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Dom, Maio

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As feministas brasileiras terão este ano um 8 de Março triste.É muito forte o sentimento da perda deixado pela morte recente de lideranças nacionais do movimento de mulheres, que ajudaram a construir sua organização no Brasil e as políticas setoriais propostas ou implementadas nos últimos anos. Lurdinha Rodrigues e Rosângela Rigo, que ocupavam coordenações na Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, e Celia Maria Escanfella, ativista e consultora, perderam a vida em um trágico acidente no dia 14 de fevereiro, em pleno carnaval, quando o carro em que viajavam foi colidido por um veículo desgovernado.

Cerimônias públicas de despedida foram realizadas em Brasília, Salvador, São Paulo e a lembrança das militantes deve emergir com força nos atos do 8 de Março pelo Brasil. Mas a medida em que as perdas vão sendo assimiladas, os movimentos de mulheres também afirmam que os exemplos de vida que elas deixam servirão para dar mais força às lutas que as mulheres terão de enfrentar em 2015.

"O feminismo não seria o mesmo, o Brasil não seria o mesmo sem elas", diz Rachel Moreno, do Observatório da Mulher. Em um ato de despedida, na Câmara Municipal de São Paulo, Maria Amélia Teles, a Amelinha da União de Mulheres de São Paulo, lembrou o momento em que Lurdinha entrou no movimento feminista. Aos 17 anos, no movimento sindical, ela ocupava um microfone para convocar as mulheres a aderirem a uma greve. Ao vê-la ocupando espaço , em um tempo em que as trabalhadoras mal tinham acesso aos microfones ou voz nas mobilizações, Amelinha a procurou para que viesse ajudar na luta das mulheres - um universo de militâmcia do qual ela nunca mais saiu. Homossexual assumida, Lurdinha tornou se também dirigente da Liga Brasileira de Lésbicas e levou também essa causa, invisibilizada na mídia e no movimento social, a vários espaços de luta, como as conferências da mulher, de Saúde e de Comunicação.

Um ano de lutas

A luta das mulheres por espaço e a conscientização de que é preciso ocupá-los serão desafios para as mulheres em 2015. Em um ano de maior conservadorismo no Congresso, e ameaças a conquistas sociais e trabalhistas, como as medidas provisórias que retiram direitos previdenciários, as ativistas e militantes sindicais terão de redobrar sua capacidade organizativa e de mobilização para defender direitos.
A CNTU terá um ano de muito debate e organização por parte das profissionais universitárias. De acordo com a coordenadora do Coletivo de Mulheres da Confederação e Secretária de Finanças Adjunta da CTB, Gilda Almeida, serão realizados encontros regionais para avançar nas propostas e ações em torno dos três eixos priorizados pelas mulheres da CNTU: trabalho, política e saúde.

Será uma sequência de eventos voltados a “ descentralizar, levar informação, fazer o debate e tentar organizar as mulheres”. Além de discussões permanentes, Almeida defende que se invista em conscientização, para ampliar a capacitação política feminina, sobretudo em segmentos como a engenharia, em que elas ainda são minoria. E que se pense em atividades abarcando os ensinos fundamental e médio para “quebrar o paradigma de que há profissões que não são para mulheres”.

Em entrevista à Soraya Misleh para o Jornal Engenheiro, da FNE, Almeida aponta a necessidade de avançar na ocupação de melhores postos de trabalho e vencer barreiras de ascensão profissional. “Nos cargos de chefia mais baixos, as mulheres têm forte presença, mas o mesmo não ocorre nos escalões médios (gerente) e superiores (diretor, vice-presidente e presidente).” Ela lamenta que isso se repita inclusive no movimento sindical. “Em geral, as mulheres nunca estão em cargos estratégicos, com raras exceções. Onde se estabelecem cotas, você as tem, mas dificilmente na Presidência, na Secretaria-Geral, na Tesouraria ou mesmo na Comunicação.”

Atos e corridas no mês de Março

Tradicional Ato do 8 de Março em São Paulo, a atividade está prevista para ter início às 10 horas, na Avenida Paulista, entre outras atividades e manifestações agendadas pelo Brasil. Este ano, o mês Março terá também uma corrida e caminhada pelo fim da violência contra a mulher no Brasil, agendada para o dia 15. A iniciativa é da diretoria da Mulher da Associação Paulista do Ministério Público do Estado de São Paulo, em parceria com outras organizações.

A corrida receberá 2.500 pessoas, tanto mulheres quanto homens, em um percurso ao redor do Parque do Ibirapuera, com objetivo de se tornar mais um canal de informação, recuperação e apoio a todas as mulheres em situação de violência, em comemoração ao mês internacional da mulher. As inscrições para a corrida e caminhada custam R$ 70,00 e poderão ser realizadas até o dia 10 de março através do site www.movimentopelamulher.com.br

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