Sidebar

19
Dom, Maio

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Milhares de mulheres devem se reunir na Avenida Paulista, neste sábado – 08 de Março –, a partir das 9 horas, para marcar o Dia Internacional da Mulher.

Neste ano, a atividade convocada por entidades dos movimentos sociais e Centrais Sindicais se concentrará no Vão Livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), partindo em caminhada até a Praça Roosevelt, culminando com um ato político, que alertará a sociedade para o atual cenário de desigualdade enfrentado pela população feminina, com destaque para a baixa participação política, bandeira defendida pela CTB.

Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional, considera que de nada adianta ser 51% da população do país, corresponder a 47% da mão de obra ocupada no Brasil e não ter o direito de viver uma vida digna, sem violência, em condições de igualdade com os homens.

“A CTB levará a bandeira 'Mais Mulheres na Política'. Avançamos muito, mais ainda estamos longe do nosso objetivo, que é a igualdade de direitos. Apesar de sermos maioria, ainda sofremos com a discriminação, a desigualdade salarial e a baixa participação política”, destacou a dirigente.

Dados preocupantes

Dados da União Interparlamentar da Organização das Nações Unidas revelam que o Brasil ocupa o 156º lugar com relação à participação das mulheres na política em um ranking de 188 países. A situação também é bastante desfavorável ao país em termos continentais: dos 34 países americanos, o Brasil aparece na 30ª colocação.

MULHERES CTB BA peq

“Se continuarmos no atual ritmo de crescimento de participação da mulher na política, demoraremos 150 anos para atingir a igualdade de gêneros”, alertou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), primeira procuradora da Mulher do Senado.

Para a senadora, a baixa participação feminina na política está em total discordância com o papel da mulher na sociedade e defendeu que as nações que avançaram nesse campo instituíram em lei ou de forma voluntária, por iniciativa dos próprios partidos, a alternância de gênero nas candidaturas.

“Devemos avançar para uma reforma política democrática e inclusiva, com lista fechada contendo alternância de gêneros. E que possamos também promover campanhas de maior participação feminina. Dessa forma, estaríamos avançando para uma representatividade de gêneros na política”, afirmou Vanessa.

População apoia a igualdade

Pesquisa realizada pelo Ibope e o Instituto Patrícia Galvão, intitulada “Mais Mulheres na Política”, indica que a maioria da população apoia a reforma política para garantir maior participação das mulheres.

O levantamento foi feito com base na resposta de mais de 2 mil pessoas com mais de 16 anos, entrevistados entre 11 e 15 de abril de 2013, em todas as regiões do País. Deste total, a maioria (mais de 1,4 mil) considerou fundamental a alteração nas leis eleitorais para garantir que as mulheres representem a metade dos candidatos a cargos eletivos. Atualmente, a legislação eleitoral brasileira reserva 30% das candidaturas para as mulheres e apenas 10% do tempo de propaganda eleitoral para cotas de sexo.

No Senado Federal, entre 81 vagas, apenas 13 são ocupados por mulheres, sendo que, atualmente, oito senadoras exercem ativamente a atividade. Na Câmara dos Deputados, das 513 vagas, 44 são ocupadas por mulheres e apenas uma das 21 comissões permanentes é liderada por uma deputada. As mulheres ocupam apenas 10% das prefeituras e representam 12% dos membros das câmaras municipais.

Para Marilene Betros, dirigente da Executiva Nacional da CTB, secretária da Mulher da CTB-BA e vice-coordenadora da APLB-Sindicato, os desafios são enormes, as barreiras às vezes parecem intransponíveis em relação à participação da mulher nos espaços de poder. “Apesar de termos alcançado alguns avanços, ainda enfrentamos desigualdades profundas: a baixa valorização da mão de obra feminina, a concentração das mulheres em cursos e carreiras ditas ‘femininas’, a manutenção de uma educação sexista, homofóbica/lesbofóbica, racista, o acesso desigual à educação, à saúde, a questão da violência doméstica, o direito à moradia, à educação e tantos outros dos quais somos privadas, aspectos relevantes ao discutirmos políticas públicas para as mulheres”, destacou a sindicalista.

A lei de reivindicar mais espaço na política, as mulheres sairão às ruas contra a condição de opressão em que vivem em seu cotidiano e para levantar suas vozes em defesa da reforma política e da democratização da mídia, pela valorização do trabalho, por creches, pela real implementação da Lei Maria da Penha, em defesa do SUS, na luta pela legalização do aborto e do seu reconhecimento como questão de saúde pública, na efetiva implementação do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.

"Nesse Dia Internacional da Mulher, a CTB cobrará ainda a construção de mais creches públicas para as crianças. Isso porque, sem creche, as mulheres ficam impedidas de trabalhar. Elas acabam contratando outra mulher para cuidar deles, pagando um salário baixo, precarizando ainda mais a mão de obra feminina, ou transformam suas mães e avós em babás. Se houvesse mais creches, isso não aconteceria”, diz Ivânia.

Serviço:

Caminhada do Dia Internacional da Mulher

Dia 08 de Março

Vão Livre do Masp - Avenida Paulista, 1578

Concentração a partir das 9h

Portal CTB

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.

Diga não

banner violencia contra a mulher

Revista Mulher de Classe

banner revista mulher de classe