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O acampanento invadido (Foto: Reprodução)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) foi surpreendida na tarde desta quinta-feira (20) com a notícia de um massacre de pelo menos 10 pessoas, entre trabalhadores rurais, crianças, adolescentes e idosos(as), na Gleba Taquaruçu do Norte, localizada na área rural do município de Colniza, a mais de 1.000 quilômetros de Cuiabá (MT).

Segundo testemunhas, além das mortes confirmadas, há mais de 20 pessoas feridas e desaparecidas. E a Gleba é marcada por conflitos e violências há mais de 10 anos.

A Contag exige a apuração desse caso e que os mandantes e executores não fiquem impunes. “A violência no campo aumentou no último ano e, em 2017, já registramos mais assassinatos. A maioria dos casos está ligado a conflitos agrários, ligados à falta de prioridade dos governos e órgãos competentes com a não realização da reforma agrária e com a falta de regularização fundiária. Precisamos dar um basta nesta violência!”, cobrou o presidente da Contag, Alberto Broch.

Vale lembrar que na última segunda-feira (17) completou-se 21 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Até quando teremos que perder mais vidas para garantirmos terra para produzirmos alimentos?

Diretoria da Contag

Dom Pedro Casaldáliga bispo emérito de São Félix do Araguaia em Matro Grosso e dom Adriano Ciocca Vasino também protestam escrevendo uma carta-denúncia. Leia a íntegra abaixo:

Em Mato Grosso o campo jorra sangue

A Prelazia de São Félix do Araguaia, em reunião com suas/seus agentes de pastoral, seu bispo dom Adriano Ciocca Vasino e o bispo emérito dom Pedro Casaldáliga, na cidade de São Félix do Araguaia - MT, manifesta sua dor, indignação e solidariedade com as famílias assassinadas na Gleba Taquaruçu, município de Colniza – MT, no dia 20 de abril.

Este massacre acontece num momento histórico de usurpação do poder político através de um golpe institucional, com avanços tão graves na perda de direitos fundamentais para o povo brasileiro que coloca o governo do atual presidente Temer numa posição de guerra contra os pobres, isso refletido de forma concreta nos projetos, como as Medidas Provisórias 215 e 759, que violam direitos dos povos do campo e comunidades tradicionais, como também no acirramento do cenário de violações contra as/os defensores de direitos humanos. Diversos políticos expõem abertamente seus discursos de ódio e incitação à violência contra as comunidades que lutam pelos seus direitos. Vivemos um clima de “Terra sem lei”, uma verdadeira guerra civil em nosso país.

Como consequência, o ano de 2016 foi o mais violento dos últimos 13 anos, apontando para uma perspectiva desoladora no campo. E esta situação de Colniza, onde assassinaram inclusive crianças, nos expõe diante dos objetivos de ruralistas que não temem nada para conseguir as terras que buscam.

As famílias de agricultores da Gleba Taquaruçu vêm sofrendo violência desde o ano de 2004. Neste período, em decisão judicial, a Cooperativa Agrícola Mista de Produção Roosevelt ganha reintegração de posse concedida pelo juiz de Direito da Comarca de Colniza, como anunciada na Nota da Comissão Pastoral da Terra, de 20 de abril deste ano. Em 2007, ao menos 10 trabalhadores foram vítimas de tortura e cárcere privado e, neste mesmo ano, três agricultores foram assassinados.

Como estão, neste momento, as famílias que vivem em Colniza? O município já foi considerado o mais violento do país. Sabemos que na região existem outros conflitos de extrema gravidade, como o da fazenda Magali, desde o ano 2000, e o conflito na Gleba Terra Roxa, desde o ano de 2004. A população teme que outros massacres possam acontecer.

Clamamos justiça e que os autores desses crimes sejam processados e punidos. A conseqüente impunidade no campo, fruto da omissão dos órgãos públicos, perpetua a violência.

Na semana em que lamentamos o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1997, que vitimou 19 lutadoras e lutadores do povo, somos surpreendidos por outro massacre no campo, que quer amedrontar, calar as vozes e submeter a dignidade do povo brasileiro.

Temos a certeza que o massacre ocorrido jamais roubará os sonhos e as esperanças do povo. E jamais calará a voz das comunidades que lutam.
O sangue dos mártires será sempre semente de JUSTIÇA e VIDA!

São Félix do Araguaia, 21 de abril de 2017

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