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Seg, Mar

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Início de ano é sempre o momento preferido para o aumento da passagem do transporte público. Com os estudantes de férias, fica mais difícil mobilizar um grande contingente de jovens para as manifestações contra o aumento das tarifas e as prefeituras e governadores de todo o país se aproveitam para mais uma vez jogar o peso da crise apenas nas costas da classe trabalhadora. Neste início de 2018, já observamos em diversas capitais tanto o aumento quanto a resistência da juventude frente a mais este ataque.

O direito ao transporte público está garantido em nossa Constituição Federal e deveria permitir o acesso à cidade a todas as pessoas, assegurando a locomoção para trabalhar, estudar, lazer, etc. No entanto, os governos parecem ignorar tal fato, aumentando constantemente as tarifas ao mesmo tempo em que o transporte público é sucateado: frotas envelhecidas, lugares da periferia não atendidos, tempo elevado de espera dos ônibus são algumas das características que precarizam o transporte e inibem que mais pessoas utilizem o serviço público para sua locomoção

 Em São Paulo, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) quer privatizar linhas e terceirizar bilheterias do metrô. Mais uma tentativa de redução do papel do Estado numa área essencial. Os metroviários, com apoio da CTB, fizeram uma greve histórica de 24h contra a entrega deste patrimônio público.

Os governos deveriam tomar decisões sempre levando em consideração a conjuntura que estamos vivendo. Atualmente, o país vive um alto índice de desemprego, informalidade e empregos de baixos salários. Neste ano, o salário mínimo teve um aumento de pouco mais de 1%. Fica claro que, nesta situação, qualquer aumento na tarifa do transporte público impacta fortemente a população, em especial os mais pobres.

Dentre os mais afetados estão os jovens, que atingem 30% de desempregados e elevado índice de informalidade. Grande parcela da juventude brasileira estuda e trabalha, porém, com a crise econômica e a redução do papel do Estado, resultando na diminuição de diversas políticas públicas para a juventude, este jovem tem grande probabilidade de largar seus estudos para ajudar na renda familiar.

Não bastasse tudo isso, diversas prefeituras tem tomado iniciativas no sentido de retirar o direito dos estudantes, limitando o passe livre ou o meio passe estudantil. Isso afeta não só o jovem e suas famílias, mas a educação brasileira, já que, com tais medidas, uma parcela significativa dos estudantes não teria como ir à aula todos os dias, mas também a economia que gira em torno desses jovens: por exemplo, o comércio perto de universidades e escolas também sofreria consequências, uma vez que os jovens e suas famílias terão de economizar para pagar a passagem. Isso tudo engessa nossa economia e aprofunda ainda mais a crise que o país está vivendo.

Está claro que temos motivos de sobra para seguir lutando. Um transporte público acessível é essencial para uma boa qualidade de vida da classe trabalhadora. Neste sentido, a juventude permanecerá na linha de frente contra o aumento da tarifa e em defesa de um transporte público de qualidade para todas e todos, intensificando suas mobilizações e debates em torno do tema.

Luiza Bezerra é secretária da Juventude Trabalhadora da CTB.

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

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