a um comando conservador e reacionário, pior que a elite que dirige nosso estado e Cidade”.

José Marcos Araújo (Marcão Fonteles) é presidente da CTB Pará

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.