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Enquanto o governo federal luta para se ver livre da crise política e econômica, o PSDB segue firme e em ritmo acelerado, com seu objetivo de tornar o BRASIL um país submisso aos interesses internacionais, através da privatização de nossas empresas e da diminuição da presença do Estado na sociedade. Ao largo das discussões dos rumos da crise, segue acelerado o projeto entreguista do senador tucano José Serra (PSDB), o PLS 131, que retira da Petrobrás parte da operação do pré-sal, entregando para as transnacionais. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), estudos recentes apontam que o pré-sal tem ainda mais de 170 bilhões de barris de petróleo para serem explorados.

O projeto, apesar do acompanhamento de parte do movimento sindical, não tem tido a atenção necessária da esquerda brasileira e principalmente dos trabalhadores. O projeto tucano ataca diretamente nossas principais riquezas – o petróleo e a Petrobrás –, pois tira a obrigação da estatal de participar em ao menos 30% em cada bloco e libera a estatal brasileira de ser a operadora única nas atividades de extração do óleo em áreas de grande profundidade.

No dia 26 de agosto, o senador Otto Alencar, também do PSDB e presidente da comissão que analisa o PLS 131, declarou o encerramento dos trabalhos, sem o mínimo debate, com o perigo de encaminhar para o plenário do Senado.

Para piorar, através de informações da imprensa, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Pezão, deve se reunir com outros governadores do PMDB para apoiar o projeto. Diante da queda de arrecadação dos royalties e dos investimentos da Petrobrás, os governadores procuram uma saída imediatista que é a entrega do pré-sal e a entrada dos recursos das empresas estrangeiras, que viriam para abocanhar o nosso petróleo.

Esse é o projeto dos salvadores da pátria, que tentam de todas as formas derrubar a presidenta eleita democraticamente, com o conluio da mídia e de parte do judiciário. Na verdade, estão ávidos para voltar a entregar nossas riquezas, como fizeram durante o período FHC. Vale lembrar que os tucanos ainda querem alterar a Lei de Partilha, que mantém o petróleo retirado como propriedade do Estado brasileiro, recursos que devem se destinar para a educação e a saúde.

A mudança nessas leis ataca ainda o conteúdo nacional e a engenharia, afetando diretamente os empregos e o conhecimento de novas tecnologias. Desarticulando, mais uma vez, todo o setor metalúrgico e naval.

Ao mesmo tempo, assistimos a decisão da Petrobrás de paralisar as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí (RJ), onde mais de 80% das obras já estão concluídas. Essa paralisação também gera sérios problemas não só para os municípios, como também para a própria companhia de petróleo.

É hora do movimento sindical dar a virada nesta luta, repetir mais e mais vezes as manifestações do dia 20 de agosto e levantar, bem alto, a bandeira da democracia, do desenvolvimento e da soberania nacional.

Alex Santos é diretor de Industria Naval e Offshore da Fitmetal e secretário de Relações Sindicais da CTB-RJ

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