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Entre os dias 19 e 23 de janeiro, ocorreu em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) o Fórum Social Mundial Temático. A CTB participou das atividades por meio de seus representantes. Leia abaixo a exposição feita pelo secretário de Relações Internacionais, Divanilton Pereira, na mesa “Fórum Social Mundial, altermundismo e a luta por um outro mundo possível: estratégias e alternativas de superação do capitalismo”:

A CTB, central sindical filiada à Federação Sindical Mundial, saúda as expositoras e os expositores aqui presentes, e através de todas e de todos os lutadores sociais, faz uma saudação especial ao 15º aniversário do Fórum Social Mundial.

Primeiramente consideramos que seria uma opinião voluntarista concluir que uma articulação sócio-política como o Fórum Social Mundial, sobretudo pelos seus propósitos históricos e formato, pudesse, num tempo tão curto, ter produzido alterações globais maiores do que ele já acumulou até aqui.

O neoliberalismo, um conjunto político multifacetário e global, é desde os seus primórdios até o curso atual, uma resposta do capitalismo frente a sua crise de acumulação. É uma fase na qual o rentismo parasitário alcançou uma violenta ofensiva e predomínio. No que pese seus percalços, no geral, ele ainda se constitui como força que detém a hegemonia política, econômica e ideológica.

Foi contra essa poderosa onda e seus propósitos antinacionais, antipopulares e anticivilizacionais, que este Fórum se articulou. Seus diagnósticos e bandeiras ecoaram pelos continentes, particularmente na nossa América Latina. Produziu denúncias e mobilizações sociais, ao mesmo tempo que socializou consciência crítica para que os povos lutem e resistam contra a barbárie do capital. A sua diretiva “ um outro mundo é possível” se tornou uma fonte inspiradora às lutas em nível mundial.

Dessa forma, consideramos que o Fórum Social Mundial é uma importante frente política e social, e que a partir de uma estratégia, pode jogar um papel ainda mais destacado contra o julgo capitalista. Todavia, precisamos debater os seus limites e isso dialoga com suas formas, táticas e objetivos.

O Fórum, além de seu legado anti-neoliberal, tem um importante patrimônio. Está dotado de organizações e movimentos que possuem uma diversificada gama de conhecimentos específicos, de variados projetos e experiências populares, além de valiosos acúmulos temáticos e teóricos.

Contudo, pela grandeza dos desafios que continuam postos, cremos que devemos ampliar essa sua base política e forjá-la com abrangentes objetivos comuns. Essas iniciativas poderão maximizar a sua energia, aumentar a sua capacidade aglutinadora e com isso, elevar a sua força transformadora.

A CTB compreende que essa diretriz é uma necessária atualização tática. Caso adotada, poderá ampliar os seus êxitos antineoliberais, somar forças em direção a uma estratégia anticapitalista e melhor se posicionar frente à nova transição geopolítica em curso.

Essas opiniões partiram de uma análise de que a configuração geopolítica do pós-guerra está politicamente esgotada. Importantes articulações inter-regionais, como o BRICS, exigem uma outra e que esta se estabeleça em correspondência com a nova realidade em desenvolvimento.

No entanto, o consórcio imperialista, liderado pelos EUA, reage contrariamente promovendo guerras, invasões, agressões ambientais, a desvalorização do trabalho e a degradação de valores. O mundo, conduzido por essa hegemonia capitalista ultrafinanceirizada está tenso e perigoso. A continuidade dessa ordem significa uma seríssima ameaça civilizacional.

Contra esse cenário o Fórum Social Mundial pode entrar em uma nova fase, em que se reafirme a estratégia contra o julgo reacionário e arbitrário do rentismo parasitário. Uma etapa com amplas frentes políticas para campanhas continentais, destacando a defesa dos povos e de suas soberanias, da paz, dos direitos sócio laborais e do meio ambiente. Um novo estágio para desmascarar e enfrentar os surtos fascistas pelo mundo.

A CTB está convencida dessas possibilidades e reafirma seus compromissos com o futuro do Fórum Social Mundial.

Por fim, façamos com que as utopias - inspirações de muitos - não sejam apenas expectativas abstratas, especulativas, distantes ou até mesmo inatingíveis. No atual estágio da luta política concreta, miremos a realidade investigando-a, alterando-a e conquistando-a em favor dos povos e da classe trabalhadora. Com essas convicções descortinaremos os caminhos que permitirão alcançarmos a estratégia socialista.

Assim pensa a CTB.

Vida longa para todas e todos os lutadores do Fórum Social Mundial!

Venceremos!

Muito obrigado!

Divanilton Pereira é secretário de Relações Internacionais da CTB

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.